quarta-feira, 16 de abril de 2014

Ressurreição - Olavo Bilac


Como às vezes, piedoso, o sol se inclina
Sobre um pântano, e acende-o, e da água ascosa
No atro fundo, ergue Alhambras de ouro e rosa,
Catedrais e Krêmlins de prata fina,

- Também, da alta região que nos domina,
Tu pairas sobre mim, sombra piedosa:
Sinto em mim, como numa nebulosa,
Mundos novos, ardendo em luz divina...

São torres vivas, cúpulas fulgentes,
Zimbórios igneos, toda a arquitetura
Dos sonhos que a ambição do Ideal encerra,

Subindo em largos surtos, em torrentes,
Galgando o céu, para brilhar na altura
E desfazer-se em versos sobre a terra...

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