terça-feira, 31 de março de 2015

Páscoa: liberdade e vida - Casa de Euterpe


Eis que é chegada a Páscoa.

Nessa época do ano, as vitrines dos shoppings e dos supermercados revestem-se de papeis laminados e encontram-se repletas de coelhos e ovos de chocolate de todas as cores e tamanhos. Há uma verdadeira festa para os sentidos.

Embora também ouçamos falar que Páscoa é renovação e renascimento, não associamos esses conceitos simbólicos com as atividades que vemos exteriormente, embora o evento tenha igualmente caráter religioso.

Ocorre que, como diversas outras datas que apresentam face simbólica, esta também, ao longo do tempo, teve seu significado transformado ou esquecido e, por isso, não vivenciado.

Não há problema em distribuirmos chocolates e ovinhos, nem em exaltarmos o coelho. O problema reside, principalmente, em não sabermos mais o que isso significa. E por não sabe-lo, não vivermos realmente a Páscoa, perdendo a oportunidade de trazer o símbolo para a nossa vida.

É óbvio que isso aconteça, pois não podemos viver aquilo que não compreendemos e isso ocorre, geralmente, por falta de reflexão. Falamos muito e refletimos pouco. Assim, passamos ao largo e na superfície das coisas, sem nunca chegarmos em sua acepção profunda e simbólica.

É prudente lembrar que todo símbolo tem um significo oculto, interno. Ocorre que não existe apenas uma única forma de entender e apreender esse sentido íntimo. O que existe é aquela que cada um esculpe a partir de suas próprias conclusões, depois de refletir seriamente acerca de um assunto. Existe, sim, aquilo que eu sou capaz de captar no momento e que pode ser diferente daquilo que você é capaz de perceber. Não há uma única verdade, mas a verdade de cada um.

Assim, quando reflito acerca da Páscoa, compartilho as referências que sou capaz de entender. Existem, certamente, outras.

Vamos lá.

A palavra Páscoa vem do hebraico pessach que significa passagem.

No Antigo Testamento, tem a finalidade de celebrar a passagem do povo de Israel da escravidão do Egito para a liberdade da Terra Prometida.

No Novo Testamento, significa a passagem da morte para a vida, por meio da ressurreição de Jesus de Nazaré, que havia sido morto na cruz. Jesus faz a sua passagem da morte para a vida plena.

Assim, de uma forma ou de outra, Páscoa é “passagem”. Passagem da escravidão para a liberdade. Passagem da morte para a vida.

Muito bem. Desvelar o símbolo é apenas o primeiro passo. O segundo é vivenciá-lo que forma prática e objetiva. Mas como podemos viver esse símbolo que é o advento da Páscoa? Como podemos experimentar seu íntimo significado que é transição, passagem e, em última análise, liberdade e vida? Sim, pois somente depois da vivência pessoal é que integramos seu significado, transformando-o em experiência e aprendizado. Um símbolo não vivenciado é um símbolo morto. Somos nós que lhe insuflamos vida.

Assim, Páscoa sem vivência, sem atitude ou ação é apenas mais uma data no calendário.

Refletindo acerca do tema, penso que tanto a passagem relativa à escravidão como a relativa à morte podem ser vividas que formas parecidas. Neste ponto, alguém pode perguntar: como experimentar essa mudança de estado se não sou escravo e tampouco estou morto?

Ora, será mesmo que não somos escravos? Será que não somos cativos de nossos desejos, instintos, paixões, medos, preconceitos, julgamentos, formas mentais... Em suma, será que não somos escravos de nós mesmos? Dificilmente, chegaremos a uma conclusão diferente dessa: somos, sim, escravos de nossas próprias criações.

Quanto à morte é preciso questionar: vivemos realmente? Ou somente existimos? Quando existimos biologicamente, deixamos de dar importância àquilo que realmente tem vida plena: nossa Alma. Ora, o existir biológico é comum aos homens e às amebas. Apenas o fazemos de forma mais requintada. Assim, o que nos diferencia da ameba não é o fenômeno biológico de nascer, crescer e morrer, mas a capacidade de fazer relação, a capacidade de entender que somos mais do que vemos, sentimos ou pensamos e a capacidade de entramos em contato com o Divino que há em nós.

Quando desprezamos essas capacidades típicas da Alma e priorizamos exclusivamente aquilo que está ao nosso redor ou em nosso exterior, não vivemos, mas existimos tal como as amebas.

Dessa forma, penso que precisamos de, o mais breve possível, fazer a passagem da escravidão do ter para a liberdade do Ser e da morte dos sentidos para a vida da Alma. Entendendo uma e outra coisa como equilíbrio entre o ter e o Ser e entre a satisfação dos sentidos e satisfação dos anseios da Alma, pois a total liberdade e a plenitude da vida ainda não amanheceram.

A senda do equilíbrio é longa e não se finaliza da noite para o dia. Requer mudanças de postura paulatinas e constantes. É um extenso caminho, mas que, como indica Lao Tsé, começa com o primeiro passo. Por isso, não precisamos nos preocupar com o quando chegaremos à totalidade da liberdade ou da vida. Nossa preocupação precisa residir no começar. E para começar, basta ter um planejamento objetivo e um forte querer.

Esse planejamento pode ser dividido em quatro etapas: física, energética, emocional e mental. Para cada um desses níveis é possível encontrar uma forma de escravidão e de morte e em cada um deles podemos relacionar o que precisa ser “passado”, alterado, modificado, para sermos livres e vivos (equilibrados).

Fisicamente, a excessiva atenção ao corpo que se revela, muitas vezes, em verdadeiro culto é a responsável por nossa escravidão. É claro que o corpo precisa de cuidados como higiene e exercícios para que tenha saúde e qualidade de vida. O que não é razoável é que a maior parte de nosso tempo seja empregada nesse rito. Quem age dessa forma é livre? Vive plenamente? Não. É apenas escravo de padrões estéticos fixados por mecanismos que não fazem mais do que reforçar essa escravidão. Vale a pena pensarmos nisso. Assim, aceitar que o físico é um elemento útil, mas não o único e nem o mais importante e dar-lhe apenas o que é justo, abre-nos os grilhões que nos mantém atados àquilo que é apenas temporal.

Em nível energético, uma das causas de nossa escravidão e morte é o consumismo. Por um lado, é preciso saber que energia é vida, portanto quando a direcionamos de forma pouco produtiva ou quando a desperdiçamos, desperdiçamos vida. Por outro lado, o dinheiro é uma energia e como tal deve ser utilizado de forma inteligente, pois, em última análise, dissipa-lo é dissipar vida. Saibamos, então, que o consumo imoderado, a atitude de comprar por comprar, de adquirir por hábito ou por vício, leva à escravidão pelos desejos nunca saciados.

A outra face dessa moeda é o apego exagerado a essa energia. Quantos são escravos de seus próprios bens? Quantos se valorizam por sua conta bancária? E quantos não usufruem os frutos de trabalho honesto e legítimo por não querer abrir não de determinada quantia?

Para sermos livres e termos vida, há necessidade de estabelecer um ponto médio entre essas duas situações. Lidar com o dinheiro de modo consciente para que, como declama Victor Hugo, ele sabia quem manda em quem é um de nossos passaportes para a liberdade.

Emocionalmente, as paixões descontroladas nos escravizam e matam. Quantas vezes nos vemos prisioneiros de sentimentos que nos fazem mal, que nos tornam ineficazes e infelizes, que nos limitam e impedem-nos de avançar no caminho escolhido? Quantas vezes nos sentimos “mortos” por causa de sentimentos de mágoa, raiva, ira, ciúme... E ainda assim insistimos em mantê-los? Quantas oportunidades perdidas por medo, insegurança e falta de autoestima? Essas situações são faces da verdadeira escravidão. Reciclar sentimentos, renovar emoções, transformando tudo em atos de amor, generosidade, caridade ativa e alegria é a receita para a liberdade e para a vida.

No âmbito mental, nossa escravidão e morte estão relacionadas ao teor de nossos pensamentos. Há entre nós aqueles que se comprazem em ver repetidas na tela mental, e inúmeras vezes, cenas que merecem ser esquecidas. Há, ainda, aqueles que criam circunstâncias que jamais existirão e se deleitam com elas em verdadeira auto hipnose. Aqueles vivem no passado; estes, em um futuro que não se realizará e todos deixam de apreciar o presente e, portanto, deixam de viver. Ou seja, morrem um pouco a cada vez e são servos de fantasmas. Alimentar a mente com leituras edificantes, cuidar para que os pensamentos sejam sadios e claros, evitar os pensamentos circulares e viver o momento presente é nossa passagem do cativeiro para a liberdade e da morte para vida.

Assim, uma vez que a Páscoa indica a passagem de um estado de escravidão e morte para outro de liberdade e vida, lembremos que os ovos, ainda que de chocolate, e os coelhinhos são símbolos de fertilidade e abundância. Dessa forma, sejamos férteis em disciplina física e em vitalidade energética; abundantes em amor e generosidade; e em pensamentos claros e benfazejos.

Nesse estado de espírito, caminharemos para a verdadeira liberdade, para a Terra Prometida da Alma, bem como renasceremos da cruz do ter para a plena e real vida do Ser e viveremos simbólica e diariamente a totalidade da Páscoa!


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segunda-feira, 30 de março de 2015

Abril - Casa de Euterpe



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quarta-feira, 25 de março de 2015

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Sonho X Ilusão - Casa de Euterpe



Derivada do verbo latino illudo "divertir-se", "recrear-se", mas também "burlar'', ''enganar''. O verbo latino era formado pelo prefixo in- e o verbo ludo ''jogo''. De ludo derivou-se uma ampla família de palavras, como lúdico, (relativo ao jogo) eludir (escapar jogando), alusão (hoje significa menção, referência, porém inicialmente era broma ou joguete), o nome do delito de colusão (pacto ilícito contra um terceiro), interlúdio (intervalo em um jogo ou representação teatral), e prelúdio (o que antecede uma representação). Em espanhol, iludir e, mais tarde, ilusionar foram evoluindo com a denotação "causar uma impressão enganosa" ou "suscitar a esperança de algo desejável", ou seja, suscitar uma ilusão, porém atualmente se reserva à primeira o matiz de "burlar", "enganar mediante uma ilusão".

Ilusão, conforme a etimologia, significa burla, engano, engodo. Dessa forma, não pode ser confundida com sonho. Essa confusão é comumente feita, uma vez que chamamos de sonho o que não passa de mera ilusão. Está encerra-se em si mesma. Compraz-se com sua própria existência e não tem necessidade de ser realizada. São as quimeras com as quais muitas vezes nos deleitamos e perdemos preciso tempo.

Ao contrário, a principal característica do sonho é o seu poder de realização. O sonho pode e deve ser realizado. É um exercício de imaginação. A imaginação é um poder humano que utiliza a mente como ferramenta. Desenhamos uma imagem na mente, criamos uma situação e, em seguida, traçamos planos objetivos de realização. O sonho é exatamente isso.

Por exemplo: sonho com uma boa casa. Posso imaginar onde quero que ela se situe, como desejo que seja a construção, o jardim, o terraço... e a partir daí traço um plano de ação para chegar lá. Estabeleço prazo para que isso aconteça e trabalho sem descanso até consegui-lo. Ao final, é possível adquirir a almejada casa e ver o sonho realizado.

A ilusão é: “quero uma boa casa” e uso meu tempo criando quimeras de que alguém possa me convidar para um bom emprego (onde eu ganharia o suficiente para ter a casa), ou que eu ganhe na loteria e possa adquiri-la. E por ai vai... A chance de que esse intento se realize sem uma ação concreta e direta é zero. Mas a ilusão se alimenta dessa vã esperança e vai crescendo a ponto de satisfazer-se apenas com a sensação de se estar na casa pensada. Conforme sua etimologia, é uma brincadeira, um jogo de imagens que jamais serão concretizadas. Representa um ralo de energia que, com o tempo, nos esgota as forças e nos impede de realizarmos os verdadeiros sonhos.


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Carência - Casa de Euterpe


A palavra carência vem do latim carentia, e significa “falta de, privação”, de carere, “ter falta de algo”.

É natural sentirmos falta de algo em algum setor da vida, pois estamos em processo de formação humana. Não estamos prontos e acabados. Por isso, temos espaços em nós que precisam de ser preenchidos. Esses espaços, assim, carecem de algo que lhes completem.

O que não é natural é a tentativa de preenchê-los a partir do exterior. Não é natural buscarmos a completude por meio de subterfúgios emocionais ou mentais. Uma paixão, uma aquisição, uma euforia. Nada disso será suficiente para que nos sintamos completos. Uma vez passada a sensação, a carência retorna da mesma forma ou ainda mais acentuada.

A necessidade que temos não é mental ou emocional, mas espiritual. Assim nada que tenha natureza efêmera é adequado para atendê-la. O complemento para esses espaços está no mais profundo de nós mesmo, naquilo que ainda está oculto. É necessário dar vida à nossa chama interior. Acender a lâmpada e ouvir o coração. Para isso é preciso silêncio, é preciso calar a mente e a emoção. É preciso parar o movimento externo no qual nos debatemos, voltarmo-nos para dentro e refletirmos objetivamente para que possamos identificar a origem de nossa carência. Depois, buscar desvelar o que temos de melhor: a força espiritual com a qual somos dotados desde sempre e, por meio dela, completar-nos de modo adequado, perene e eficaz. Somente assim seremos felizes e inteiros.


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segunda-feira, 23 de março de 2015

A Grande Viagem - Casa de Euterpe


Conheço muitos viajantes. Pessoas que sentem imenso prazer em deslocar-se de um lado para o outro à procura de aventuras, novos conhecimentos, novas emoções.
Acho muito enriquecedora essa prática, pois permite uma abertura mental, uma visão aprimorada das coisas e do mundo. Assim, meus amigos andarilhos e viajantes estão de parabéns!
Eu também viajei alguma coisa por ai. Conheci terras e pessoas diferentes e aprendi muito com tudo isso. Todavia, a mais grandiosa viagem que empreendi ainda está em andamento e não tenho data certa para que termine. Isso ocorre porque as terras que visito são imensas e requerem algum tempo para que sejam percorridas. Não apenas percorridas, mas apreendidas e decifradas. Essa terra, as vezes inóspita, outras, hospitaleira é sempre uma fonte de conhecimento profundo e complexo.
A distância em que se situam depende do meu grau de consciência e sua localização, pasmem, é interior. Isso mesmo, essa é a jornada da vida para o interior de mim mesma. Como estou gostando da experiência, resolvi compartilhá-la para que todos saibam que é possível realiza-la.
A pergunta que me fiz quando me propuseram essa aventura foi: para quê? Porque, ao invés de continuar a viver de forma rotineira, iria eu empregar energia nesse intento pessoal? A resposta, achei-a eu mesma. A viagem se dá para que nos conheçamos a nós próprios. Não da forma como imaginamos, mas da forma como nos convida o Oráculo de Delfos. Ou seja, de maneira objetiva e completa.
Mesmo tendo a questão respondida, outra surgiu em minha mente, pois esta não cala com muita frequência. Para que, afinal de contas, preciso desse conhecimento? É certo que possuo alguns outros que têm me servido até o momento. Novamente, depois de pensar um pouco, cheguei à conclusão que de sem ele não há realizações humanas na vida.
Como assim? Ora, é certo que temos nossas metas, nossos objetivos que, em última análise, são nossos sonhos. É certo também que todos queremos alcança-los, realiza-los. Ocorre que muitas vezes não conseguimos por causa dos obstáculos que encontramos no caminho. Assim, um dos benefícios desse conhecimento é ajudar-nos a superar limitações e obstáculos para a consecução de nossos sonhos.
Isso por si só já seria suficiente para que nos lançássemos ao desafio. Mas não é só isso. Esse conhecimento auxilia-nos, ainda, a conseguir equilíbrio na vida e uma dose de sabedoria.
Sabendo disso tudo propus-me ao passeio interior e posso dizer que o que encontrei dá forma a um material para que eu possa trabalhar por uma ou mais existências.
Para explicar a minha experiência, é necessário considerar que nossa conformação vai além daquilo que podemos ver. De acordo com um antigo conhecimento que remonta aos sábios hindus, o homem possui em sua formação sete veículos. Aqui, comentarei acerca dos quatro mais densos, pois é por onde ocorre minha viagem.
O primeiro veículo trata do corpo físico (substância) e da energia etérica que mantém as células unidas, dando forma a ele. É o mais concreto e pesado dos quatro. Quando estamos dispostos a examiná-lo existem algumas perguntas muito simples que podemos fazer, mas que quase nunca fazemos porque não estamos atentos o suficiente para isso: qual é o meu limite? Quais as atividades que sou capaz ou não de desenvolver? Tenho ou não tendência à desorganização? Essas são apenas exemplos que não excluem outras. Quanto mais questionarmos e nos propusermos a encontrar as respostas, mais exato será o conhecimento do veículo, pois quando respondemos de forma fiel, honesta e objetiva teremos uma clara ideia que como funcionamos em nível físico. Essa informação impede-nos de entrarmos em empreitadas que vão além de nossas forças ou de, querendo enfrenta-las, qual o limite que devemos ultrapassar para tanto.
O segundo veículo é a energia que diferencia um corpo vivo de um corpo morto. É a nossa energia vital. É o que faz as plantas crescerem, os animais e a nós mesmos andar, respirar. Um corpo morto, embora ainda possua o veículo físico, já não tem o vital.
Ao aproximarmo-nos desse patamar cumpre-nos questionar: o que me causa cansaço? Como lido com o dinheiro? Como utilizo o tempo? Como respiro? Tenho ou não tendência à falta de ritmo? Da mesma forma que em relação ao físico, aqui também cumpre-nos ser honesto com nós próprios. É importante admitir tudo o que ocorre nesse nível, inclusive a preguiça. Sim, ela é afeta à energia e dificilmente admitimos que a possuímos, mas é raro quem não a tenha. Da mesma forma, a indolência, a inércia. Só existe uma forma de lidarmos com tudo isso: admitindo que existem e em que grau se encontram. Admitida sua existência, menos difícil será examinar suas causas e atuar nelas.
Os sábios da antiga Índia conheciam o terceiro veículo “astral”. É mais sutil que os anteriores e abrange todas as emoções que podemos exprimir: amor, paixão, alegria, entusiasmo, euforia, medo, raiva, inveja, ódio... a lista é imensa.. Algumas emoções, admitimos sem problemas, outras, nem tanto. Dificilmente admitimos a inveja e não é raro que ela exista, assim como a raiva. Fazemos isso porque consideramos “feio” tê-las. Afinal, somos pessoas boas.
Bem, primeiro é preciso admitir: não somo tão bons quanto imaginamos. Segundo: não existem emoções feias. Existem emoções. O que as fazem feias ou não é o momento e como as utilizamos. Assim, conhecer aquelas que nos permeiam mais amiúde, a forma e a intensidade com que se manifestam nos deixa aptos a poder lidar com elas.
Aqui, podemos questionar, entre outras coisas: o que me alegra? O que me entristece? Quais situações me amedrontam e como reajo frente a elas? Quanto tempo levo para me reequilibrar depois de um abalo emocional? Qual a frequência com que isso acontece? Tenho ou não tendência a não assumir responsabilidades? Para cá a mesma regra de ouro: quanto mais questionarmos e nos propusermos a encontrar as respostas, mais exato será o conhecimento do veículo e mais fácil nosso trabalho que equilibrá-lo.
Residem também nesse veículo astral, os pensamentos que são intimamente influenciados pelas emoções. Embora eles devessem influencia-las, ocorre justamente o contrário. A qualidade daqueles depende do teor dessas. O correto seria a clareza daqueles influenciar a qualidade das emoções. Por isso, precisamos saber como andam nossos pensamentos. Qual a sua qualidade. E cabe perguntar: tenho pensamentos circulares? Obsessivos? Em que grau consigo converter um pensamento negativo em positivo? O quanto me deixo dominar por eles? Deixo qualquer coisa entrar em minha mente? Ou impeço a entrada daquilo que não contribui para nada?
Responda com sinceridade. Para isso, será necessário estar atento aos pensamentos e isso, por si só, já é uma grande coisa, pois na maioria das vezes não estamos atentos ao que pensamos e deixamo-nos levar por eles em verdadeiras viagens sobre as quais não temos o menor controle.
O quarto veículo é a mente concreta. Os hindus a chamavam de “mente de desejos”, porque é egoísta, especulativa e calculista. Neste nível, residem as ideias concretas com as quais lidamos no dia a dia. E para conhecê-las podemos questionar: quais leituras me agradam? Minhas ideias são claras? Tenho dificuldade para ordena-las? Tenho ou não tendência para dúvidas e críticas?
Sem exceções, aqui a regra é a mesma: entrar em contato com as ideias para conhece-las e equilibrá-las.
Explorar da forma mais consciente possível esses veículos, nos dará a oportunidade de saber realmente quem somos e de evitar que as circunstâncias nos peguem desprevenidos. Evita com que atuemos por reação e faz com que nos antecipemos às situações. Faz com que deixemos de ser tripulantes de um barco para sermos o timoneiro. Promove nossa saída do time daqueles que dizem “eu sou assim mesmo” para que façamos parte daquele outro time que afirma “eu construo a mim mesmo”.
Pois bem. Se esse conhecimento é tão importante, porque não o adquirimos logo? O que nos impede?
Posso listar algumas causas as quais vivenciei e que não excluem outras. Uma delas é o medo. Medo do desconhecido, daquilo que iremos encontrar. Medo da viagem em si. Medo de nós mesmos e do trabalho que teremos a partir da resolução de caminhar. Medo da caminha dar certo e de sermos expulsos da tribo dos medíocres. Medo de nosso próprio sucesso.
O medo é natural quando objetiva nossa proteção e aviltante quando nos impede o crescimento. É prudente pensarmos nisso.
Outras razões são a procrastinação, a dúvida e as justificativas. A primeira aparece sob a forma de “amanhã eu faço” e retrata a preguiça. A segunda, faz perguntas sem jamais procurar respostas; anda em círculos atrás do próprio rabo, executando a cantinela: será? Será? Será? A terceira procura desculpar as outras duas: não fiz porque..., tenho dúvidas porque... . São entraves poderosos que precisam ser identificados e afastados para que possamos pôr-nos em marcha.
Outra causa aparece sob a forma de debilidade, ou seja, a falta de força para enfrentar adversidades, críticas. Uma vez que nos dispusemos a esse conhecimento, muitas coisas em nós começam a mudar e daí vêm as críticas e muitas vezes a dificuldade na manutenção da mudança.
Temos ainda os apegos. Em muitas ocasiões, ao nos depararmos com algo que precisa ser alterado, um hábito negativo por exemplo, não é raro verificarmos que gostamos do tal hábito! Que o revestimos com uma capa positiva para que possamos mantê-lo e isso impede que avancemos. Por exemplo, as vezes chamamos a preguiça de “precaução”; o medo, de “cuidado” e por ai vamos.
Ora, a natureza é justa e para cada entrave existe uma alavanca que pode removê-lo.
Para o medo, coragem. Devemos agir com o coração e o medo não resistirá.
Para imaturidade, maturidade pessoal que se demonstra por meio da força de vontade.
Para o apego, desapego e clareza de visão para ver as coisas tais como são: preguiça é preguiça e precaução é precaução. São coisas que não se confundem.

Amigos, essa é minha grande viagem. Experimentem o roteiro e vejam que o ponto de chegada não se compara nada, pois nada pode ser comparado a nós mesmos. Somos raros, singulares e únicos. Não percam a oportunidade.

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terça-feira, 17 de março de 2015

4 técnicas de estudo incomuns e eficientes - William Douglas


A primeira técnica de estudo é não seguir as técnicas de estudo!
Mas, como assim? A partir do momento em que lancei o livro "Como Passar em Provas e Concursos", que acabou dando início a uma nova disciplina, "Como Estudar", surgiram ótimos professores ensinando o mesmo assunto, mas também muitos curiosos e pessoas – muitas das quais com boa intenção – querendo ensinar técnicas, dicas e segredos das quais não têm um conhecimento aprofundado. Resultado: ensinam coisas erradas e acabam prejudicando mais do que ajudando o incauto concurseiro. Então, é preciso ter técnica, mas também é preciso ter muito cuidado com elas!

A recomendação para você se sair bem é simples: personalização! Tão importante quanto ouvir técnicas só de pessoas experientes em concursos é testar o que está sendo dito e ver se realmente funciona para você. Há técnicas que funcionam para todos (motivação, otimização do tempo) e outras, apenas para alguns. Por exemplo, há quem renda mais ouvindo, outro copiando, outro assistindo. Há quem renda mais pela manhã e outros, pela noite. Cada um tem sua compleição e não adianta forçar. Descubra como você rende melhor e que técnicas são mais úteis. E lembre-se: algumas coisas funcionam para todo mundo, como organização, dedicação, muito treino, fazer revisões periódicas da matéria e estudar com silêncio ou música clássica --jamais com outras músicas, com pressa ou pensando em outras tarefas.

Enfim, não siga as técnicas dos outros. Teste-as e, se funcionarem, elas passarão a ser as suas técnicas. Também não tente ficar seguindo 300 técnicas. Vá devagar, melhorando aos poucos. A direção correta é mais importante que a velocidade.

Outra técnica que funciona é estudar entre 50 a 80 minutos e descansar entre 10 a 15 minutos (sua resistência aumenta com o tempo, mas faça sempre os intervalos). E, claro, prestar atenção nas aulas e nas dicas dos professores e responder questões de vestibulares ou concursos anteriores.

Conselho errado muito comum: "a pessoa que não estudar X horas não passa". É errado porque o estudo vale mais pela qualidade do que pela quantidade e porque, com revisões periódicas e técnicas de memorização, a pessoa que tem menos tempo para estudar também consegue aprender e passar. Não adianta ficar exausto de estudar e não conseguir apreender nenhum conhecimento.

A segunda técnica de estudo é... não estudar é estudar! Ok, parou, parou, parou... não ache que sem estudar você terá sucesso nem pegue essa frase e vá para a praia sem culpa. Não, a ideia não é essa. Existem duas coisas que farão muita diferença.

1ª - Quando você está descansando ou fazendo outras atividades, seja de lazer ou dormir, você não está estudando, mas isso pode aumentar sua produtividade no estudo.
2ª - Para render mais no estudo, você precisa estar "presente" naquilo que está fazendo.

A fixação da memória ocorre durante o sono profundo. Por isso, é importante ter um bom sono. Relaxar e... dormir! Nada de ficar repensando em todas as coisas que aconteceram ou deixaram de acontecer ao longo do dia, nada de ficar pensando, na véspera, na matéria e na prova. Também não vale ficar zapeando a TV até cansar. Hora de dormir é hora de dormir. Claro que você não pode usar a importância do sono como uma desculpa para dormir demais, mas não dormir o mínimo necessário vai, com certeza, prejudicar o aprendizado.

Já os momentos de lazer fazem a pessoa recuperar suas energias, relaxar, "recarregar a pilha". Eles também não devem ter carga horária exagerada, mas são essenciais. Uma das técnicas é estudar seis dias e descansar um. Um bom lazer é a atividade física já que exercícios aumentam a oxigenação do cérebro, a disposição e melhoram o humor.

A terceira técnica é saber que o conteúdo da prova não reprova ninguém! Isso mesmo! Os concursos e vestibulares dizem tudo o que vai cair na prova e não faltam ótimos professores, cursos e livros ensinando a matéria. O que reprova mesmo é a incapacidade de organização e de ter método de estudo. Ou seja, quem reprova você é você!

Se listar as coisas que mais atrapalham seu estudo, você verá que as dificuldades pessoais, como preguiça, medo e desorganização, e circunstanciais, como as relacionadas aos amigos, família e trabalho são o que realmente atrapalham na hora do estudo. A pessoa que aprende a administrar seu tempo, amizades, telefonemas, lazer e ansiedade irá conseguir estudar bastante, e bem. Estudo é uma questão de organização, qualidade e administração do tempo. Aprenda a fazer isso e você não será reprovado. Ser aprovado é uma questão de tempo para quem aprendeu a estudar e a fazer provas.

Por fim, saber a matéria não adianta! Mas, como assim? Bem, é preciso saber a matéria, claro, mas também é preciso saber transmitir a matéria para a prova! Muitos são aqueles que estudam e aprendem, mas, como não treinam fazendo simulados, provas anteriores e concursos/vestibulares reais, não sabem passar o conhecimento para o papel. E, se você não passar o que sabe para o examinador, ele vai achar que você não sabe.

Imagine uma pessoa com um caminhão-pipa cheio de água para matar a sede de uma multidão, mas com apenas um canudinho para tirá-la de lá. Não adianta ter a matéria toda na cabeça e não ter treinado sobre como fazer as provas, não saber nenhuma técnica de realização de provas. O melhor jeito de aprender as técnicas é fazer simulados e provas anteriores, e aprender a fazer provas "por esporte". Eu ensino várias técnicas de realização de provas no livro e na internet, recomendo que você as conheça melhor. Elas fazem muita diferença.

Fonte: http://economia.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/william-douglas/2014/10/28/conheca-4-tecnicas-de-estudo-incomuns-e-eficientes.htm

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13 dicas para se concentrar na hora de estudar - Guia de Educação



Não se contente em ler: escreva!
Segundo o professor e autor de livros com dicas para estudos Pierluigi Piazzi, é importante estudar escrevendo, e não só lendo. “Quem só lê perde a concentração. Quem escreve consegue entender o assunto e mantê-lo na mente”, explica ele.

Escreva à mão em vez de digitar.
Pesquisas já mostraram que os alunos que fazem isso aprendem mais do que quem só digita. “Você tem movimentos totalmente distintos para escrever cada letra a mão, mas isso não existe quando você está digitando. Isso faz com que mais redes neurais sejam ativadas no processo da escrita”, diz o professor.

Como saber o que vale colocar no papel.
Faça resumos, fichamentos e esquemas da matéria. Mas nada de ficar copiando todo o conteúdo dos livros. Para saber o que vale escrever, faça de conta que você está preparando uma cola para uma prova. Por ter pouco espaço e pouco tempo para consulta-la, é preciso ser conciso, mas ao mesmo tempo abordar os pontos principais. É disso que você precisa quando for estudar.

Revise a matéria que aprendeu em aula no mesmo dia.
Além de evitar acumular matérias, estudar o conteúdo visto em sala de aula no mesmo dia fará com que seu cérebro entenda que aquilo é importante e o memorize.

Estude sozinho.
Vamos combinar que, por mais legal que seja se reunir com os amigos para estudar, você acaba falando mais de outras coisas e as dúvidas permanecem. O professor Pierluigi é um grande defensor da ideia de que só se aprende mesmo no estudo solitário. “Estudar em grupo é útil se você for a pessoa que explica a matéria para os outros. Quem ouve não aproveita”, diz ele. A melhor dica para um bom estudo, aliás, e explicar a matéria para si mesmo.

Use as aulas para entender as matérias e tirar dúvidas.
Um erro comum, segundo o professor Pierluigi, é fazer dois cursinhos para ter um maior numero de aulas – o que realmente vai fazer diferença no vestibular é o momento em que você estuda sozinho, não o número de aulas que pegou. Mas isso não significa que vale cabular ou dormir nas aulas: elas são importantes para entender a matéria e tirar dúvidas.

Desligue todos os aparelhos eletrônicos.
Na hora de estudar, nada de deixar o celular por perto avisando você de cada notificação no Facebook. E nem caia na tentação de abrir o Facebook só por “dois minutinhos”. Esses dois minutinhos sempre se estendem e acabam com toda a sua concentração. Reserve um tempinho do seu dia só para as redes sociais e faça isso virar rotina para que se acostume a checá-la apenas nesse tempo específico.

Estude em um local organizado e tranquilo.
O resto da sua casa até pode ser uma bagunça, mas o local onde você costuma estudar precisa estar sempre organizado e silencioso. Ter muitas coisas espalhadas pode atrapalhar a sua concentração e há o risco de perder tempo procurando coisas que sumiram na bagunça.

Música? Só em línguas que você não entenda.
Não é proibido estudar ouvindo música – há quem precise dela para se concentrar. Mas evite ouvir músicas em idiomas que você entenda – isso pode fazer com que você desvie sua atenção para a letra e esqueça a matéria.

Use marca-texto.
Usar canetas coloridas e marca-texto para enfatizar os pontos principais é uma boa ajuda para manter o foco no que for importante, especialmente se você tem problemas mais sérios de déficit de atenção. Post-its também podem ser úteis.

Respeite seu tempo.
Se você é mais produtivo de manhã, deixe para estudar as matérias mais difíceis nesse período. Quando sentir que a concentração não está rolando de jeito nenhum, faça uma pequena parada e depois volte. Manter intervalos regulares é fundamental – e a frequência vai depender do seu ritmo.

Tenha uma programação organizada, mas seja flexível.

Use uma agenda ou quadro branco para organizar suas tarefas e respeite-a! Mas faça programações realistas para que você não se desanime. Definir que você vai estudar durante oito horas por dia se você tem várias outras atividades, por exemplo, não é algo razoável. E esteja aberto para mudanças, caso seja necessário.

Crie um pequeno ritual antes de estudar.
Sempre que for mergulhar nos estudos, crie e respeite um ritualzinho antes. Pode ser um alongamento, pegar um copo de suco para deixar na sua mesa, ou que mais achar melhor. Com o tempo, seu cérebro vai entender que é hora dos estudos e ficará mais fácil se concentrar.

Fonte: http://canaldoensino.com.br/blog/13-dicas-para-se-concentrar-na-hora-de-estudar

#casadeeuterpe  #estudos   #técnicasdeestudo   #concentração   #tempo   #organização   #flexível

Dicas para aumentar o rendimento nos estudos - Guia da Educação



Confira algumas dicas para aumentar o rendimento nos estudos

1 – Exercite o cérebro. A mente humana esquece 50% do que lê em apenas duas horas. Isso significa que não adianta ler muito, é preciso ampliar o foco. Para isso concilie a informação que se leu com algum interesse do seu cérebro.

2 – Duas horas de estudo. Mantenha o foco em uma disciplina por vez. O ideal é que você se dedique a apenas uma matéria, pelo menos, duas horas por dia. Se o concurso que você irá fazer exige conhecimentos em língua portuguesa e matemática, o ideal é que todos os dias você treine pelo menos duas horas em cada matéria.

3 – Não decore. A mente esquece tudo aquilo que decoramos. Ao invés de decorar, assimile o conteúdo e aprenda a armazenar conteúdos para que eles se fixem por um maior tempo.

4 – Organize-se. Ninguém consegue estudar em meio ao caos. Organize seu ambiente de estudo e procure em estudar em ambientes em que sua atenção não será desviada para outras atividades.

5 – Aqueça o cérebro. Assim como quando você vai para a academia seu corpo precisa de meia hora de aquecimento, antes de encarar a maratona de estudos, seu cérebro precisa passar pelo mesmo processo. Para aquecer o cérebro, faça leituras que possam ajudar na resolução de pequenos problemas, como textos sobre a base da língua portuguesa ou sobre os princípios básicos da matemática.

6 – Anote. Ao estudar tenha o hábito de anotar tudo aquilo que lhe parece importante, ao final, faça um resumo sobre as ideias centrais das matérias estudadas.

7 – Mantenha a qualidade de vida. De nada adianta virar noites sem dormir. Isso não contribui para a assimilação do conteúdo. Por isso, durma ao menos oito horas por noite, pratique atividades físicas, saia com os amigos, tenha uma alimentação saudável e afaste os vícios, como cigarro, bebidas e até mesmo o popular cafezinho, que pode causar insônia quando consumido muitas vezes ao dia.

8 – Estude com antecedência. Nada de estudar para uma prova de concurso na véspera do exame . O ideal é a dedicação diária para que você não se desespere na véspera da prova.

9 – Não estude de madrugada. Evite estudar no período da madrugada. Isso porque é a hora que seu cérebro possui menos concentração. Além disso, não dormir de madrugada ocasiona no excesso de sono no dia seguinte, comprometendo o rendimento.

10 – Leia nas horas vagas. Os especialistas afirmam que ler nas horas vagas ajuda no processo de assimilação do conteúdo. Mas leia com atenção para que você entenda o que está lendo e não apenas fazendo uma leitura superficial.


Fonte: http://canaldoensino.com.br/blog/10-dicas-para-aumentar-o-rendimento-nos-estudos


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segunda-feira, 16 de março de 2015

Como Administrar seu Tempo - Casa de Euterpe


 Os gregos antigos tinham três conceitos para o tempo: chronos, kairos e aeon. Chronos refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, que pode ser medido, associado ao movimento das coisas terrenas, com um princípio e um fim. Kairos refere-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontece, o tempo da oportunidade. Aeon era o tempo sagrado e eterno, sem medida precisa, o tempo da criatividade onde as horas não passam cronologicamente, também associado ao movimento circular dos astros, e que na teologia corresponderia ao tempo de Deus.
Neste texto, não tratarei do conceito de Aeon; apenas de Kairos e Chronos.
1.     Kairos
As situações do dia a dia têm me mostrado a necessidade de refletir acerca das oportunidades que a vida apresenta para todos nós. Os gregos eram muito felizes quando as representavam por meio de um deus: Kairos.
Kairos (em grego καιρός) é uma palavra do grego antigo que significa “o momento oportuno”, “certo” ou “supremo”. Na mitologia, Kairos é filho de Chronos (Deus do tempo e das estações).
Descrito como um belo jovem calvo com um cacho de cabelos na testa, ele era um atleta e tinha uma agilidade incomparável. Resplandecente e com a flor da juventude, Kairos tinha duas asas nos ombros e nos joelhos. Sempre sem roupas, ele corria rapidamente e só era possível alcançá-lo agarrando-o pelo topete, ou seja, encarando-o de frente. Depois que ele passava, era impossível persegui-lo, pegá-lo ou trazê-lo de volta. Na entrada do estádio em Olímpia havia dois altares: um deles era consagrado a Hermes, que simbolizava os jogos e o outro era consagrado a Kairos, que simbolizava a oportunidade.
Kairos representa, assim, o tempo indeterminado, sempre renovado, sempre jovem, o presente contínuo que oferece seus dons e o tempo que outorga a Oportunidade.
Essa representação simbólica é autoexplicativa. Deixa clara a necessidade que temos de aproveitar absolutamente todas aquelas oportunidades que o destino nos põe à frente.
Todavia, como somos todos desatentos, na maioria das vezes não percebemos quando o deus passa agilmente por nós. Assim, simplesmente deixamos que passe. Quantas ocasiões não são aproveitadas? Quanta oportunidade perdida e impossível de ser recuperada?
Não são poucas as vezes em que justificamos nossa desídia, nossa inércia diante das oportunidades com razões muito pouco convincentes. É comum derixarmos para depois as coisas que podemos fazer agora; é comum pensarmos que “amanhã” será possível realizar “tal coisa”, estar junto de quem amamos, construir nossos sonhos, viver nossa vida.
Isso ocorre porque, ainda que de forma inconsciente, consideramos a oportunidade como simples casualidade que pode ou não ser aproveitada, independentemente de nossa vontade. Não se iludam, pois não é assim.
Além de tudo, somos muito imaturos e não encontramos relação entre as portas abertas pela vida e a possibilidade que temos de entrar por elas por meio de um impulso consciente.
De nosso superficial ponto de vista, parece que temos a livre opção de aproveitar ou não as oportunidades, sem maiores consequências. Quando muito, nos lamentamos de não ter aproveitado a chance, convencidos de que chegará o momento de recuperá-la.
Se você pensa assim, não tem muita possibilidade de agarrar Kairos, pois ocorre que esse momento não se repete. É único e uma vez desperdiçado, estará perdido e você ficará a “ver navios” !!!
Além disso, aproveitar a oportunidade gera uma consequência e deixá-la escapar, outra. Sabia?
Na matemática da vida, duas ações diferentes não podem ter consequências iguais, nem aleatórias e nem ficar sem consequência alguma. Assim, sempre seremos responsáveis pelas consequências das oportunidades que deixamos passar. Sempre seremos responsáveis pela construção de nossa vida e nosso destino. Não o vizinho, o chefe, os amigos...
Kairos nos oferece as oportunidades. Se o deixamos seguir, nos compensará com a triste companhia do arrependimento e das coisas são realizadas. Ainda que possamos nos redimir, aquele tempo, aquela oportunidade jamais retornará. E não há nada que possamos fazer quanto à oportunidade desperdiçada, apenas lamentar.
Por isso, utilizemos o tempo presente. Façamos desse momento brevíssimo um mundo consciente de construção e realizações. Mãos à obra!
2.     Chronos
De acordo com a teogonia órfica, Chronos surgiu no princípio dos tempos, formado por si mesmo. Era um ser incorpóreo e serpentino possuindo três cabeças, uma de homem, uma de touro e outra de leão. Uniu-se à sua companheira Ananke (a inevitabilidade) em uma espiral em volta do ovo primogênito separando-o, formando então o Universo ordenado com a Terra, o mar e o céu.
Permaneceu como um deus remoto e sem corpo - do tempo - que rodeava o Universo, conduzindo a rotação dos céus e o caminhar eterno do tempo, aparecendo ocasionalmente perante Zeus sob a forma de um homem idoso de longos cabelos e barba brancos, embora permanecesse a maior parte do tempo em forma de uma força para além do alcance e do poder dos deuses mais jovens.
Uma das representações de Chronos, é a de um Deus que devora seus próprios filhos. Esta representação deve-se ao facto de os antigos gregos tomarem Chronos como o criador do tempo, logo, de tudo o que existe e pode findar, sendo que, por esse fato, se consideravam como filhos do tempo (Chronos), e uma vez que é impossível fugir dele, todos seriam mais cedo ou mais tarde vencidos (devorados) pela Deus.
De qualquer forma, seja qual for a representação mitológica que adotemos, o tempo é inexorável e, indubitavelmente, tende a devorar-nos. Tanto é assim que o que mais se percebe em nossa atual sociedade são pessoas “atropeladas” pelo tempo, ou, conforme costumam dizer, pela falta de tempo.
Ocorre que essa falta de tempo nem sempre é justificada corretamente. A maioria das vezes denota desorganização, falta de atenção, falta de foco, de objetivo, de meta. Não questiono o fato de que a conquista plena de Chronos é tarefa complexa, pois importa, em última análise, na conquista de nós próprios. Todavia, é preciso iniciar essa empreitada sob pena de sermos devorados como cada um de seus filhos.
Nesse momento, você pode estar pensando: mas, afinal, é ao que corresponde o tempo? Qual a sua natureza? Bem, o tempo é uma energia especial que possui dois elementos: a duração e o momento. Ademais, esses conceitos são percebidos por cada um de nós de forma diferente. Por exemplo, quando estamos ansiosos para a consecução de algum evento, temos a impressão de que o tempo “se arrasta”; ao contrário, quando temos medo da chegada de um evento, parece-nos que o tempo “voa”. O mesmo ocorre para os momentos felizes e para os momentos tristes. Nos primeiros, o tempo “escorre” velozmente, nos últimos, “anda a passos de tartaruga”. Assim, a duração de um momento depende, principalmente, de como anda nossa mente, de qual percepção temos das circunstâncias e das situações.
Nesse aspecto, é possível afirmar que a administração do tempo é, antes de tudo, um estado mental.
Esse estado mental não é difícil de entender, mas a necessidade administrá-lo, nem sempre é fácil de ser percebida como importante, pois algumas pessoas ainda se perguntam porque, afinal, é preciso administrar o tempo. Porque não podemos, ao ritmo da música, deixar a “vida nos levar”?
O primeiro benefício dessa tarefa é a possibilidade de gerenciarmos nossas atividades sem sermos dominados por elas. Isso quer dizer que podemos controlar nossa vida sem sermos atropelados pelos acontecimentos do dia a dia.
A correta administração do tempo permite, ainda, evitar o estresse provocado pela sobrecarga, pois uma vez que temos nossas atividades sob controle, a sobrecarga pode ser eliminada.
A ineficiência também pode ser evitada, uma vez que as tarefas serão desenvolvidas dentro no momento adequado, em uma ordem acertada. Isso impede o desperdício de recursos e, portanto, a ineficiência.
Paradoxalmente, investir tempo para administrá-lo permite que tenhamos mais liberdade e, consequentemente, mais tempo!
Por último, a governabilidade do tempo dá-nos do condão de dirigirmos nossa vida e, assim, alcançarmos nossos objetivos, porque estaremos direcionados para eles.
Muito bem. Se a administração do tempo produz tão bons resultados porque não a fazemos? A resposta é simples. Porque também temos benefícios com a falta ou com a má administração. Ocorre que esses tais benefícios são falsos porque negativos.
Senão, vejamos. O primeiro que se apresenta é um benefício negativo social conformado pela atenção sobre si mesmo. Isso é certo. Você já percebeu que aqueles que possuem uma má administração do tempo sempre chegam atrasados a eventos e compromissos? E o que acontece? Chama a atenção de todos! E, por estranho que pareça, há pessoas, cuja personalidade se compraz com isso e que, de alguma forma, sentem-se prestigiadas.
Outro benefício negativo é fisiológico e é representado pelo estresse. Por mais incrível que pareça, fazemos parte de uma sociedade que valoriza o estresse. Quanto mais apressada, atarefada, estressada a pessoa se mostra, mais valorizada é, pois projeta uma imagem (falsa) de eficiência, importância e até de status elevado. Agendas lotadas estão em moda. Aposto que ao ler este parágrafo, você pensou em pelo menos uma ou duas pessoas que seu círculo.
Temos também um benefício no campo psicológico: a falta de administração do tempo impede um olhar sobre nós mesmos. É muito mais cômodo passarmos a vida correndo atrás do tempo, fazendo uma coisa inútil após a outra, reclamando de como somos ocupados e atarefados do que pararmos para realizar uma séria e honesta avaliação de nós mesmos. De nossos medos, fragilidades, vícios, anseios... Isso porque essa avaliação pode nos mostrar uma fotografia da qual não gostamos e, a partir daí, gerar a necessidade de realizarmos mudanças em nós próprios, muitas vezes dolorosas.
Tão importante quantos os demais, temos um benefício negativo existencial que é a sensação de liberdade. Muitas pessoas afirmam que não seguem regras, que não possuem controle das coisas e que não assumem compromissos por que são livres. Bem, sinto informá-las que são a mais cruel variedade de escravos, pois são escravos das circunstâncias, das situações, dos acontecimentos. Não há liberdade ai, mas prisão. Nesse caso, ninguém faz o que quer, mas o que é obrigado a fazer para “apagar os incêndios” que vão surgindo ao longo de suas vidas desgovernadas. São barcos soltos na maré. Por isso, essa sensação é de uma falsa liberdade. Não cai você nessa armadilha!
É importante ressaltar que, pelo menos na maioria das vezes, as pessoas não buscam esses benefícios de forma consciente. Não acredito que alguém acorde pela manhã determinado a chegar atrasado ou a burlar um compromisso. Todavia, de qualquer maneira isso acontece e as pessoas que agem assim usufruem desse benefício e, por isso, se recusam a abrir mão dele.
Dito isso, falarei agora um pouco acerca dos chamados “tira tempo”. Esses elementos são vilões que nos atrapalham muito. Existem de dois gêneros: os causados pelos outros e aqueles causados por nós mesmos.
Dentre os causados pelos outros, podemos destacar as chamadas telefônicas, as realizadas por meios de aplicativos nos smartphones, as inúmeras reuniões de trabalho. Essas ocorrências interferem diretamente em nossa gestão do tempo e rouba-nos momentos precisos. Por isso, merecem atenção na hora em que resolvermos planejar nossa vida.
Os “tira tempo” também são causados por nós mesmos e são os mais difíceis de combater. Para termos noção dessa realidade é só observarmos quantas vezes nos desviamos de nossa agenda (quando esta existe) para olharmos “rapidamente” o Facebook, nossa caixa de e-mails e o WhatsApp, para não falarmos de inúmeros outros atrativos virtuais. É comum pensarmos “vou olhar rapidamente minhas mensagens” e quando percebemos, lá se foram quarenta minutos, uma hora ou mais.
Essas atividades são exaurem as possibilidades de “tira tempo”, mas servem de exemplo para que possamos estar atentos a nós mesmos e identificar inúmeras outras. Faça você esse exercício e veja o que descobre.
Depois dessas considerações é possível verificar que a gestão do tempo é de suma importância, pois devemos considerar que tudo o que existe é composto de energia, inclusive o tempo. Energia é vida, portanto, o tempo é vida. Quando não temos o seu controle, não temos o controle de nossa própria vida. Não é uma questão de agenda ou de compromissos, mas de vida e do grau de controle que temos sobre ela.
De forma geral, sua gestão pode ser dividida em três fases: planejamento, confronto e avaliação.
Na fase de planejamento, temos de realizar duas tarefas. A primeira é fixar nossos objetivos. Nesse momento, temos de entender exatamente o que queremos alcançar. Aqui é preciso alertar que não basta que o enunciemos, é preciso fixa-lo de forma objetiva. Para isso, temos de saber em que nível estamos, onde queremos chegar, quando queremos alcançá-lo e o que pretendemos fazer para que isso se torne realidade. Por exemplo: hoje moro no bairro X (onde estou); em dezembro de 2016 (quando) estarei morando no bairro y (onde quero chegar). Para isso, farei um investimento de 24 meses, venderei minha casa atual, comprarei outra (como realizarei o objetivo). Muitas vezes, ao organizar o pensamento dessa forma, vemos que estabelecemos objetivos infactíveis. Daí vem a importante de se investir atenção nesse momento. A partir desse exemplo, inúmeros outros podem ser criados.
Ainda, na fase de planejamento é preciso priorizar os objetivos. Priorizar é organizar alguma coisa em ordem de importância. Assim, aqui é preciso indicar em que ordem serão cumpridos os objetivos e destacar aquele que é mais importante alcançar. Muitas vezes, quando fazemos essa priorização, concluímos que traçamos muitos objetivos, ou poucos, ou que alguns deles não são importantes. Essa fase serve para balizarmos nosso planejamento.
Uma boa forma de realizar essa tarefa é escrever todos os objetivos e, nesse primeiro momento, não se importar com mais nada. Apenas escreva. Depois, sim, faça, também por escrito, sua priorização. Feito isso, descarte aqueles que não forem prioritários. Eles servem apenas para roubar o seu tempo. Por fim, estime o tempo para a realização de cada um.
Essa técnica serve também para a organização de atividades e não apenas de objetivos que tendem a ser de médio e logo prazo. As atividades são as tarefas que devemos desenvolver no período de um dia, uma semana. Use essa mesma metodologia para organizá-las e aprecie o resultado. Quando for lista-las, liste inclusive aquelas destinadas ao lazer. Por exemplo: 18h00 – verificar o Facebook – tempo: 30 minutos.
Para que seu planejamento seja efetivo, utilize as seguintes chaves:
·        Planeje no dia anterior: construa hoje a agenda de amanhã.
·        Priorize e ajuste as atividades ao tempo disponível: não existe mágica. Em média temos 12 horas de vigília por dia, dessas, 8 são realmente úteis. Ajuste suas atividades a esse tempo.
·        Considere que tudo toma tempo: não esqueça que você precisa se alimentar, se higienizar, se locomover.... Todas essas atividades devem ser consideradas no planejamento.
·        Evite inverter a ordem das atividades. Não é proibido e nem impossível que isso tenha de acontecer. Mas evite fazê-lo. Procure cumprir sua agenda da forma como foi elaborada o máximo que for possível.
·        Imagine soluções alternativas: ou seja, tenha um plano B. A vida não é retilínea e as circunstâncias não nos obedecem como gostaríamos. Assim, é razoável pensarmos em mais de uma alternativa para solucionar uma mesma questão.
Quando estiver priorizando suas atividades e ajustando-as ao tempo disponível não esqueça que a natureza é regida por ciclos vitais e de que o tempo não é linear, mas cíclico. Tudo no universo obedece a um ciclo macro ou micro e cada pessoa tem seus próprios ciclos. Por exemplo: existem pessoas que produzem muito bem pela manhã, outras, pela noite. Assim, os momentos de maior dinâmica e energia não devem ser ignorados: reserve para eles as tarefas mais complexas. Quando atentamos para esses ciclos, aprendemos a coincidir a atividade com o momento do dia que melhor lhe corresponde.
A gestão do tempo possui, ainda, uma fase que chamamos de confronto. É aqui que verificamos como as coisas estão evoluindo. Se estamos conseguindo cumprir com o nosso planejamento. Nesse momento devemos atentar para três lei:
·        Lei do menor esforço: também conhecida como “preguiça”, determina que façamos primeiro aquilo que é, na nossa visão, mais fácil; aquilo que não nos tira de nossa zona de conforto; aquilo que nos exige pouco gasto energético. Cuidado! O necessário, sem sempre é fácil.
·        Lei das interrupções: está intimamente ligada com os “tira tempo”. É a força que nos faz, literalmente, interromper mais do que o necessário nossas atividades. É o que nos impele ao cafezinho, à distração, à conversa inútil, entre outras coisas.
·        Lei da procrastinação: conhecida também como “depois eu faço” ou, ainda, “amanhã eu começo”. É geralmente aplicada às tarefas complexas e que exigem de nós todos os nossos recursos.
Preste atenção, agora!
No confronto é preciso ver a influência dessas leis na execução de nosso planejamento e agir imediatamente para corrigir seus efeitos. Uma forma de fazer isso é identificar os trabalhos “ponta de lança” que são aqueles que podem ser realizados a qualquer tempo. Eles podem ser movimentados no âmbito da execução. Outra dica é identificar os trabalhos “elefantes”. Eles são as maiores vítimas das leis da interrupção e da procrastinação porque são complexos, grandes, difíceis. O melhor a fazer nesse caso é fatiar o elefante várias vezes. Isso lhe dará várias atividades menores, que podem ser executadas com maior facilidade, ao invés de uma grande e complexa.
Outra coisa que é preciso aprender para ter uma boa gestão do tempo é gerenciar o imprevisto. Imprevistos ocorrem, ponto. Não é possível evita-los cem por cento. Por isso, a necessidade de gerenciá-los. Quando surgirem, pergunte:
É importante? Se é, considere. Se não, descarte.
Sou eu quem devo fazê-lo? Se sim, considere. Se não, descarte.
Devo fazê-lo agora? Se sim, considere. Se não descarte.
Posso fazê-lo considerando minhas outras prioridades? Se sim, faça imediatamente. Se não, reveja as prioridades e adeque o imprevisto de forma a resolvê-lo na ordem correta de importância.
Fazendo essas perguntas, você verá que a maioria dos imprevistos não lhe cabe resolver. Verá o quanto temos a tendência para fazer o que não nos compete, invés de nos atermos às nossas responsabilidades.
A última fase da gestão do tempo é a avaliação. No caso das atividades diárias, significa rever a agenda no final do dia e verificar o que foi feito, o que não foi feito, o que foi reorganizado e por que de tudo isso. É importante verificar se você conseguiu adequar as atividades ao tempo, se a priorização foi bem feita, se os ciclos foram respeitados na medida do possível e quanto houve de procrastinação ou de interrupção. Visto isso, aja para que não volte a ocorrer e não esqueça de que neste ponto da história não podemos fugir do planejado com o pretexto de falta de tempo.
Essas fases, apresentadas de maneira didática, é apenas um plano para organizar o pensamento. Essa organização se destina a nos proporcionar o hábito de gerenciar o tempo, uma vez que não é natural fazê-lo. Todavia, não devemos esquecer que essa gestão não é um conjunto de fórmulas, mas uma atitude vital. Considerando que “vital” significa “aquele que traz vida”, gerenciar o tempo é vida também e não uma questão esquemática.
Por ser uma atitude vital, para administrar o próprio tempo é necessário estar decidido a fazê-lo. Você precisa querer fazer isso e imprimir toda a sua vontade nessa atividade.
Outra coisa, como não existe fórmula única, pronta e definida. Cada pessoa gerencia seu tempo conforme sua natureza e estilo, considerando, inclusive, seus ciclos. Isso não significa não gerenciar, mas gerenciar de forma exclusiva. Lembre-se: não existe modo certo ou errado.
Ainda, quando falei dos benefícios da administração do tempo, lembrei o paradoxo que isso envolve: é preciso dedicar tempo à gestão tempo de modo a ter mais tempo!
Finalmente, desejo a você o que nos desejou o Cristo: que tenha vida e vida em abundância. Ou seja: tenha tempo em abundância!

#casaeeuterpe   #tempo   #administração   #controle   #chronos   #kairos   #vida


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Viagem - Miguel Torga


É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar. 
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

Miguel Torga

#casadeeuterpe   #vento   #mar   #portugal   #migueltorga

Tempo - Federico Garcia Lorca


#casadeeuterpe   #tempo   #garcialorca

"Protegei-me... - Khalil Gibran


#casadeeuterpe   #sabedoria   #filosofia   #grandeza   #khalilgibran

Doação - Khlail Gibran


#casadeeuterpe   #caridade   #doação   #vida   #khalilgibran

The Angel - Mikhail Lermontov




The angel was flying through sky in midnight, 
And softly he sang in his flight; A
nd clouds, and stars, and the moon in a throng 
Hearkened to that holy song. 
He sang of the garden of God's paradise, 
Of innocent ghosts in its shade; 
He sang of the God, and his vivacious praise 
Was glories and unfeigned. 
The juvenile soul he carried in arms 
For worlds of distress and alarms; 
The tune of his charming and heavenly song 
 Was left in the soul for long.
 It roamed on earth many long nights and days, 
Filled with a wonderful thirst, 
And earth's boring songs could not ever replace 
The sounds of heaven it lost.


#casadeeuterpe #theangel #mikhaillermontov

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Dica de Leitura - Trilogia "O Século" - Ken Follett


Sinopse - Queda de gigantes é o novo épico de Ken Follett. O primeiro romance desta trilogia segue o destino de cinco famílias durante a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa. Aos 13 anos de idade, Billy Williams entra em um mundo de homens nos poços de mineração da Gália. Gus Dewar, um estudante de direito norte-americano sem sorte no amor, encontra uma carreira nova e surpreendente. Dois irmãos órfãos russos, Grigori e Lev Peshkov, embarcam em caminhos radicalmente diferentes separados por metade do mundo quando seus planos de emigrar para os Estados Unidos falham por causa da guerra e da revolução. Estes e muitos outros personagens têm suas vidas intimamente entrelaçadas em uma saga que se desdobra em drama intrigante e complexo. Queda de gigantes vai de Washington à São Petersburgo, da sujeira e do perigo de uma mina de carvão aos candelabros brilhantes de um palácio, dos corredores do poder para os quartos dos poderosos. Como sempre acontece com Ken Follett, o contexto histórico pesquisado é brilhante e a ação processada em movimentos rápidos. Os personagens são ricos em nuances e emoção. Está nascendo um novo clássico.

Sinopse - 'Inverno do mundo' retoma a história do ponto exato em que termina o primeiro livro. As cinco famílias - americana, alemã, russa, inglesa e galesa - que tiveram seus destinos entrelaçados no alvorecer do século XX embarcam agora no turbilhão social, político e econômico que começa com a ascensão do Terceiro Reich. A nova geração terá de enfrentar o drama da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial, culminando com a explosão das bombas atômicas. A vida de Carla von Ulrich, filha de pai alemão e mãe inglesa, sofre uma reviravolta com a subida dos nazistas ao poder, o que a leva a cometer um ato de extrema coragem. Woody e Chuck Dewar, dois irmãos americanos cada qual com seu segredo, seguem caminhos distintos que levam a eventos decisivos - um em Washington, o outro nas selvas sangrentas do Pacífico. Em meio ao horror da Guerra Civil Espanhola, o universitário inglês Lloyd Williams descobre que tanto o comunismo quanto o fascismo têm de ser combatidos com o mesmo fervor. A jovem e ambiciosa americana Daisy Peshkov só se preocupa com status e popularidade até a guerra transformar sua vida mais de uma vez. Enquanto isso, na URSS, seu primo Volodya consegue um cargo na inteligência do Exército Vermelho que irá afetar não apenas o conflito em curso, como também o que está por vir.

Sinopse - Durante toda a trilogia O Século, Ken Follett narrou a saga de cinco famílias americana, alemã, russa, inglesa e galesa. Agora seus personagens vivem uma das épocas mais tumultuadas da história, a enorme turbulência social, política e econômica entre as décadas de 1960 e 1980, com a luta pelos direitos civis, assassinatos, movimentos políticos de massa, a guerra do Vietnã, o Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis de Cuba, impeachment presidencial, revolução... e rock and roll! Na Alemanha Oriental, a professora Rebecca Hoffman descobre que durante anos foi espionada pela polícia secreta e comete um ato impulsivo que afetará sua família para o resto de suas vidas. George Jakes, filho de um casal mestiço, abre de mão de uma brilhante carreira de advogado para trabalhar no Departamento de Justiça de Robert F. Kennedy e acaba se vendo não só no meio do turbilhão da luta pelos direitos civis, como também numa batalha pessoal. Cameron Dewar, neto de um senador, aproveita a chance de fazer espionagem oficial e extraoficial para uma causa em que acredita, mas logo descobre que o mundo é um lugar muito mais perigoso do que havia imaginado. Dimka Dvorkin, jovem assessor de Nikita Khruschev, torna-se um agente primordial no Kremlim, tanto para o bem quanto para o mal, à medida que os Estados Unidos e a União Soviética fazem sua corrida armamentista que deixará o mundo à beira de uma guerra nuclear. Enquanto isso, as ações de sua irmã gêmea, Tanya, a farão partir de Moscou para Cuba, Praga Varsóvia e para a história. Como sempre acontece nos livros de Ken Follett, o contexto histórico é brilhantemente pesquisado, a ação é rápida, os personagens são ricos em nuances e emoção. Com a mão de um mestre, ele nos leva a um mundo que pensávamos conhecer, mas que nunca mais vai nos parecer o mesmo.

#casadeeuterpe   #dicadeleitura   #oseculo  #quedadegigantes   #invernodomundo   #eternidadeporumfio    #kenfollett