Quis fazer a quarta história com rainhas bem malvadas, princesinhas delicadas e os nobres mais diversos. Quis também fazê-la em versos, bem rimada e na medida pra ficar mais divertida de contar pra vocês. No início, até foi fácil: inventei que um certo conde escondeu, sei lá onde, o chapéu da princesinha, a coroa da rainha e a peruca da duquesa, pra depois, por malvadeza, pôr a culpa no marquês. (...) vasculhei quarenta quartos cem caixotes, mil gavetas, cento e trinta e três saletas e um porão empoeirado. Tudo em vão! Desanimado, sem poder fingir mais nada, eu gritei: “Que palhaçada que o maldito conde fez!” Eu já ia desistindo, quando tive uma surpresa: descobri, perto da mesa, um baú misterioso, que eu, muito curioso, logo vi estar trancado, mas um pontapé bem dado fez a coisa abrir de vez. Achei lá uma coroa, um chapéu, uma peruca e – que coisa mais maluca – um gatinho siamês, um cachorro pequin...