segunda-feira, 31 de março de 2014

Arte - Ortega y Gasset

Art by Dima Dmitriev
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A Clareza do Filósofo - Ortega y Gasset


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A Cegueira da Especialidade - Ortega y Gasset



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Não são as Circunstâncias que Decidem a Nossa Vida - Ortega y Gasset









A nossa vida, como repertório de possibilidades, é magnífica, exuberante, superior a todas as historicamente conhecidas. Mas assim como o seu formato é maior, transbordou todos os caminhos, princípios, normas e ideais legados pela tradição. É mais vida que todas as vidas, e por isso mesmo mais problemática. Não pode orientar-se no pretérito. Tem de inventar o seu próprio destino. 

Mas agora é preciso completar o diagnóstico. A vida, que é, antes de tudo, o que podemos ser, vida possível, é também, e por isso mesmo, decidir entre as possibilidades o que em efeito vamos ser. Circunstâncias e decisão são os dois elementos radicais de que se compõe a vida. A circunstância – as possibilidades – é o que da nossa vida nos é dado e imposto. Isso constitui o que chamamos o mundo. A vida não elege o seu mundo, mas viver é encontrar-se, imediatamente, em um mundo determinado e insubstituível: neste de agora. O nosso mundo é a dimensão de fatalidade que integra a nossa vida.
Mas esta fatalidade vital não se parece à mecânica. Não somos arremessados para a existência como a bala de um fuzil, cuja trajetória está absolutamente pré-determinada. A fatalidade em que caímos ao cair neste mundo – o mundo é sempre este, este de agora – consiste em todo o contrário. Em vez de impor-nos uma trajetória, impõe-nos várias e, consequentemente, força-nos... a eleger. Surpreendente condição a da nossa vida! Viver é sentir-se fatalmente forçado a exercitar a liberdade, a decidir o que vamos ser neste mundo. Nem num só instante se deixa descansar a nossa atividade de decisão. Inclusive quando desesperados nos abandonamos ao que queira vir, decidimos não decidir.

É, pois, falso dizer que na vida «decidem as circunstâncias». Pelo contrário: as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.


Ortega y Gasset

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A Censura de Um Deve Pesar Mais que uma Plateia de Ignorantes - Shakespeare

Hamlet (para um dos atores): Portanto, nada de contenção exagerada. O seu discernimento deve ser o seu guia. Ajuste o gesto à palavra, a palavra ao gesto, e cuide de não perder a simples naturalidade. Pois tudo o que é forçado foge do propósito da actuação, cuja finalidade, tanto na origem como agora, era e é erguer um espelho diante da natureza. Mostrar à virtude as suas feições; ao orgulho, o desprezo, e a cada época e geração, sua figura e estampa. O exagero e a imperícia podem divertir os incultos, mas causam apenas desconforto aos judiciosos; àqueles cuja censura, ainda que de um só, deve pesar mais em sua estima que toda uma plateia de ignorantes.

William Shakespeare, in "Hamlet"

Art by Alexi Torres
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Hamlet - Shakespeare


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O Conhecimento de Si Próprio - Khalil Gibran

"Não digais: ‘Encontrei a verdade.’ Dizei de preferência: ‘Encontrei uma verdade.’
Não digais: ‘Encontrei o caminho da alma.’ Dizei de preferência: ‘Encontrei a alma andando 
em meu caminho.’
Porque a alma anda por todos os caminhos.
A alma não marcha numa linha reta nem cresce como um caniço.
A alma desabrocha, qual um lótus de inúmeras pétalas.”

Khalil Gibran


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A Razão e a Paixão - Khalil Gibran


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domingo, 30 de março de 2014

Inocência - Ramón de Campoamor y Campoosorio

"A inocência é a saúde da alma; a do corpo é a alegria."

Ramón de Campoamor y Campoosorio

Art by Sarah Kay
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Infância - Propércio

"Aquele que primeiro representou o amor nas feições de uma criança, esse foi admirável artista, porque foi também o primeiro a sentir que a vida dos amantes é infância perpétua, na qual se sacrificam a ninharias os maiores bens."

Propércio

Art by Sarah Kay
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Todas as Histórias do Analista de Bagé - Luís Fernando Veríssimo



Delírios

O analista de Bagé às vezes se cansa da profissão - "O que me aparece de louco, tchê!" -, mas sempre diz que consultório de psicanalista, em matéria de tipos humanos interessantes, é "más variado que a baldeação em Cacequi". Só é preciso ter um pouco de paciência. Como na vez em que a Lindaura introduziu no consultório um homenzinho que se apresentou como "João Figueiredo" e em seguida se identificou: "Presidente".
- Buenas. Se abanque, no más.
- Qual é a sua patente? - perguntou o homenzinho, recusando-se a deitar no divã coberto com um pelego.
- Pos é daquelas branca, tchê. Não reparei na marca.
- Digo, patente militar.
- Dei baixa como cabo.
- Fique sabendo que nem o ministro da Guerra manda em mim.
- Mas eu sou do FMI! - disse o analista, levantando o homenzinho e atirando-o em cima do divã.
Foi um caso difícil e no fim do tratamento o homenzinho se declarou curado do delírio de grandeza. Disse que seu nome era Pinto e trabalhava com miudezas.
Mas na saída, depois da última sessão, agradeceu ao analista efusivamente e, puxando-o por um braço, segredou:
- Escuta. Quem vai escolher o meu sucessor sou eu. Se você quiser...
O analista puxou o homenzinho de volta e o atirou de novo no pelego. Quando a Lindaura veio ver o que estava acontecendo, encontrou o analista arregaçando as mangas. Ele perguntou:
- Quem é o próximo?
- Um édipo salteado que não larga a avó.
- Suspende!

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Suave - Henri Amiel


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Conhecimento - Leonardo da Vinci


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Exaltada - Florbela Espanca

Art by Patrick Palmer
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Amar! - Florbela Espanca

Art by Patrick Palmer

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


Florbela Espanca

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Suavidade - Florbela Espanca


Poisa a tua cabeça dolorida
Tão cheia de quimeras, de ideal
Sobre o regaço brando e maternal
Da tua doce Irmã compadecida.

Hás de contar-me nessa voz tão q'rida
Tua dor infantil e irreal,
E eu, pra te consolar, direi o mal
Que à minha alma profunda fez a Vida.

E hás de adormecer nos meus joelhos...
E os meus dedos enrugados, velhos,
Hão de fazer-se leves e suaves...

Hão de poisar-se num fervor de crente,
Rosas brancas tombando docemente
Sobre o teu rosto, como penas d'aves...

Florbela Espanca

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quarta-feira, 26 de março de 2014

Check-up - Luís Fernando Veríssimo



Este ano pretendo cumprir rigorosamente a resolução que tomei no fim do ano 
passado: não mais tomar resoluções de ano-novo. Elas são promessas que fazemos à 
nossa consciência em que nem a consciência acredita mais. A minha já estava reagindo 
com bocejos a cada juramento que eu fazia para o ano-novo. 
- Vou começar uma dieta. Séria, desta vez. 
- Sei, sei. 
- Vou ser tolerante, justo, sóbrio, equilibrado... e arrumar meus livros. 
- Tudo bem. 
- Fazer exercícios diários. Usar fio dental. Reler os clássicos. Não tudo ao mesmo 
tempo, claro. 
- Certo, certo. 
Mesmo com ar de enfado, minha consciência não deixa de se submeter ao exame 
anual que faço nela, sempre nos últimos dias de dezembro. Uma espécie de check-up 
moral. Seu estado geral é bom. Não teve grandes provações no ano passado. Fiz 
algumas coisas que não devia, não fiz outras que devia, nada grave. Vamos poder 
continuar nos encarando - principalmente agora que eliminamos este ridículo ritual das 
resoluções de fim de ano da nossa relação. O homem maduro é o que desiste da virtude 
impossível para não perder a possível.

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Os Moralistas - Luís Fernando Veríssimo

Você pensou bem no que vai fazer, Paulo? 
- Pensei. Já estou decidido. Agora não volto atrás. 
- Olhe lá, hein, rapaz... 
Paulo está ao mesmo tempo comovido e surpreso com os três amigos. Assim que 
souberam do seu divórcio iminente, correram para visitá-lo no hotel. A solidariedade lhe 
faz bem. Mas não entende aquela insistência deles em dissuadi-lo. Afinal, todos sabiam 
que ele não se acertava com a mulher. 
- Pense um pouco mais, Paulo. Reflita. Essas decisões súbitas... 
- Mas que súbitas? Estamos praticamente separados há um ano. 
- Dê outra chance ao seu casamento, Paulo. 
- A Margarida é uma ótima mulher. 
- Espera um pouquinho. Você mesmo deixou de frequentar nossa casa por causa 
da Margarida. Depois que ela chamou vocês de bêbados e expulsou todo mundo. 
- E fez muito bem. Nós estávamos bêbados e tínhamos que ser expulsos. 
- Outra coisa, Paulo. O divórcio. Sei lá... 
- Eu não entendo mais nada. Você sempre defendeu o divórcio! 
- É. Mas quando acontece com um amigo... 
- Olha, Paulo. Eu não sou moralista. Mas acho a família uma coisa 
importantíssima. Acho que a família merece qualquer sacrifício. 
- Pense nas crianças, Paulo. No trauma. 
- Mas nós não temos filhos! 
- Nos filhos dos outros, então. No mau exemplo. 
- Mas isto é um absurdo! Vocês estão falando como se fosse o fim do mundo. 
Hoje, o divórcio é uma coisa comum. Não vai mudar nada. 
- Como, não muda nada? 
- Muda tudo! 
- Você não sabe o que está dizendo, Paulo! Muda tudo. 
- Muda o quê? 
- Bom, pra começar, você não vai poder mais frequentar as nossas casas. 
- As mulheres não vão tolerar. 
- Você se transformará num pária social, Paulo. - O quê?! 
- Fora de brincadeira. Um reprobo. 
- Puxa. Eu nunca pensei que vocês... 
- Pense bem, Paulo. Dê tempo ao tempo. 
- Deixe pra decidir depois. Passado o verão. 
- Reflita, Paulo. É uma decisão seriíssima. Deixe para mais tarde. 
- Está bem. Se vocês insistem... 
Na saída, os três amigos conversam: 
- Será que ele se convenceu? 
- Acho que sim. Pelo menos vai adiar. 
- E no solteiros contra casados da praia, este ano, ainda teremos ele no gol. 
- Também, a ideia dele. Largar o gol dos casados logo agora em cima da hora. 
Quando não dava mais para arranjar substituto. 
- Os casados nunca terão um goleiro como ele. 
- Se insistirmos bastante, ele desiste definitivamente do divórcio. 
- Vai aguentar a Margarida pelo resto da vida. 
- Pelo time dos casados, qualquer sacrifício serve. 
- Me diz uma coisa. Como divorciado, ele podia jogar no time dos solteiros? 
- Podia. 
- Impensável. 
- Outra coisa. 
- O quê? 
- Não é reprobo. É réprobo. Acento no "e". 
- Mas funcionou, não funcionou? 



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Correr Riscos - Sêneca

Art by Maja Lindberg
Rir é correr risco de parecer tolo.
Chorar é correr o  risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.
Somente a pessoa que corre riscos é livre.


Sêneca


#casadeeuterpe #seneca #riscos

Uma Reflexão - Nelson Mandela

Art by CatrinWelz-Stein
Nosso maior medo não é o de sermos inadequados.
Nosso maior medo é o de sermos poderosos além da medida.
É nossa luz, não nossa escuridão, o que mais nos apavora.
Perguntamos a nós mesmos:
Quem sou eu para ser brilhante, esplêndido, talentoso e fabuloso?
Na verdade, por que você não seria?
Você é um filho de Deus.
Bancar o pequeno não serve ao mundo.
Nada nos esclarece no sentido de nos diminuirmos, para que outras pessoas não se sintam inseguras em torno de nós.
Nascemos para tornar manifesta a glória de Deus que está dentro de nós.
Ele não está em alguns de nós: está em todos nós.
E quando deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos a outras pessoas permissão para fazer o mesmo.
Quando nos libertamos de nosso próprio medo, nossa presença automaticamente liberta outros.


Nelson Mandela

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Da Dádiva - Khalil Gibran


Art by Duy Huynh

Vós pouco dais quando dais de vossas posses.
É quando dais de vós próprios que realmente dais.
Pois, o que são vossas posses senão coisas que guardais por medo de precisardes delas amanhã?
E amanhã, que trará o amanhã ao cão ultra prudente que enterra ossos na areia movediça enquanto segue os peregrinos para a cidade santa?
E o que é o medo da necessidade senão a própria necessidade?
Não é vosso medo da sede, quando vosso poço está cheio, a sede insaciável?
Há os que dão pouco do muito que possuem, e fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza suas dádivas.
E há os que têm pouco e dão-no integralmente.
Esses confiam na vida e na generosidade da vida, e seus cofres nunca se esvaziam.
E há os que dão com alegria, e essa alegria é já a sua recompensa.
E há os que dão com pena, e essa pena é o seu batismo.
E há os que dão sem sentir pena nem buscar alegria nem pensar na virtude:
Dão como, no vale, o mirto espalha sua fragrância no espaço.
Pelas mãos de tais pessoas, Deus fala; e através de seus olhos Ele sorri para o mundo.
É belo dar quando solicitado; é mais belo, porém, dar sem ser solicitado, por haver apenas compreendido;
E para os generosos, procurar quem recebe é uma alegria maior ainda que a de dar.
E existe alguma coisa que possais guardar?
Tudo o que possuís será um dia dado.
Dai agora, portanto, para que a época da dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros.
Dizeis muitas vezes: “Eu daria, mas somente a quem merece”.
As árvores de vossos pomares não falam assim, nem os rebanhos de vossos pastos.
Dão para continuar a viver, pois reter é perecer.
Certamente, quem é digno de receber seus dias e suas noites é digno de receber de vós tudo o mais.
E quem mereceu beber do oceano da vida, merece encher sua taça em vosso pequeno córrego.
E que mérito maior haverá do que aquele que reside na coragem e na confiança, mais ainda, na caridade de receber?
E quem sois vós para que os homens devam expor o seu íntimo e desnudar seu orgulho a fim de que possais ver seu mérito despido e seu amor-próprio rebaixado?
Procurai ver, primeiro, se mereceis ser doadores e instrumentos do dom.
Pois, na verdade, é a vida que dá à vida, enquanto vós, que vos julgais doadores, são meras testemunhas.
E vós que recebeis – e vós todos recebeis – não assumais encargo de gratidão a fim de não pordes um jugo sobre vós e vossos benfeitores.
Antes, erguei-vos, junto com eles, sobre asas feitas de suas dádivas;
Pois se ficardes demasiadamente preocupados com vossas dívidas, estareis duvidando da generosidade daquele que tem a terra liberal por mãe e Deus por pai.” 

Khalil Gibran

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Amor - Khalil Gibran

É errado pensar que o amor vem do companheirismo de longo tempo ou do cortejo perseverante. O amor é filho da afinidade espiritual e a menos que esta afinidade seja criada em um instante, ela não será criada em anos, ou mesmo em gerações.
Art by Matteo Arfanotti

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Crescimento - Cora Coralina

Art by Matteo Arfanotti
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Relacionamento - Deepak Chopra


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Felicidade - Khalil Gibran

Art by Kevin Sloan


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Felicidade - Carlos Drummond de Andrade


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terça-feira, 25 de março de 2014

O Mágico Veneno - Luís Vaz de Camões

Um mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de quê; um riso brando e honesto,
Quase forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;

Um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;

Um encolhido ousar; uma brandura;
Um medo sem ter culpa; um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento;

Esta foi a celeste formosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.

Luís Vaz de Camões

Art by Alex Alemany

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Transformação de Valores


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O Prazer é Abrir as Mãos - Clarice Lispector

Art by Bente Schlick
O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio-pleno que se estava encarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e o coração, e não estou perdendo nada! E o susto: acorde, pois há o perigo do coração estar livre! 
Até que se percebe que nesse espraiar-se está o prazer muito perigoso de ser. Mas vem uma segurança estranha: sempre ter-se-á o que gastar. Não ter pois avareza com esse vazio-pleno: gastá-lo. 

Clarice Lispector


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Segue o Teu Coração - Steve Jobs


Lembrar-me que inevitavelmente terei que morrer é a mais importante ferramenta que eu alguma vez encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas na vida. Porque praticamente tudo - todas as nossas expectativas externas, todo o nosso orgulho, todo o nosso medo do embaraço ou fracasso - todas estas coisas simplesmente caem em face da morte, deixando apenas aquilo que é realmente importante. Lembrares-te que mais cedo ou mais tarde vais morrer é a melhor forma que eu conheço de evitar a armadilha de que temos alguma coisa a perder. Nós já estamos nús. Não existe nenhuma razão para não seguirmos o nosso coração. 

Steve Jobs

Art by Roberto Weigand


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Coração - Charles Duclos

Roberto Weigand

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segunda-feira, 24 de março de 2014

"A moral... - Kant



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Dois Infinitos - Kant


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Dica de Leitura - Folhas de Relva - Walt Whitman


Walt Whitman é considerado pela crítica mundial o maior poeta da literatura norte-americana. Sua obra-prima Folhas de Relva (1885) é um dos pilares das letras modernas. Nela Whitman introduziu o verso livre e o tratamento poético das coisas cotidianas, dos progressos técnicos, da vida nas cidades e, com total franqueza, o sexo. Ao longo de quase quatro décadas, o autor trabalhou continuamente no desenvolvimento de sua famosa obra, até torná-la em um volume com mais de 500 páginas. Nos últimos anos, vem crescendo, em toda parte, a popularidade do poeta, especialmente após a exibição do filme Sociedade dos Poetas Mortos, em que um carismático professor revoluciona os métodos de ensino em um colégio conservador, declamando trechos de um dos mais famosos poemas de Folhas de Relva: ?Ó Capitão! meu Capitão!? 

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Dica de Leitura - Salamina - Javier Negrete





Este livro toca em um fato histórico fascinante, encenado em um período ainda mais atraente. No século V a.C. a famosa cidade-estado ateniense passa por um período de experiência na esfera política. A democracia é um regime recém-nascido em Atenas; mal saiu do forno e já está passando por momentos decisivos.
O vasto Império Persa, que traz em seu currículo vitórias bélicas incontáveis, está de olho na Grécia e tem a clara intenção de eliminar os atenienses. A civilização helênica está em explícita inferioridade diante da experiência de líderes como o persa Xerxes, o qual comandou suas tropas nos confrontos encenados em Tessália e Termópilas, sendo vitorioso em ambas.
Além disso, apossou-se de terras significativas nesta região, como a Beócia e a Ática. É justamente neste cenário que emerge a figura de um guerreiro genial, um idealista, Temístocles, líder na Batalha de Salamina, considerada o conflito naval mais importante da era antiga.
Ele é a coluna de sustentação desta narrativa fundamentada em fatos históricos. Tudo converge para o herói na trama de Negrete, a malfadada investida de Atenas à cidade de Maratona; a batalha das Termópilas; uma passagem pela fantástica região da Babilônia; todas estas linhas fluem para a cartada engenhosa do protagonista: Salamina, o confronto no qual esteve em jogo o destino da civilização.
Ao longo do enredo o público tem a oportunidade de navegar por várias paisagens diferentes. O autor imprime um diferencial a sua história; evita a divisão entre o bem, representado pelos habitantes da Grécia, e o mal, simbolizado pelos persas. Ele chega a definir o império persa como uma sociedade fantástica em diversos pontos.
Do ponto de vista de Negrete, o número de livros lançados sobre o assunto gera a ilusão de que se têm muitas informações acerca desse período e de seus confrontos bélicos, mas na verdade há muitos espaços não preenchidos e incertezas e menos convicções acerca do tema.
Temístocles, ao contrário de outros estrategistas, insistiu em instalar suas tropas na baía de Salamina; aí enfrentou o inimigo, o qual estava em considerável vantagem. O protagonista tinha plena certeza de que desta forma teria melhores condições para cercar os barcos de Xerxes, destruindo assim sua frota, como realmente ocorreu.
Javier Negrete nasceu em 1964 na cidade de Madri, na Espanha. Entre seus livros estão as epopeias La espada de fuego e El espíritu del mago; Señores del Olimpo, com o qual conquistou em 2006 o Prêmio Minotauro, e Alejandro Magno y las águilas de Roma, ambos encenados na Grécia antiga.
Ele é especialista na era clássica e renomado tradutor de Plutarco. O autor mora hoje em Plasencia, na Espanha, e aí leciona grego no IES Gabriel y Galán.


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Carpe Diem - Casa de Euterpe

Art by Stephen Mackey

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Enfeite-se de Margaridas... Carlos Drummond de Andrade


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"Ao iniciar um casamento... - Nietzsche


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"Um músico que ama... Nietzsche



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Cultivo Una Rosa Blanca - José Martí



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quinta-feira, 20 de março de 2014

Felicidade foi-se Embora? Valéria Cristina Gomes Ribeiro


Há algum tempo, o tema do Globo Repórter chamou-me atenção, pois foi acerca de uma assunto perseguido por cem em cada cem pessoas: a felicidade. Assisti ao programa e entendo que foi muito oportuno. Tratou do assunto sob diversos aspectos e ficou claro que as pessoas têm ampliado sua visão acerca desse sentimento tão procurado e, às vezes, pouco encontrado.
Mesmo verificando que essa visão tem se ampliado, é comum constatarmos que muitos de nós ainda temos uma visão distorcida da felicidade, pois, na prática, ainda encontro pessoas que não se sentem felizes e que julgam ser a felicidade uma questão de momentos.
É interessante verificar que se nos perguntássemos acerca do que ela é, nenhum de nós responderia da mesma maneira e ainda seriam muitos os que ficariam sem saber o que responder. A felicidade, em uma definição filosófica, é um estado perfeito que se deseja, mas que não se pode definir, pois afeta a todos os planos de nossa expressão humana e ao conjunto em sua totalidade. E não é fácil ter uma visão do detalhe e do conjunto de uma vez, conhecendo o que é válido em um e outro caso, embora se trate de nós mesmos.
Muitas pessoas ainda entendem a felicidade de forma muito abstrata e a põem em um ponto tão distante que é quase impossível alcançá-la. E, por isso, sentem-se infelizes, insatisfeitos.
Uma das razões porque isso acontece é não termos claro o nosso objetivo de vida. Cada vez que alcançamos alguma coisa, sempre nos vem a ideia que ainda não está bom, de que ainda falta algo… Finalmente conseguimos fazer a viagem que queríamos, mas ainda falta conhecer outro sítio; conseguimos o trabalho a que nos propusemos e, depois de alguns meses, já não é mais suficiente e almejamos outro; adquirimos o carro para o qual viemos economizando e, depois de algum tempo, ele já nos parece ultrapassado; temos amigos, mas eles, com o tempo, já não suficientes… e assim por diante…
Outra razão do porque vemos a felicidade “por um binóculo” é que não sabemos onde ela mora. Está nas satisfações materiais? Na tranquilidade emocional? No conhecimento de muitas coisas? Em uma vivência espiritual? Quem é, afinal, o depositário da felicidade? Os bens materiais, os sentimentos, nossa parte espiritual?
Ainda temos de considerar que os meios para alcançá-la são, por vezes, inadequados, pois quando nossos objetivos não são claros e a residência desse sentimento também não, os meios só podem se mostrar inadequados. Isso quando não usamos meio algum e esperamos que a vida nos presenteie com nossa cota de felicidade.
Por isso, é preciso que revisemos nossas ideias e, claro, nossas atitudes.
Devemos clarear nossos objetivos: O que é a felicidade para nós? É preciso que nos conheçamos o suficiente para saber do que gostamos: de passear, ler, meditar ou rezar? Com essa delimitação, todos nós podemos encontrar de forma imediata uma dose de felicidade, pois ela está, em grande parte, nas pequenas coisas.
Devemos também localizar sua morada: onde mora a felicidade? Se prestarmos atenção à nossa rotina pessoal, saberemos onde ela reside. O nosso físico tem sua forma de ser feliz: quando lhe damos sua cota de exercício, de descanso, de alimento… ele se satisfaz e nos proporciona uma sensação de bem estar.
Nossas emoções também têm sua própria forma de ser feliz que, por incrível que pareça, não está relacionada à sentirmos-nos amados e compreendidos, mas, em primeiro lugar, a amar e compreender, inclusive a nós mesmos. Outra maneira de nos sermos felizes nesse âmbito é termos o dever cumprido com boa vontade e eficácia. Nada nos faz mais bem do que isso. Experimentem!
A mente não é feliz acumulando conhecimento, mas aplicando o que aprende, de forma a relacionar as ideias entre si. É, ainda, feliz quando compartilha o aprendido e as experiências daí advindas. A mente é fogo e este é o único elemento que, quando divido, aumenta!
Nossa parte espiritual também tem suas metas, mas, na maioria das vezes não sabemos quais são, pois não prestamos a menor atenção à essa dimensão. É corrente que queiramos satisfazê-la com alimentos pouco adequados. É preciso que entendamos que o espírito é satisfeito com alimentos espirituais e podemos oferecê-los por meio de uma vivência um pouco mais consciente do sagrado que está no âmbito de cada um de nós. Cada qual saberá como fazê-lo, basta se propor a isso!
Assim, é errado imaginarmos que a felicidade de é construída de baixo para cima, desde o nosso físico. Claro que é preciso que tenhamos o necessário para uma vida digna, mas um espírito sereno e aberto à evolução ajuda mais que nenhuma outra coisa a conseguir a felicidade intelectual, emocional e material.
Descobrir que somos seres humanos e não máquinas autômatas; descobrir que podemos coordenar nosso físico; descobrir que podemos trabalhar nossos sentimento de forma a não ferir os outros e a nós mesmos; descobrir que o mundo está repleto de beleza e harmonia faz brotar em nós uma felicidade interior que vai além da alegria momentânea que, dependendo de cada um, pode solidificar-se no mais permanente dos sentimentos.
Assim, sabemos que somos felizes quando começamos a desfrutar de coisas muito simples; quando sorrimos com facilidade; quando atentamos para aprender algo novo todos os dias; quando avançamos em direção à nossa meta sem desânimo e com esperança; quando somos capazes de elevar nossos sentimentos com a singela visão de um pôr-do-sol, com a audição de uma bela música, com a apreciação de uma obra de arte…
Sejamos felizes imaginando sem fantasia, sonhando com praticidade, lançando-nos à aventura com riscos calculados, amando sem barganhas!
Vamos lá?
#casadeeuterpe   #valeriaribeiro   #felicidade

"If light is in your heart... - Rumi


#casadeeuterpe   #rumi   #light

Portões de Fogo - Steven Pressfield



Diálogo entre Leônidas (Rei de Esparta) e Paraleia (Mãe de Alexandros e esposa de Olympieus - ambos convocados para se juntarem aos Trezentos que foram para as Termópilas - para resistir e morrer pelo país).

"A senhora me odeia? - perguntou Leônidas. -- Se eu fosse a senhora, odiaria. As minhas mãos estariam tremendo de uma fúria difícil de controlar. -- Venha, filha, sente-se do meu lado.

-- A cidade especula e imagina - falou Leônidas - por que escolhi esses homens para os Trezentos. Teria sido por suas proezas como soldados? Talvez, a cidade supõe, eu tenha adivinhado alguma alquimia sutil nesse grupo único. Talvez eu tenha sido subornado ou esteja pagando favores. Nunca direi à cidade por que designei esses Trezentos. Nunca contarei aos Trezentos. Mas contarei a você, agora.

-- Escolhi-os não por seu valor pessoal, mas pelo valor de suas mulheres.

Um grito de angústia escapou do peito de Paraleia aos escutar tais palavras e ao compreender, antes de ele terminar, o que diria.

-- A Grécia está atravessando o seu momento mais perigoso - continuou Leônidas. -- Caso se salve, não será nos Portões - lá, nos aguarda somente a morte, a nossa e a dos nossos aliados - mas depois, nas batalhas que se seguirão, por terra e por mar. Então, a Grécia, se assim for a vontade dos deuses, se preservará. 

-- Quando a batalha terminar, quando os Trezentos estiverem mortos, toda a Grécia se voltará para os espartanos, verá como resistiram.

-- Mas para quem, senhora, os espartanos se voltarão? Para vocês. Para as esposas, mães, irmãs e filhas dos mortos.

-- Se eles contemplarem seus corações dilacerados, partidos de dor, os deles também se partirão. E a Grécia com eles. Mas se vocês resistirem, não somente os olhos secos, à aflição da perda, mas desacatando a agonia e a abraçando como uma honra (o que ela é na verdade), então Esparta resistirá. E toda a Hélade a seguirá. 

-- Por que a escolhi para sofrer a mais terrível das provações, e escolhi suas irmãs dos Trezentos? Porque vocês podem.

Nesse momento, Paraleia não mais agüentou e disse:
-- E é essa a recompensa da virtude das mulheres, Leônidas? Serem atormentadas duplamente, suportarem um duplo sofrimento? 

Então, a rainha Gorgo estendeu a mão, oferecendo-lhe ajuda. Mas Leônidas interveio:
-- A minha mulher estendeu-lhe a mão para transmitir com o seu toque o conhecimento do fardo que ela carregou sem queixa durante toda a vida. Pode ser negado a ela simplesmente ser a mulher de Leônidas, mas será sempre a esposa da Lacedemônia. Agora, esse papel também lhe cabe, senhora. Deixará de ser a esposa de Olympieus ou a mãe de Alexandros, mas deverá servir como esposa e mãe de nossa nação. A senhora e suas irmãs dos Trezentos são, agora, as mães de toda a Grécia, e da própria liberdade. É um dever árduo, Paraleia, para o qual convoquei a minha amada esposa, a mãe dos meus filhos, e agora também a convoco. Diga-me, eu estava errado?

Assim como o fogo de uma queimada consome a si mesmo e, por fim, deixa de chamejar, a dor de repente se esvaiu do coração de Paraleia. Uma paz indulgente a penetrou, como uma dádiva proporcionada não somente pelo abraço forte que Leônidas agora oferecia, mas oriunda de uma fonte ainda mais profunda, inefável e divina. A força retornou aos seus joelhos e a coragem ao seu coração. 

Levantando-se, enxugou os olhos e disse:
-- Essas foras as últimas lágrimas, meu senhor, que o sol viu correr por meu rosto..."

Steven Pressfield

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Felicidade - Laurinda Alves

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Felicidade - Thomas Mann


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Escolher a Felicidade - Agostinho da Silva

Art by Gaelle Boissonnard
Nem paz nem felicidade se recebem dos outros nem aos outros se dão. Está-se aqui tão sozinho como no nascer e no morrer; como de um modo geral no viver, em que a única companhia possível é a daquele Deus a um tempo imanente e transcendente e a dos que neles estão, a de seus santos. Felicidade ou paz nós as construímos ou destruímos: aqui o nosso livre-arbítrio supera a fatalidade do mundo físico e do mundo do proceder e toda a experiência que vamos fazendo, negativa mesmo para todos, a podemos transformar em positiva. Para o fazermos, se exige pouco, mas um pouco que é na realidade extremamente difícil e que não atingiremos nunca por nossas próprias forças: exige-se de nós, primacialmente, a humildade; a gratidão pelo que vem, como a de um ginasta pelo seu aparelho de exercício; a firmeza e a serenidade do capitão de navio em sua ponte, sabendo que o ata ao leme não a vontade de um rei, como nos Descobrimentos, mas a vontade de um rei de reis, revelada num servidor de servidores; finalmente, o entregar-se como uma criança a quem sabe o caminho. De qualquer forma, no fundo de tudo, o que há é um acto de decisão individual, um ato de escolha; posso ser, se tal me agradar, infeliz e inquieto.
Agostinho da Silva

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Ser Feliz é um Dever - Louis Pauwels

Art by  Gaelle Boissonnard

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Dica de Leitura - A Erva do Diabo - Carlos Castañeda







A Erva do Diabo é a história dos cinco anos que dois homens passaram juntos como mestre e aluno - anos em que Dom Juan ensinou a Castaneda os usos do peiote e outras plantas alucinógeneas, que abrem as portas da percepção, iniciando-o nos métodos de conseguir a visão e o domínio de um mundo de "realidade extra-sensorial", completamente além dos conceitos da civilização ocidental, pondo-o a caminho da estranha e aterradora jornada espiritual que o homem tem de empreender para se tornar um "homem de sabedoria".












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Canção de Outono - Mário Quintana



O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida…
Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo…
Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma…
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!

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Ternura - Vinicius de Moraes




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