sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Março

Resistência - Casa de Euterpe

Art by Tomasz Alen Kopera
Estava sem a mínima ideia acerca do que escreve hoje. E daí me deu uma preguiça danada e pensei em “pular” a semana. Não escrever nada ou repetir um texto. Foi para sair desse estado de ânimo que resolvi escrever a respeito da resistência!
Isso mesmo: resistência. Esse termo é usado por Steven Pressfield em seu livro A Guerra da Arte. Ali ele a descreve como a força que rejeita o crescimento, a saúde ou a integridade de longo prazo, ou seja, qualquer ato que nos impede de crescer como seres humanos.
Diz ele ainda que a maioria de nós possui duas vidas. A vida que vivemos e a vida não vivida que existe dentro de nós. Entre as duas encontra-se a resistência. Esta impede que vivamos a vida que, na verdade, queremos viver, pois é claro que queremos ser melhores, mais saudáveis, mais dinâmicos, mais empreendedores, mais, mais, mais….
Ocorre que, muitas vezes, quando decidimos “dar uma guinada” no rumo que estávamos seguindo para sermos aquilo que sonhamos, aparece uma série de fatores que nos impede de fazê-lo e, para piorar, ainda justificamos cada um deles.
Observemos essas situações bem simples:
  • Fazemos inscrição em uma acadêmia, pagamos a matrícula e pensamos: amanhã começo! Toca o despertador e viramos para o outro lado para continuar a dormir sob a justificativa de que o dia anterior foi “muito puxado”. Lá se foi a acadêmia.
  • Dispomo-nos a estudar um novo idioma, fazemos a matrícula. Vamos à primeira aula e começamos a faltar nas demais. Justificamos essa atitude dizendo que não temos tempo nem dinheiro para continuar a estudar. Lá se foi o conhecimento.
  • Planejamos reservar um tempo, todo dia, para fazermos nossas reflexões, ler um bom livro e, quando percebemos, dormimos refletindo ou lendo. Justificamos o fato dizendo que estamos exaustos. Lá se foi a reflexão ou a leitura.
Percebam que todos esses exemplos contribuiriam, de uma forma ou de outra, para o nosso crescimento. Caso os tivéssemos levado a cabo, seriamos melhores fisicamente, intelectualmente, espiritualmente. Todavia, todos eles foram sumariamente descartados sob uma série de desculpas. Pois bem, essas desculpas são a resistência.
Ela tem diversas características, mas vou ressaltar apenas algumas. Ela é:
  • Invisível: não pode ser vista concretamente. O que vemos é o seu efeito. Portanto, cuidado! Quando percebemos, ela já nos atacou…
  • Interna: não vem de fora. Vem de dentro de nós mesmos. Somos seus criadores e mantenedores. Assim, estamos, literalmente, “dormindo com o inimigo”.
  • Implacável: não vem para brincar. Ela aparece para matar! Matar o melhor que temos em nós. Minar nossas melhores iniciativas, nossas melhores disposições, nossos melhores sonhos.
  • Infalível: quando ela resolve ganhar, ganha! Não perde tempo, não faz rodeios. Ataca sem dó nem piedade.
  • Nunca dorme: nem quando nós dormimos. Está sempre alerta e à espera de que a deixemos entrar. E dai, se instala confortavelmente.
  • Alimenta-se do medo: do nosso medo. Do medo que temos de darmos certo, sermos felizes, de alcançarmos nossos objetivos. Parece loucura, mas Pressfield diz é isso mesmo o que ocorre: temos medo do sucesso!
  • É mais forte na reta final: quanto mais próximos estamos de nossos objetivos, mais agressiva ela se mostra. Ataca mais violentamente para acabar logo conosco.
E o que fazemos, então? Primeiro é preciso reconhecer que ela existe. Identificá-la quando aparece em forma de procrastinação, distração, problemas – principalmente financeiros e de falta de tempo – dramatização, vitimização, infelicidade, crítica, falta de confiança em nós mesmo, fantasias de grandeza, isolamento, racionalização.
Depois de identificá-la é necessário lutar contra ela. Para isso, devemos utilizar outras armas que não sejam as que ela usa. Assim, ritmo, disciplina, ordem, entusiasmo, vontade, coragem, força, disposição, atenção, concentração podem ser muito eficazes nessa batalha.
A cada ataque, um contra-ataque. Contra a procrastinação, ritmo; contra a crítica, humildade; contra a vitimização, coragem; contra a racionalização, discernimento…
E antes que alguém me pergunte “por quanto tempo terei de lutar”, aviso que é para sempre! Não podemos esmorecer sob pena de sermos muito menores do que a estatura que podemos ter. Não podemos esmorecer sob pena de não vivermos a vida que está latente dentro de nós!

Ipês Brancos - Casa de Euterpe



No início desta semana, estava, como faço todos os dias, dirigindo para o trabalho quando olhei para os canteiros ao longo da rodovia e percebi a chegada dos ipês brancos.

Aqueles que moram no Distrito Federal sabem que esta é a época dos ipês e que os primeiros que despontam são os brancos, seguidos dos roxos e dos amarelos.

Ao percebê-los fiquei a imaginar há quantos dias eles estavam ali, lindos, salpicando os canteiros de suavidade, encanto e beleza. É provável que estivessem por ali já há alguns dias e eu ainda não os tinha visto! Na entrada norte do Plano Piloto e mais adiante, antes da Ponte do Bragueto, existem dois especialmente bonitos. Exuberantes em sua simplicidade.

Vê-los naquele dia, fez-me refletir acerca do porque ainda não os tinha visto, uma vez que são as coisas mais bonitas que permeiam meu caminho de casa até o trabalho. Cheguei à conclusão de que não os vi antes porque estive ausente do momento presente. Estive olhando para o lado contrário ao que estavam os ipês. Estive desatenta, presa em alguma ocorrência do dia anterior, presa no fluxo do trânsito, nas tarefas que me aguardavam no trabalho, nas atividades que me esperavam em casa à noite (!) e em mais um porção de coisas que não faziam parte daquele momento. Eu estive “pré-ocupada”, dispersa, minha atenção esteve focada em fatos passados ou futuros, muitos deles, inclusive, de qualidade duvidosa e infinitamente menos belos do que o espetáculo proporcionado por aquelas flores.

Assim como deixe de perceber por alguns dias a chegada dos ipês brancos, quantas mais pessoas também deixaram de percebê-los? Provavelmente, dezenas de pessoas. E por motivos iguais ou muito parecidos aos meus.

Ora, dirão alguns que leem estas linhas, qual o problema que não se ver os tais ipês brancos? Bem, respondo a todos e a mim mesma: a questão é que eles são as melhores coisas que existem naquele caminho e duram muito pouco. Daqui a braves dias, não mais estarão por ali. Mesmo de um dia para o outro, não são mais os mesmos! Modificam-se e vão embora para retornarem apenas o ano que vem. Assim, quem os viu pode contemplar a beleza com que a Natureza nos premia diariamente e quem não os viu… bem, lá se foi uma oportunidade…

É interessante refletir acerca disso, pois quantas outras oportunidades perdemos por não estarmos suficientemente atentos à vida? Quantas coisas perdemos por estarmos desatentos ou focados em outras periféricas?

Quantas maravilhas deixamos de perceber por estarmos inseridos em uma mecanicidade diária que nos tritura e nos impede de ver aquilo que é belo? Quantas vezes vemos apenas o pior lado das coisas por não estarmos acostumados a ver o melhor lado? Quantas coisas deixamos de ver por estarmos olhando para o lado contrário? Por estarmos voltados para coisas que não têm tanta importância assim?

E essas oportunidades, assim como as flores, também podem ter uma época, um prazo e se deixamos de aproveitá-las, quando retornarão? Na próxima primavera? Daqui a cinco anos? Dez anos? Ou eram únicas?

O Universo está sempre a proporcionar-nos coisas boas, belas e justas. A Natureza, com seus ciclos inexoráveis, é a maior prova disso. Porém, é necessário estarmos despertos para percebê-las.

Não percamos as chances que a vida nos oferece diariamente. Para isso, precisamos perceber todos os “ipês brancos” que são plantados ao longo do nosso caminho!



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Nem Sempre é o que Parece - Casa de Euterpe




A ideia para o texto desta semana ocorreu-me quando, novamente, estava indo para o trabalho. Passando pela L4 (só os iniciados que moram no Distrito Federal entendem essas designações…), na altura da estação da Caesb, vi uma árvore parecidíssima com essa imagem abaixo.

Quando a vi, tive vontade de parar para tirar uma foto, pois a imagem é realmente bela! Não consegui porque naquela via é impossível dar uma paradinha sequer.

Fiquei sem o registro da cena, mas permaneci tão impressionada com a beleza do conjunto formado por árvore e flores entrelaçadas que, chegando ao Tribunal, fui pesquisar do que se travava. E tive uma surpresa: as flores que se enroscam ao longo dos troncos são parasitas! Ou seja, apesar de tanta beleza e aparente harmonia, elas estão sugando a hospedeira, estão sugando a árvore, alimentando-se de sua seiva. Nossa!, mas que é bonito, não há como negar…

Bem, isso me fez refletir acerca do seguinte aspecto: quantas coisas alimentamos – e se alimentam de nós -, cuja natureza nos parece inofensiva, às vezes, bela e, todavia, agem como parasitas? Sugam nossa energia, nossa disposição, nossa força de vontade?

Existem hábitos com os quais convivemos tem tanto tempo que já fazem parte de nossa rotina. Parecem inofensivos, mas que, na verdade, estão nos consumindo sem que tenhamos consciência disso. A procrastinação, por exemplo. Não percebemos que, ao procrastinarmos as coisas, estamos gastando energia em outras menos importantes, pois sempre procrastinamos aquilo que deve ser feito para fazermos aquilo que gostamos ou que nos dará algum tipo de retorno imediato. Com isso, deixamos sempre para depois, para amanhã, aquilo que necessita ser feito, ainda que seja difícil ou que não nos beneficie diretamente. Quando decidimos, finalmente, fazer a dita ação, geralmente, falta-nos tempo!

A crítica é outro exemplo de parasita. Quando somos excessivamente críticos não temos ocasião para dedicarmo-nos à construção de ideias próprias, à reflexão, ao estudo. Usamos as oportunidades de troca para criticarmos juízos, posições e vivências alheias. Com isso, também desperdiçamos energia e perdemos oportunidades de aprendizado.

A busca desenfreada por sucesso, posição social e outras coisas do gênero, também podem ser parasitárias. Parecem importantes e necessárias, parecem bonitas, mas, no fim, desviam nossa atenção das coisas que realmente fazem diferença na vida. Desviam nossa atenção das necessidades do outro, pois nosso tempo está inteiramente voltado para nós próprios. Deixamos, com isso, de exercer a generosidade, a cortesia, a cooperação.

O medo também pode parecer com as ditas “flores”, pois muitas vezes lhe damos o nome de cuidado, prudência. É preciso ver que o medo é natural, mas em demasia, quando se torna paralisante, avilta-nos, uma vez que nos impede de vivermos as experiências necessárias ao nosso desenvolvimento como seres humanos. A covardia, ou excesso de medo, converte-nos em um joguete de todas as violências e as injustiças, escraviza-nos e humilha-nos. Atualmente, rende-se culto ao medo e os jovens são vítimas disso, com os seus escapismos, suas drogas, seu terror pelo esforço, seu pânico ante toda forma de compromisso idealista e generoso. Essa situação os leva à condição de hospedeiros que, ao final, ver-se-ão consumidos por aquilo que lhes parecia vital.

A inércia é um parasita pessoal derivado da preguiça. Quando nos movemos com lentidão acabamos parando. É a preguiça que conduz à inércia, ao não-movimento de todo tipo. É preciso que identifiquemos a existência desse elemento em nós mesmos e tracemos a estratégia para lutar contra ele.

Posso citar, ainda, a debilidade, a distração, o egoísmo, a inveja, a falta de pontualidade, a ira, a negligência, a rotina, a soberba e a volubilidade… . Todos esses elementos podem estar revestidos de “flores” – podemos nomeá-las por sensibilidade, amor próprio, empreendedorismo, calma -, pois é por essa falsa aparência que os justificamos, mas, na verdade, não passam de parasitas. Assim, nem tudo é o que parece.

É preciso dar-lhes o nome que lhes compete, é necessário identificá-los e combatê-los de forma séria e eficaz para que não nos posicionemos frente à vida como meros hospedeiros, mas como seres saudáveis e íntegros.


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Mulheres - Casa de Euterpe


Os cavalheiros que me desculpem, mas hoje escrevo para as damas.

Estive observando algumas situações na semana que se findou e senti vontade de escrever para mim mesma e para todas aquelas que vierem a ler este artigo.

Desde sempre se fala de um ideal feminino e ao longo dos séculos essa questão foi tratada de diversas formas, sob diversos aspectos.

Há muitos anos, as mulheres são impulsionadas pela ideia de encontrar seu lugar na sociedade. E até a agora, em pleno século XXI, parece que ainda não estamos satisfeitas com o espaço que ocupamos, com a remuneração que ganhamos e ainda levantamos a bandeira de que devemos conquistar nosso lugar.
Ocorre que se fizermos uma visitinha às sociedades antigas (cretense, minoica, celta), veremos que tais sociedades eram matriarcais! Ali viveram grandes rainhas, excepcionais guerreiras, filósofas, políticas. Se nos debruçarmos para pesquisar os registros históricos encontraremos damas da estirpe de Cornélia, mãe dos Gracos; Aurélia, mãe de Júlio César; Hipátia, filósofa; Hatchepsut, rainha do Egito; Boadiceia, rainha e guerreira celta. Além dessas excepcionais mulheres, ainda encontraríamos grandes sacerdotisas: as vestais, as sacerdotisas de Ísis, de Ceres, de Afrodite, de Ishtar.

A mulher, nesse período, tinha um papel preponderante e era o centro da vida.

Esse papel de chefe, centro, núcleo é representado nos mitos gregos pelas Deusas. A mulher no centro da Terra, no fogo do altar, no centro da casa e do templo… Esse fogo que crepitava nos altares e nos lares, cuja guardiã era a mulher, é o fogo da vida e tinha a capacidade de concentrar as pessoas ao seu redor. Assim, o papel feminino, o nosso papel estava no centro da família e da sociedade.

Ora, é fácil de perceber que tínhamos muito nítida a nossa função e nosso lugar social era claramente definido, bem como preponderante.

O que aconteceu, desde então? De que forma perdemos o papel de centro? Quando deixamos de ser Deusas?

Posso elencar alguns fatores, sem a pretensão de ser exaustiva.

Psicologicamente, deu-se excessiva ênfase aos aspectos negativos da psique feminina. É usual ouvirmos a descrição da mulher como manipuladora, como emocionalmente instável, como sexualmente sedutora . Toda a debilidade de nossa psique é atualmente exaltada e, o que é mais triste, na maior parte das vezes por nós mesmas. Não é raro usarmos fatos como TPM, fases da lua e coisas do gênero para justificarmos “ataques”, instabilidades emocionais e psíquicas, crises, medos. Tudo isso como se fossemos seres atmosféricos ou meramente hormonais, desprovidos de inteligência e de razão.

Não bastasse isso, ainda contribuímos para a cristalização do estereótipo assumindo esse modelo ao seguirmos um padrão de beleza e de comportamento ditado pelo inconsciente coletivo. E achamos tudo isso muito natural.

Ainda, damos audiência a programas, músicas, filmes, peças de teatro que enaltecem essa debilidade e aplaudimos tudo isso como se refletissem, mesmo, aquilo que somos.

Ademais, religiosamente, por séculos a mulher foi a representante do mal. São femininas as figuras das bruxas que enfeitiçam, das sereias que seduzem, das feiticeiras que enganam.

Isso tudo faz com que a mulher, quando retratada como empreendedora, jovem, requintada, elegante, discreta, equilibrada desperte cobiça e desprezo. A imagem que é respeitada na sociedade atual é de mãe, de cuidadora do lar, de avó diligente, de artesã …

A pergunta que devemos fazer é: porque isso aconteceu? Somos a mesma mulher. Somos as mesmas que foram consideradas Deusas! Porque, agora, isso não ocorre mais?

Arrisco alguns palpites:
Duvidamos de nossa própria identidade. 
Não acreditamos em nós mesmas.
Iniciamos uma luta, não para conquistar nossos próprios valores, mas para competirmos com o homem! Queremos os mesmo empregos, as mesmas atividades, as mesmas funções.
Competimos com o homem, mas necessitamos de seu aval, de sua aprovação. Assim, adquirimos uma competência dependente, pois necessitamos da aceitação masculina. E, ainda, competimos umas com as outras!

Diante desse cenário, o momento histórico encontra-nos insatisfeitas e, muitas vezes, infelizes. Quando nos falta a aprovação masculina ou outra qualquer, praticamente adoecemos! É como se tudo o que fizéssemos necessitasse de plateia, aplausos. Nada pode ser feito no privado, no íntimo, no particular.

E agora? Para que tudo isso?

O que devemos fazer?

Estamos no caminho certo? 

Nosso caminho é mesmo competir e equipararmo-nos aos homens? Ou devemos fazer um caminho de retorno às nossas próprias características.

A igualdade entre homens e mulheres reside nas oportunidades, mas nunca seremos iguais física, energética, emocional e mentalmente. Somos complementares. Esse é o segredo.

É preciso que entendamos, urgentemente, que a nossa verdadeira conquista reside em descobrir nossa própria Alma, nossa autêntica entidade, nosso autêntico ser interior, uma energia que pode apoiar-se no material, mas que tem a capacidade de elevar-se ao metafísico, aos grandes sonhos e ao Ideal Feminino.

Temos de descobrir qual é a nossa guerra, qual é o nosso campo de batalha e quais são as nossas armas! A guerra, a batalha e as armas masculinas não são as nossas. É preciso que entendamos e aceitemos esse fato, além de que a nossa condição feminina não é uma maldição, mas uma dádiva.

Devemos resgatar nossa identidade múltipla: a mulher não é somente mãe ou esposa. É também amante, e sacerdotisa, e deusa, e heroína e artista… Devemos, assim, realizar uma viagem interior – ainda que seja dolorosa – e encontrar nossa alma feminina.

Ao final dessa viagem, nos depararemos com a nossa verdadeira alma que é composta de vida, energia, amor e sabedoria. Com esses atributos, que são nossas verdadeiras armas, somos a heroína e a guerreira ideal para lutar nossa própria batalha.

Devemos recordar que podemos dar vida a um corpo, a uma alma, a uma sociedade e a uma civilização…ou isso, ou perdemos a razão de ser. Insuflamos vida com uma forma particular de energia: resistência, constância…isso é nosso!

Devemos recordar diariamente que SOMOS Amor! O homem inclui o amor em sua vida. Nós, mulheres, fazemos do amor a nossa vida. Por isso, temos a capacidade de união, temos a capacidade de coesão, de aglutinação, de juntar pessoas e almas, assim como a capacidade para perceber a beleza, a harmonia e de lutar pela justiça. Isso é nosso!

Nosso Amor é sabedoria, pois se caracteriza pelo discernimento.

Assim, queridas damas, quando ofertamos energia e vida, amor e sabedoria, tornamo-nos protagonistas de nossa história e donas de nós mesmas…sem a menor necessidade de competir com quem quer que seja.

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Kairós, a Oportunidade - Casa de Euterpe



As situações do dia a dia têm mostrado a mim a necessidade de refletir acerca das oportunidades que a vida nos apresenta. Os gregos eram muito felizes quando a representavam por meio de um deus: Kairós.

Kairós (em grego καιρός) é uma palavra do grego antigo que significa “o momento oportuno”, “certo” ou “supremo”. Na mitologia grega, Kairós é filho de Chronos (Deus do tempo e das estações).

Descrito como um belo jovem calvo com um cacho de cabelos na testa, ele era um atleta e tinha uma agilidade incomparável. Resplandecente e com a flor da juventude, Kairós tinha duas asas nos ombros e nos joelhos. Sempre sem roupas, ele corria rapidamente e só era possível alcançá-lo agarrando-o pelo topete, ou seja, encarando-o de frente. Depois que ele passava, era impossível persegui-lo, pegá-lo ou trazê-lo de volta. Na entrada do estádio em Olímpia havia dois altares: um era consagrado a Hermes, que simbolizava os jogos e o outro era consagrado a Kairós, que simbolizava a oportunidade.

Kairós representa, assim, o tempo presente, a Oportunidade.
Essa representação simbólica é autoexplicativa. Deixa-nos clara a necessidade que temos de aproveitar absolutamente todas aquelas que o destino nos põe à frente.

Todavia, como somos desatentos, na maioria das vezes não percebemos quando o deus passa agilmente por nós. Assim, simplesmente deixamos que passe. Quantas ocasiões não são aproveitadas? Quanto tempo perdido e impossível de ser recuperado?

Não são poucas as vezes em que justificamos nossa desídia, nossa inércia diante das oportunidades com razões muito pouco convincentes. É comum deixarmos para depois as coisas que podemos fazer agora; é comum pensarmos que “amanhã” será possível realizar “tal coisa”, estar junto de quem amamos, construir nossos sonhos, viver nossa vida.

Isso ocorre porque, ainda que de forma inconsciente, consideramos a oportunidade como simples causalidade que pode ou não ser aproveitada, independentemente de nossa vontade.

Não encontramos relação entre as portas abertas pela vida e a possibilidade que temos de entrar por elas por meio de um impulso consciente.

De nosso superficial ponto de vista, parece que temos a livre opção de aproveitar ou não as oportunidades, sem maiores consequências. Quando muito, nos lamentamos de não havê-las aproveitado, convencidos que chegará o momento de recuperá-las.
Todavia, é muito diferente aproveitar a oportunidade e deixá-la escapar.

Na matemática da vida, duas ações diferentes não podem ter consequências iguais, nem aleatórias e nem ficar sem consequência alguma. Assim, sempre seremos responsáveis pelas consequências das oportunidades que deixamos passar. Sempre seremos responsáveis pela construção de nossa vida e nosso destino.

Kairós nos oferece as oportunidades. Se o deixamos seguir, nos compensará com a triste companhia do arrependimento e das coisas são realizadas. Ainda que possamos nos redimir, aquele tempo, aquela oportunidade jamais retornará.

Por isso, utilizemos o tempo presente. Façamos desse momento brevíssimo um mundo consciente de construção e realizações.




#casadeeuterpe #oportunidade #tempo

Agulhas e Linhas... - Casa de Euterpe



Semana passada, dediquei-me a uma atividade que adoro e que há muito tempo não fazia: recomecei a bordar!

Isso mesmo. Adoro bordar e resolvi iniciar um novo projeto de bordado.

Não sou uma bordadeira exímia, mas consigo apresentar algo razoável. O resultado fica bonito e me dá grande prazer fazê-lo. Distraio-me entre agulhas e linhas e o tempo passa sem que eu perceba. Por ser uma atividade eminentemente feminina, serve para o exercício da delicadeza, da leveza, da harmonia e da beleza.

Pensando nisso enquanto bordava, comecei a relacionar essa tarefa com outras questões e foi possível chegar a algumas conclusões interessantes.

Quando bordo, gosto do chamado bordado livre. Nessa modalidade seguimos apenas um risco básico, um desenho pré-concebido e ficamos à vontade para escolher os pontos, as linhas, as cores, os tecidos.

Penso que na vida igualmente devemos agir assim. Penso que temos um desenho, o qual precisamos preencher e colorir. Temos uma história a desenvolver. Esse desenho não nos cabe contestar. O Universo agiu por nós e a isso podemos chamar de Destino.

Todavia, como preencheremos e embelezaremos esse desenho, as cores que usaremos, a textura das linhas e dos tecidos e a modalidade dos pontos são escolhas nossas e de nossa inteira responsabilidade. A isso chamamos livre arbítrio!

De forma, nada está fixamente determinado. Temos imensa liberdade de escolha. Da mesma forma que no projeto de bordado livre, onde às vezes precisamos retocar o desenho e o fazemos sem alterar o seu tema, na vida também podemos redirecionar nosso destino por meio de nossas escolhas, de nossas opções. Tudo está inclinado, mas nada determinado.

Tem ocasiões, no bordado, que optamos pela realização de um ponto mais complexo o qual ainda não estamos muito aptos a executar. No início, ele não sairá perfeito, mas com a sua execução contínua, aperfeiçoa-se. Muitas vezes, temos de desmanchar o trabalho, porém com o tempo o ponto fica perfeito, bonito. Da mesma forma ocorre com as situações que a vida nos apresenta. Tem algumas que não conseguimos resolver “de prima”, porém se não desistimos e agimos com perseverança, em algum tempo conseguimos resultados muito satisfatórios. E nosso bordado da vida fica muito bonito, pois a prática, a ação nos deu condições de imprimir beleza e harmonia ao nosso projeto.

Quando bordamos por muito tempo, é possível que nossos dedos fiquem doloridos por causa da picada das agulhas. Mesmo percebendo isso, não paramos porque a beleza do que estamos fazendo nos impulsiona a continuar. Assim é na vida. Muitas vezes picamos os dedos com nossas agulhas, mas devemos ter em mente o objetivo a que nos propusemos e, por ele, continuar bordando, seguir adiante mesmo que doa, pois o resultado final valerá a pena.

Ainda, é possível que em um momento nos falte o material correto para a efetivação da peça de bordado. Acontece que a boa bordadeira sabe substituir um material por outro. Sabe usar linhas com fio duplo, sabe usar restos de fios para finalizar uma etapa e transformar as cores quando necessário. Na vida, muitas vezes temos de saber agir assim. Quase nunca as coisas acontecem como imaginamos e a capacidade de solucioná-las e dar-lhes um correto direcionamento é o diferencial entre o fracasso e o sucesso.

No bordado, o resultado final do trabalho está inteiramente sujeito à habilidade da bordadeira e ao teor de suas escolhas. Assim o é também na vida. Quando a olhamos de frente, a beleza ou não de seu desenho, depende e dependerá de tudo o que fizemos até o momento. A harmonia dos tons, o equilíbrio das cores, a leveza da peça dependem das escolhas que fizemos e de mais nada.

Por isso, é preciso bordar bem, com determinação, com perseverança e, principalmente, com Amor para que no final do trabalho, nossa peça não seja um emaranhado de linhas onde não é possível se distinguir o desenho, mas que apresente como uma obra de arte, um monumento de Amor a Deus e ao Universo, uma vida que nos dê o são orgulho de não ter sido vivida em vão…



#casadeeuterpe #aprendizado #determinação #perseverança  #trabalho  #bordado  #amor  #deus  #universo

"Temos tanta pressa... Robert Stevenson


#casadeeuterpe   #robertstevenson

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Phobos e Deimos - Casa de Euterpe

Phobos (medo) e Deimos (pânico) são filhos de Ares e Afrodite, deuses da Guerra e do Amor. Foram sempre os companheiros inseparáveis dos combatentes quando adentravam o campo de batalha. Também somos combatentes de nossas próprias lutas interiores e assim como aqueles outros, nossa missão é mantê-los sob controle. Controlá-los não significa ignorá-los ou buscar a sua extinção, mas, sim, entender a sua manifestação e não deixar que eles se apoderem da arena de guerra representada pela nossa consciência. Manter Phobos e Deimos sob controle é uma conquista interna e decisiva na definição de nossa qualidade de vida. Não esqueçamos que são filhos da Guerra, mas também o são do Amor. Assim, é preciso que lutemos com bravura, com honra, com coragem, porém, principalmente, com Amor. Somente por meio do equilíbrio dessas potências é que alcançaremos a possibilidade de mantê-los sob o nosso domínio de forma a conquistar o estandarte da Vitória ao final de nossa luta pessoal.
Deusa Niké (Vitória)

#casadeeuterpe    #phobos    #deimos

As Provas Diárias - Casa de Euterpe























Ao iniciarmos nossa vida escolar, começamos a tomar contato com a palavra “prova” e a ela somos submetidos periodicamente. Muito cedo entendemos que é desse sucesso que depende nosso desenvolvimento escolar.

Durante essa época, todavia, a única coisa que nos preocupa é evidenciar o entendimento das disciplinas curriculares. E, ao longo, da vida, lá vamos nós, ano após ano, respondendo questões, escolhendo alternativas, explanando conceitos.

Depois de finalizada a fase escolar e acadêmica, imaginamos que as tais provas, finalmente, acabaram. E não mais nos preocupamos com isso. Concebemos que, agora, acabaram-se os testes. Esse é um de nossos maiores erros.

É interessante verificar que toda experiência humana concreta é imitação de um modelo celeste, definido e perfeito. Assim, o experimento escolar é apenas uma imitação da vida, pois esta é nossa verdadeira academia; aquela que nos proporciona as verdadeiras provas. Todavia, quando a grande mestra nos testa, não entendemos a oferta e, na grande maioria das vezes, fracassamos justamente por causa de nossa ignorância.

Ao contrário do que ocorre na escola, tardiamente entendemos que nosso desenvolvimento na vida depende do sucesso também nessas provas.

Lembremos de que a palavra “prova” vem do latim probare, e significa “testar, demonstrar que algo tem valor” e de probus, de quer dizer “correto, de valor, virtuoso”.

Sabemos que, como seres humanos, devemos de ter uma meta também humana e que esta é que nos tornemos melhores a cada dia, mais corretos e mais virtuosos, é que aumentemos nosso valor. Por isso, as provas existem para que verifiquemos em que etapa estamos nesse caminho ascensional. Para que verifiquemos o quão probos somos e quanto de valor temos.

Assim, elas são as nossas melhores amigas, pois por seu intermédio temos a oportunidade de comprovar ao Universo que aprendemos determinada lição e de que somos competentes para avançar para a próxima etapa, assim como na escola para passarmos de ano. Sem provas não há desenvolvimento, não há melhoria ou avanço, não há caminhar.

Aquela situação difícil, a circunstância complexa da qual reclamamos, são provas e nada mais. Aquela pessoa com a qual temos dificuldades de convivência, o trabalho árduo também são provas. O humor matutino, o trânsito caótico, as dificuldades familiares ou materiais, sem dúvida, são provas.

É a vida perguntando se sabemos lidar com tais situações, se sabemos resolver as equações. E da mesma forma que na escola, aqui também devemos responder questões, escolher alternativas, explanar conceitos.

É preciso que entendamos que a vida não nos castiga com problemas, mas nos presenteia com provas. Cada uma delas é uma oportunidade de aprendizado e de melhoria que não pode ser desprezada, sob pena de repetição.

As provas, assim, devem, primeiramente, ser reconhecidas e depois vencidas para que não se repitam. Pois quanto mais se repetem, mais lento é o nosso caminhar. Por isso, vale a pena o esforço diário para reconhecê-las e vencê-las.

Na escola, nossos instrumentos para bem realizá-las são os livros e os materiais didáticos em geral.

A vida, como arquétipo de todas as escolas, também nos fornece ferramentas para fazermos as provas: o elmo da Inteligência, o escudo da Vontade e a espada da Coragem.

Usemo-las e deixemos de nos penalizar conosco mesmo e passemos a nos enxergar como pessoas especiais que têm o privilégio de serem postas à prova!


#casadeeuterpe #provas #desafios #aprendizado

"Esvaziei a mala... Caio Fernando Abreu



#casadeeuterpe    #esperança   #caiofernandoabreu

"O que as pessoas mais desejam... - Rubem Alves

Art by Jonas Ranum Brandt
#casadeeuterpe   #rubemalves   #silêncio   #escuta   #atenção

Dica de Filme - Os Agentes do Destino


Será que somos senhores de nosso destino? Ou o futuro já está traçado e não nos resta outra coisa além de esperar sentados o que está por vir? Para o jovem candidato a senador David Norris (Matt Damon), que acaba de ser derrotado em uma eleição apertada, a resposta a essas perguntas chega a ser angustiante. O que parece ser apenas uma preocupação filosófica e existencial de um personagem em crise ganha em "Os Agentes do Destino", que marca a estreia na direção do roteirista George Nolfi, uma dimensão muito maior, quase um complô do qual não podemos escapar. E, para fugirmos das armadilhas do destino, temos que literalmente correr.
David começa a perceber que não consegue tomar as rédeas de sua vida quando desconhecidos vestidos de terno escuro e chapéu (um vestuário desatualizado e mais próximo de cidadãos dos anos 1940) tentam impedir que ele se relacione com Elise (Emily Blunt). Na verdade, eles querem impedir que eles se encontrem e possam iniciar uma relação. Isso é perigoso para os planos deles.
Ele conheceu a bailarina casualmente, depois de perder a eleição, e ao tentar reencontrá-la é sabotado pelos homens misteriosos. Eles têm o poder de interferir no tempo e, consequentemente, alterar o futuro imediato. Eles se deslocam com muita rapidez por atalhos em um universo paralelo e conseguem antecipar todos os movimentos de David.
Baseado num conto de Philip K. Dick, autor da história que deu origem ao cult "Blade Runner, o Caçador de Andróides", o filme é uma frenética ficção científica, em que é preciso ficar atento a cada detalhe e personagem.
De certa forma, há alguma semelhança com a temática do seriado "Fringe", onde a interação de universos paralelos conduz a trama para becos aparentemente sem saída.
Por mais estranha que possa ser a obsessão de David em encontrar essa mulher misteriosa - que pode se tornar o amor de sua vida -, vale a pena se deixar levar nessa perseguição, na qual esses agentes do destino parecem ser os vilões.
Aparentemente eles traçaram um plano importante para David e não querem que uma paixão os atrapalhe. Tudo indica que David exercerá um importante papel político no futuro (presidente dos Estados Unidos?), que poderá ser crucial para a segurança do mundo. Mas será que o amor é necessariamente um obstáculo?
(Por Luiz Vita, do Cineweb)
Fonte: http://cinema.uol.com.br/
#dicadecinema    #agentesdodestino   #destino   #karma   #livrearbitrio

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da músicanão começaria com partituras, notas e pautas.Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contariasobre os instrumentos que fazem a música.Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediriaque lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".Rubem Alves



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Dica de Leitura - A Guerra da Arte - Steven Pressfield



Recomendo a leitura da obra de  Steven Pressfield, A Guerra da Arte.

Esse é o autor de Portões de Fogo, Tempos de Guerra e a Última Guerreira. Todos excepcionais.

O livro em questão, ao contrário desses outros citados, não é um romance histórico. Ao contrário, é um livro a respeito do talento que todos sabemos ter e não conseguimos oferecer para a humanidade. Conforme demonstra Steven, o primeiro passo nos parece sempre impossível. Entre nós e nosso objetivo, erguem-se montanhas de obstáculos. Todos aparentemente intransponíveis! Sejam eles reais ou imaginários.

Pressfield nos ensina, então, a lutar contra esses obstáculos que ele denomina de Resistência. Ensina-nos, ainda, a buscarmos as musas onde elas estão escondidas e a chamarmos os anjos de maneira que eles respondam e auxiliem-nos nessa luta.


#casadeeuterpe   #leitura   #stevenpressfield    # aguerradaarte

"Ser feliz sem motivo... - Carlos Drummond de Andrade


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"O homem..."


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"A verdeira liberdade... - Sri Ram



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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dica de leitura - O Primeiro Homem de Roma - Colleen McCullough

Excelente leitura...
Para aqueles que têm interesse na história de Roma, recomendo os livros de Colleen McCullough.
A obra, composta por sete volumes, reconta a história romana, cobrindo todo o período da República - desde a ascensão de Caio Mario até a derrota de Marco Antônio e a ascensão do primeiro Imperador, Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus.
Até onde pesquisei, o primeiro volume está esgotado no Brasil. Os quinto, sexto e sétimo volumes ainda não foram editados por estas plagas. A alternativa é comprá-los no site http://www.difel.pt/
Eis a relação dos volumes:
I - Primeiro Homem de Roma: Amor e Poder;
II - Primeiro Homem de Roma: Coroa de Ervas;
III - Primeiro Homem de Roma: O Favorito de Fortuna;
IV - Primeiro Homem de Roma: As Mulheres de César;
V - Primeiro Homem de Roma: César;
VI - Primeiro Homem de Roma: O Cavalo de Outubro;
VII - Primeiro Homem de Roma: Antônio e Cleópatra.
Boa leitura!


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“Não importa se a estação do ano muda”...
Se o século vira, se o milênio é outro.
Se a idade aumenta...
Conserva a vontade de viver,
Não se chega a parte alguma sem ela."
Fernando Pessoa
                                                                                                                                      

Poderia escrever acerca da Vontade de formas diversas, mas achei interessante partir de sua descrição iconográfica. As imagens podem ensinar mais que as palavras. Assim, usem a imaginação para visualizar a ideia descrita a seguir.
Cesare Ripa, in Iconología II, representa a Vontade como uma mulher jovem com uma régia coroa e levando asas. É semelhante a uma Rainha que, assentada na parte mais nobre e mais elevada do homem, dispõe suas leis. Com uma de suas mãos sustém um Mastro, cuja vela está inchada pelo vento enquanto que com a outra mão, colhe uma flor de Heliotrópio. É representada regiamente coroada, pois é tida como rainha. A vela inchada demonstra que os ventos de nossos pensamentos, quando estimulam a vontade, fazem com que a nave, ou seja, todo o homem, tanto em seu foro íntimo, como em seu aspecto externo, se mova e se encaminhe para onde ela o arraste.
Enquanto o Heliotrópio,[i] que sempre segue a órbita do Sol, nos indica que o ato de vontade não pode ser julgado por si mesmo, mas por seu objetivo que se reputa um bem e é como tal considerado, o qual, em consequência, impulsiona sem remédio a dita vontade à ação de querer e ao feito de mandar sobre nós mesmos.
Dessa precisa definição, verifica-se que a Vontade não deve ser confundida com o mero desejo, pois como Rainha assentada na parte mais elevada do homem não se conforma com caprichos do querer. Quando se diz: “tenho vontade de comer, dormir, viajar, consumir...” não se está referindo à essa virtude, mas aos desejos que consomem e condicionam, a uns mais, a outros menos. A vontade nasce de um querer inteligente e não de desejos criados pela propaganda ou pela moda, os quais até a pouco tempo nem se imaginava possuir!
Continuem seguindo a descrição de Ripa. Vejam que a alegoria da vela insuflada pelo vento indica que a Vontade é instrumento poderoso para que se alcancem todas as metas, tanto interiores quanto exteriores. Nasce de uma decisão lúcida acerca de aonde se quer chegar e de uma capacidade também lúcida de manter o impulso até chegar lá. Permite que se fixe um objetivo e se caminhe com passos seguros que levarão até ele. Projeta um prolongamento no tempo e não cede no seu esforço enquanto não alcança o objetivo fixado.
É por meio desse vento propulsor que se consegue vencer um hábito, que se depura uma emoção, que se clarifica um pensamento e que, ainda, se alcancem todos os objetivos que foram traçados de forma consciente e inteligente.
Diante desse contexto não há mais que falar em “falta de sorte” ou de tempo; não há mais que se responsabilizar o meio onde se vive ou a forma com que foi criado, ou de qualquer outra coisa, quando se deixa de conseguir algo a que se propôs. É imperioso entender que essa incapacidade momentânea ocorre enquanto não se imprime à Vontade a força necessária para chegar até o alvo. É como se naquelas velas ainda não soprasse o vento que encaminha a embarcação ao seu porto de destino. Entendam que somos a embarcação e o vento!
Vê-se também que a jovem rainha colhe a flor do Heliotrópio, flor esta que acompanha o movimento do Sol. Nessa chave, o ato insuflado pela Vontade não é bom ou mau por si mesmo. É uma força e é preciso, antes, que se lhe observe o objetivo. A sociedade está repleta de exemplos de pessoas que possuem inquestionável força de vontade, mas que nem sempre alcançam resultados dignos de serem relacionados com a nobreza que a representa. Assim, é preciso atentar para o valor daquilo que se almeja. Não basta o ato volitivo, é necessário qualificá-lo de forma que espelhe a Bondade, a Beleza e a Justiça!
A grande filósofa do século XIX, Helena Petrovna Blavatsky, dizia que a Vontade constrói os Universos manifestados na eternidade. Ou seja, tudo o que se vê construído no mundo, é rastro da Vontade. A Vontade, então, deixa como rastro o Universo visível.
É preciso refletir: “que tipo de rastro quero deixar?” Marcas que provoquem sadio orgulho de ações e de conquistas? Ou marcas diante das quais pessoas se curvarão, envergonhadas, diante de si mesmas?
É preciso deixar que soprem os ventos da Vontade para que todos os barcos cheguem ao seu ancoradouro, cumpram seus objetivos.
É preciso que tais portos sejam dignos e capazes de fazer com que, uma vez ali, os homens se vejam melhores, mais elevados e mais verticais!


#casadeeuterpe   #vontade   #iconografia


[i] sm.
1. Bot. Nome comum às plantas boragináceas do gênero Heliotropium, de flores miúdas, freq. roxas ou brancas, muito us. na medicina caseira e com fins ornamentais.
3. Bot. Ver girassol.
[F.: Do tax. Heliotropium < lat. heliotropium. Ver heli(o)- e -tropo.]
heliotrópio2 (he.li:o.tró.pi:o)
1. Bot. Qualquer planta cujas flores se voltam para o Sol.

Não Discuto com o Destino - Casa de Euterpe



Outro dia, estava escolhendo poesias para publicar na Casa de Euterpe quando me deparei com esse poeminha do Leminski.
Resolvi refletir um bocadinho a respeito do assunto, pois tenho pensado nisso ultimamente.
Aí está uma coisa interessante: não discutir com o destino. Mas será que não é bastante cômodo agir assim?
Afinal, parece fácil simplesmente encará-lo. Todavia, antes de “virar a página” e continuar lendo o livro é bom que lembremos que existe no Universo uma lei inexorável. Alguns a conhecem como lei de causa e efeito e outros, como lei do karma. Seja lá o nome que se lhe dê, o fato é que tudo o que “vai, volta” e o danado do destino que nos bate à porta foi construído, diligentemente, por nós mesmos, acreditemos nisso ou não... .
Diante dessa lei, tudo aquilo que emitimos – pensamentos, sentimentos, emoções, paixões e ações – retorna ao ponto de partida com a mesma força e intensidade. Assim, não há do que reclamarmos ou nos admirar. Não há o que discutir.
Não é de hoje que tentam alertar-nos para isso. Os filósofos estoicos (século III a. C. !) já diziam que somos “construtores de nosso próprio destino”. Ou seja, o que nos bate à porta hoje é exatamente a visita que convidamos ontem. Eventos positivos e negativos, dores e prazeres, sucesso e fracasso, alegria e tristeza... tudo é apenas o convidado chegando para a visita combinada.
Mais tarde, no século XIX, Helena Petrovna Blavatsky[i] ensinou que devemos eliminar as causas, quanto aos efeitos, deixar fluir. O que ela quis dizer foi que ao iniciarmos qualquer tipo de ação, seus frutos devem ser colhidos com dignidade. Assim, por um lado, de forma muito simples, o mau humor da manhã pode justificar uma série de ocorrências “estranhas” durante o dia! Por outro lado, o despertar alegre também justifica um dia em que “tudo deu certo”.
Não existem coincidências ou casualidades, apenas causalidade.
Para entendermos essa dinâmica, imaginemos aquelas figuras montadas com centenas de pedras de dominó: quando impulsionamos a primeira pedra e esta tomba sobre a próxima é impossível deter a sequência dos acontecimentos. Todas tombam, uma após as outras!
Assim funcionam os eventos cotidianos diante dos quais podemos ser atores ou meros expectadores. Quando não discutimos com o destino porque simplesmente entendemos a dinâmica dos acontecimentos e, melhor ainda, cuidamos de promover os melhores resultados possíveis, somos atores no cenário espetacular da vida. Todavia, quando olhamos o desenrolar dos fatos de forma a nos tornarmos suas vítimas, adormecidos e irresponsáveis, somos meros expectadores de um teatro que se desenrola à nossa revelia.
E agora?
Alguns dirão: se não há o que discutir, o que nos resta fazer?
Bem lembrado!
Vamos lá. Epicteto, filósofo estoico que viveu entre 55 e 135 d.C., define seu princípio filosófico agrupando as coisas em duas classes. Uma classe de coisas sobre as quais podemos exercer nosso poder e o conjunto daquelas sobre as quais não temos nenhum poder.
Entre as que não dependem de nós estão o corpo e a sua integridade, as riquezas, as honras. Entre as que dependem de nós estão nosso bem e nosso mal, pois elas são o resultado da nossa capacidade de fazer ou de não fazer algo. Agir bem é agir conforme a nossa natureza e a nossa razão. O que não está sobre nosso poder, além de não ser da nossa responsabilidade, não pode ser atingido por nossa vontade. Não adianta perder tempo!
As duas classes de coisas não podem estar juntas, pois são excludentes e uma destruirá a outra. Não considerar essa divisão é seguir o caminho que nos levará ao erro. Ao escolhermos viver para e seguindo as normas do conjunto de coisas que não dominamos, nos tornará escravos dessas mesmas coisas (moda, padrões de beleza, status). Mas ao rejeitarmos o que não está sob nossa dependência e dedicarmo-nos ao conjunto que dominamos – bondade, gentileza, proatividade, disciplina - , vai nos tornar livres e capazes de construirmos uma vida repleta de efeitos positivos e felizes.
Assim, temos muito que fazer e pouco que discutir...
O que pintar, eu assino!

#casadeeuterpe   #destino   #karma  #acontecimentos   #caminho   #acao   #disciplina   #proatividade  #bondade   #gentileza   #leminsk



[i] Foi uma das figuras mais notáveis do mundo no último quartel do século XIX. Ela abalou e desafiou de tal modo as correntes ortodoxas da Religião, da Ciência, da Filosofia e da Psicologia, que é impossível ficar ignorada. Foi uma verdadeira iconoclasta - ao rasgar e fazer em pedaços os véus que encobriam a Realidade.

"As feridas da alma... Machado de Assis

Art by Christian Schloe
#casadeeuterpe   #machadodeassis   #alma

Cultivo una Rosa Blanca - José Martí



#casadeeuterpe  #josemarti   #poesia

É Hora - Casa de Euterpe

        



           Diante de tantos acontecimentos estarrecedores, de crises econômicas, de sequestros e homicídios, penso que chegou a hora em que devemos refrear o ritmo e pensar: o que estamos fazendo de nosso entorno?

      Passou do tempo de questionarmos: de que forma estamos contribuindo para alimentar esse inconsciente coletivo que está influenciando a todos de maneira tão violenta? O que estamos fazendo para refrear essa loucura coletiva?


Essa reflexão é essencial para que possamos entender que não podemos mais continuar a viver da forma mecânica que sempre vivemos e que nos foi incentivada desde sempre.


É hora de modificar nossos hábitos, de voltar nossa atenção para o que existe de melhor dentro nós.


É hora que desviarmos nossos olhos da TV, da internet, dos jornais e das revistas, ou seja, do exterior e voltá-los para o interior de nós mesmos.


É hora de começarmos a trabalhar para aquilo que é necessário, para que assim possamos ser realmente humanos.
É hora de lembrarmos de que somos imortais, que nossa alma anseia pelo bom, pelo belo e pelo justo.


É hora de lembrarmos de que somos seres alados e de que não podemos mais permanecer apenas com os pés fincados na terra, mas que devemos manter nossas asas alçadas ao céu.


É hora de sabermos que essa atitude de mudança é um ato de vontade e que isso depende apenas de nós e de mais ninguém.


É hora de darmos o primeiro passo na direção do atemporal e dessa forma contribuirmos para a construção de um mundo melhor, mais junto e fraterno!


    #casadeeuterpe   #mudanças   #mundomelhor

"Trabalha... - Sêneca



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"As pessoas que possuem... - Thomas Hardy


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"Chamo de caráter... - Stendhal


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"Não há nada de mais belo... - Beethoven



#casadeeuterpe  #beleza   #beethoven

"Eu me perfumo... - Clarice Lispector



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Preconceitos - Casa de Euterpe



#casadeeuterpe   #preconceitos

O Verdadeiro Ecletismo - Casa de Euterpe

  

Sou graduada em Direito e passei parte da vida acadêmica estudando diversas correntes de pensamento. Em diversas disciplinas é fácil verificar que existem pelo menos três vertentes de ideias, sendo uma delas geralmente denominada eclética. É corriqueiro constatar que a chamada corrente eclética é um meio termo entre as duas outras, quaisquer que sejam elas. A esta última, eu e os demais alunos recorríamos quando estávamos em dúvida e comumente agradávamos, pois não havia dissenso quanto a ela.
Outro fato observável é relativo às nossas preferências. Quando questionados acerca de nossas predileções musicais, por exemplo, é comum respondermos que somos ecléticos. Com isso queremos dizer que gostamos de diversos gêneros, que quase tudo nos agrada. Isso se repete em relação a filmes, livros etc.
Assim, atualmente, o conceito de ecletismo deriva para significar preferências diversas. Em outras palavras, deriva para significar falta de definição. Quando afirmamos que somos ecléticos, queremos dizer que gostamos de qualquer coisa.
Essa postura, no entanto, jamais denotou ecletismo. Quando muito, indica insegurança, desconhecimento, indefinição.
Jesus, o grande Mestre nazareno, diz no livro do Apocalipse: “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Apocalipse 3:16).
Ensinou-nos o Messias a termos definição, postura decidida perante a vida. Ensinou-nos não a ser cinza, mas branco ou preto; não a ser morno, mas quente ou frio.
Dessa forma, o verdadeiro ecletismo não é estarmos sempre “em cima muro”. Ao contrário, o verdadeiro ecletismo exige que tenhamos atitude e tendo feito nossa escolha, respeitemos a opção do outro.
Eclético, portanto, é aquele que se posicionando, aceita e respeita profundamente os demais posicionamentos, ainda que diametralmente opostos ao dele. Gostando no negro, aceita e respeita todos aqueles que preferem o branco. Gostando de rock, aceita e respeita quem prefere música erudita, sertaneja, MPB...
Evelyn Beatrice Hall, escritora britânica (1868 – após 1939), deixou-nos um grande exemplo do verdadeiro ecletismo ao preconizar: "eu não concordo com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las".
É isso. Ser eclético não é ser indefinido e concordar com tudo. Não é viver ao sabor da maré das opiniões, mas, sim, assumir posições perante a vida e entender e respeitar todas as outras. É viver e deixar viver.

#casadeeuterpe #ecletismo #verdadeiroecletismo