quinta-feira, 8 de maio de 2014

"Os maus pensamentos... - HPB


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"A harmonia do mundo físico... - HPB


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"Se há um espírito imortal... - HPB


#casadeeuterpe   #blavatsky   "espírito

"Não podes caminhar... - HPB


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"A pessoa da matéria... - HPB


#casadeeuterpe   #blavatsky   #espírito

"A morte... - HPB


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"O potencial da humanidade - HPB


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O Toque do Clarim - Casa de Euterpe


Ao longe ouve-se inconfundível som...
Os clarins soam nítidos e cristalinos. Seu chamado é um canto de esperança, de guerra e de conquista. A Terra estremece e a música que deles ecoa é capaz de atingir as fimbrias do Ser e fazê-lo despertar de seu sono de séculos.
Aos poucos, asas dormentes começam a se movimentar. Estão pesadas por inércia. É difícil o movimento. Porém, ao tempo em que ouve o chamado das trompas, busca alçar-se em voo como em períodos remotos e quase esquecidos. Ergue-se paulatinamente... procura orientar-se diante do cenário ante o qual se encontra.
Ao longe, observa que exércitos se organizam no Campo de Kuru e orienta a atenção para reconhecê-los. Identifica duas hostes igualmente esplêndidas.
A memória, amiga de sua identidade, resgata antigas imagens e a Alma semidesperta pode nomear os litigantes. De um lado reconhece o exército dos Pandavas; do outro, o dos Kuravas. Recorda a nobre estirpe que ambos representam e vê nessas armadas altivos e destemidos guerreiros dispostos à Vitória.
Ouve generais emitirem ordens de comando e assiste príncipes se posicionarem para a luta. O brilho dos escudos, os uniformes engalanados e as armas posicionadas lhe ofuscam os olhos desacostumados às visões celestiais.
Ao longe, vê centenas de estandartes flamulando ao vento. Hastinapura ergue-se majestosa no horizonte e está em festa. Em suas amuradas pode pressentir uma assembleia de expectadores prontos para ovacionar aquele que ousar conquistá-la.
Percebe que ela própria é convocada à luta e que é preciso escolher em que polo lutar. Estremece de pavor ante a iminência do embate e as asas, antes alçadas, se encolhem novamente. A Alma se contrai sobre si mesma. Recusa-se a olhar para frente. Recusa-se a mirar os exércitos. Recusa-se a proceder à escolha. Recusa-se à batalha. O medo da perda, o medo da dor, o medo da morte impede-lhe os passos.
Nesse estado de terror estupidificante, percebe majestoso carro de guerra posicionar-se entre as hostes preparadas para a batalha. Olha fixamente nessa direção e vê no comando da biga dourada um Ser Esplendoroso. Luz emana em todas as direções. Os exércitos silenciam. A Alma reconhece o Excelso Condutor: Krishna.
É Ele pessoalmente quem comanda a caleça puxada por magnifica quadriga de cavalos brancos. Imponente, o Deus dirigi-lhe o olhar. Mesmo àquela distância pode sentir o fogo que emana dos profundos olhos divinos. Pode sentir o poder que procede daquele Ser Sublime que se dignou a atentar para ela. Comovida, devolve-lhe a mirada.
Ao verificar a correspondência ao seu chamado, Krishna dirige o carro em sua direção... Seu coração se acelera, lágrimas lhe escorrem pela face e se põe à espera da aproximação célere da Divindade. O Deus se acerca dela. Interrompe a corrida e estanca o carro junto de si... Desde o alto, o Celeste Condutor dirige-lhe a atenção, estende-lhe a mão e lhe diz em um sussurro que, apesar disso, pode ser ouvido pela eternidade: VEM...
As asas se movimentam, o ar se revoluta, os clarins emitem novamente sua canção e os exércitos aclamam em uníssono. Ela se ergue de um salto e alcança a Mão que lhe está estendida. É alçada para o interior do carro. Ali, encontra o arco que lhe foi confiado a muito tempo. Empunha a arma e volta a face na direção do Deus. Seus olhares se cruzam e seu pensamento capta o que ele quer lhe dizer: luta... persevera... confia... Eu estou contigo hoje e sempre...

Já não há mais dúvida...

Já não há mais solidão...

Já não há mais medo...

Já não há mais possibilidade de desistência... pois, em seu íntimo mais profundo, sabe que o Divino Mestre jamais a abandonará e que jamais será esquecida...

#casadeeuterpe   #filosofia   #clarim   #krishna   #alma   #mestre   #discípulo

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Birra - Wilson Pereira


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O Amigo - Wilson Pereira


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História Mal Contada - May Shuravel


Quis fazer a quarta história
com rainhas bem malvadas,
princesinhas delicadas
e os nobres mais diversos.
Quis também fazê-la em versos,
bem rimada e na medida
pra ficar mais divertida
de contar pra vocês.

No início, até foi fácil:
inventei que um certo conde
escondeu, sei lá onde,
o chapéu da princesinha,
a coroa da rainha
e a peruca da duquesa,
pra depois, por malvadeza,
pôr a culpa no marquês.

(...)
vasculhei quarenta quartos
cem caixotes, mil gavetas,
cento e trinta e três saletas
e um porão empoeirado.
Tudo em vão! Desanimado,
sem poder fingir mais nada,
eu gritei: “Que palhaçada
que o maldito conde fez!”

Eu já ia desistindo,
quando tive uma surpresa:
descobri, perto da mesa,
um baú misterioso,
que eu, muito curioso,
logo vi estar trancado,
mas um pontapé bem dado
fez a coisa abrir de vez.

Achei lá uma coroa,
um chapéu, uma peruca
e – que coisa mais maluca –
um gatinho siamês,
um cachorro pequinês,
uma taça de xerez,
um boné de lã xadrez
e o coitado do marquês!

O chapéu, dei pra princesa,
A peruca, pra duquesa,
A coroa, pra rainha,
Um ossinho pro cachorro,
Uma anchova pro gatinho
E um golinho no xerez;
Pus o boné na cabeça...
E dei adeus pro marquês.

May Shuravel

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No Banco de Jardim - Carlos Drummond de Andrade


No banco de jardim,
o tempo se desfaz
e resta entre ruídos
a corola de paz.

No banco de jardim,
a sombra se adelgaça
e entre besouro e concha
de segredo, o anjo passa.

No banco de jardim,
o cosmo se resume
em serena parábola,
impressentido lume.

Carlos Drummond de Andrade

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Retrato - Millôr Fernandes


Comendo em cantos
Desconfiado

Quente e lustroso
Curvo e sedoso
Esgar de boca
Rasgado grito
Quando assustado
Bigode hirto
Andar felino
E feminino
Olhar que acende
À luz que apaga
A ronroneira
Quando ressona
O encolhimento
Antes do salto
Filosofia
Do dia-a-dia
Falso abandono
Ante seu dono
Um ódio eterno
A seu inimigo
Expressão mística
De um Egito antigo
Olhos de outrora
Se entramos tarde
Da madrugada
Se é dia claro
Ou é luz morna
Quando entardece
Tem infantil
Uma pata esquerda
Que rola a bola,
Que rola o rolo
Que furta o bolo.
Esse o retrato
De um bicho esquivo
Chamado gato.

Millôr Fernandes

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Oração para Aviadores - Manuel Bandeira


Santa Clara, clareai
Estes ares.
Dai-nos ventos regulares,
de feição.
Estes mares, estes ares
Clareai.

Santa Clara, dai-nos sol.
Se baixar a cerração,
Alumiai
Meus olhos na cerração.
Estes montes e horizontes
Clareai.

Santa Clara, no mau tempo
Sustentai
Nossas asas.
A salvo de árvores, casas,
E penedos, nossas asas
Governai.

Santa Clara, clareai.
Afastai
Todo risco.
Por amor de S. Francisco,
Vosso mestre, nosso pai,
Santa Clara, todo risco
Dissipai.

Santa Clara, clareai.

Manuel Bandeira

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O que os Olhos Não Veem - Ruth Rocha




Havia uma vez um rei
num reino muito distante,
que vivia em seu palácio
com toda a corte reinante.
Reinar pra ele era fácil, 
ele gostava bastante. 

Mas um dia, coisa estranha!
Como foi que aconteceu?
Com tristeza do seu povo
nosso rei adoeceu.
De uma doença esquisita,
toda gente, muito aflita,
de repente percebeu...

Pessoas grandes e fortes
o rei enxergava bem.
Mas se fossem pequeninas, 
e se falassem baixinho,
o rei não via ninguém.

Por isso, seus funcionários
tinham de ser escolhidos
entre os grandes e falantes,
sempre muito bem nutridos.
Que tivessem muita força,
e que fossem bem nascidos.
E assim, quem fosse pequeno,
da voz fraca, mal vestido,
não conseguia ser visto.
E nunca, nunca era ouvido.

O rei não fazia nada
contra tal situação;
pois nem mesmo acreditava
nessa modificação.
E se não via os pequenos
e sua voz não escutava,
por mais que eles reclamassem
o rei nem mesmo notava.

E o pior é que a doença
num instante se espalhou.
Quem vivia junto ao rei
logo a doença pegou.
E os ministros e os soldados,
funcionários e agregados,
toda essa gente cegou.

De uma cegueira terrível,
que até parecia incrível
de um vivente acreditar,
que os mesmos olhos que viam
pessoas grandes e fortes,
as pessoas pequeninas
não podiam enxergar.

E se, no meio do povo,
nascia algum grandalhão,
era logo convidado
para ser o assistente
de algum grande figurão.
Ou senão, pra ter patente
de tenente ou capitão.
E logo que ele chegava,
no palácio se instalava;
e a doença, bem depressa,
no tal grandalhão pegava.

Todas aquelas pessoas,
com quem ele convivia,
que ele tão bem enxergava,
cuja voz tão bem ouvia,
como num encantamento,
ele agora não tomava
o menor conhecimento...

Seria até engraçado
se não fosse muito triste;
como tanta coisa estranha
que por esse mundo existe.

E o povo foi desprezado,
pouco a pouco, lentamente.
Enquanto que próprio rei
vivia muito contente;
pois o que os olhos não veem,
nosso coração não sente.

E o povo foi percebendo
que estava sendo esquecido;
que trabalhava bastante,
mas que nunca era atendido;
que por mais que se esforçasse
não era reconhecido.

Cada pessoa do povo
foi chegando á convicção,
que eles mesmos é que tinham
que encontrar a solução
pra terminar a tragédia.
Pois quem monta na garupa
não pega nunca na rédea!

Eles então se juntaram,
Discutiram, pelejaram,
E chegaram à conclusão
Que, se a voz de um era fraca,
Juntando as vozes de todos
Mais parecia um trovão.

E se todos, tão pequenos,
Fizessem pernas de pau,
Então ficariam grandes,
E no palácio real
Seriam logo avistados,
Ouviriam os seus brados,
Seria como um sinal.

E todos juntos, unidos,
fazendo muito alarido
seguiram pra capital.
Agora, todos bem altos
nas suas pernas de pau.
Enquanto isso, nosso rei
continuava contente.
Pois o que os olhos não veem
nosso coração não sente...

Mas de repente, que coisa!
Que ruído tão possante!
Uma voz tão alta assim
só pode ser um gigante!
- Vamos olhar na muralha.
- Ai, São Sinfrônio, me valha
neste momento terrível!
Que coisa tão grande é esta
que parece uma floresta?
Mas que multidão incrível!

E os barões e os cavaleiros,
ministros e camareiros,
damas, valetes e o rei
tremiam como geleia,
daquela grande assembleia,
como eu nunca imaginei!

E os grandões, antes tão fortes,
que pareciam suportes
da própria casa real;
agora tinham xiliques
e cheios de tremeliques
fugiam da capital.

O povo estava espantado
pois nunca tinha pensado
em causar tal confusão,
só queriam ser ouvidos,
ser vistos e recebidos
sem maior complicação.

E agora os nobres fugiam,
apavorados corriam
de medo daquela gente.
E o rei corria na frente,
dizendo que desistia
de seus poderes reais.
Se governar era aquilo
ele não queria mais!

Eu vou parar por aqui
a história a que estou contando.
O que se seguiu depois
cada um vá inventando.
Se apareceu novo rei
ou se o povo está mandando,
na verdade não faz mal.
Que todos naquele reino
guardam muito bem guardadas
as suas pernas de pau.

Pois temem que seu governo
possa cegar de repente.
E eles sabem muito bem
que quando os olhos não veem
nosso coração não sente.

Ruth Rocha

#casadeeuterpe   #ruthrocha   #osolhos

A Boneca - Olavo Bilac


Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.

Dizia a primeira : "É minha!"
— "É minha!" a outra gritava;

E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.

Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.

Tanto puxavam por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.

E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando a bola e a peteca,
Ambas por causa da briga,
Ficaram sem a boneca...

Olavo Bilac
#casadeeuterpe   #olavobilac   #boneca

Telha de Vidro - Raquel de Queiroz


Quando a moça da cidade chegou,
veio morar na fazenda
na casa velha...
tão velha...
quem fez aquela casa foi seu bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
Mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha..a.
A moça não disse nada;
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro,
queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora 
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda.
Tão clara que, ao meio-dia, aparece uma renda
de arabescos de sol nos ladrilhos vermelhos
que, apesar de tão velhos,
só agora conhecem a luz do dia...

A lua branca e fria
também se mete às vezes pelo claro
da telha milagrosa...
ou alguma estrelinha audaciosa
carateia no espelho onde a moça se penteia...
Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta, fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você não experimenta?
A moça foi tão bem sucedida?
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

Raque de Queiroz

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A Arca de Noé - Vinícius de Moraes


Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.
O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.

E abre-se a porta da Arca
De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca

Noé, o inventor da uva
E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.

Tão verde se alteia a serra
Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"

E sai levando a família
A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.

Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.

E logo após, no buraco
De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.

Enquanto, entre as altas vigas
Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora a cabeça botam.

Grita uma arara, e se escuta
De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.

A Arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair.
Vai! Não vai! Quem vai primeiro?
As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.

Enquanto, em grande atropelo
Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pelo
Pela terra prometida.

"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre — "Não!"

Afinal, e não sem custo
Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.

Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.

Conduzidos por Noé
Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista

Na serra o arco-íris se esvai . . .
E . . . desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória

Enchem o céu de seus caprichos
É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos
Na terra repovoada.

Vinícius de Moraes

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A Casa - Vinícius de Moraes



Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero

Vinícius de Moraes

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Sonhos da Menina - Cecília Meirele


A flor com que a menina sonha
está no sonho?
ou na fronha?
Sonho 
risonho:
O vento sozinho
no seu carrinho.
De que tamanho 
seria o rebanho?
A vizinha
apanha
a sombrinha
de teia de aranha . . .
Na lua há um ninho
de passarinho.
A lua com que a menina sonha
é o linho do sonho
ou a lua da fronha?

Cecília Meireles

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Leilão de Jardim - Cecília Meireles

Art by Sarah Kay

Quem me compra um jardim
com flores?
borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis
nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é meu leilão!)

Cecília Meireles

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As Borboletas - Vinícius de Moraes


Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!

Vinícius de Moraes

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terça-feira, 6 de maio de 2014

La Vida es Sueño - Vicente Huidobro


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Quebrá la Luna - Gioconda Belli


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"A grande lei da cultura... - Thomas Carlyle

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Os Amigos - Sophia de Mello Breyner Andresen


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"Interrogado sobre a diferença... - Aristóteles


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Como é Difícil Ser Natural - Miguel Torga


É curioso como é difícil ser natural. Como a gente está sempre pronta a vestir a casaca das ideias, sem a humildade de se mostrar em camisa, na intimidade simples e humana da estupidez ou mesmo da indiferença. Fiz agora um grande esforço para dizer coisas brilhantes da guerra futura, da harmonia dos povos, da próxima crise. E, afinal de contas, era em camisa que eu devia continuar quando a visita chegou. No fundo, não disse nada de novo, não fiquei mais do que sou, não mudei o curso da vida. Fui apenas ridículo. Se não aos olhos do interlocutor, que disse no fim que gostou muito de me ouvir, pelo menos aos meus, o que ainda é mais penoso e mais trágico.

Miguel Torga

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"Do atrito de duas pedras... - Victor Hugo


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segunda-feira, 5 de maio de 2014

"O mal de quem apaga... - Miguel Torga


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Só Hoje - Dale Carnegie


1. Só hoje, vou ser feliz. Isto pressupõe que o que Abraham Lincoln disse é verdadeiro: «A maioria das pessoas é feliz na medida em que resolve sê-lo.» A felicidade está dentro de nós, não é uma questão exterior.

2. Só hoje, vou tentar adaptar-me às coisas como elas são e não tentar adaptar tudo aos meus próprios desejos. Vou aceitar a minha família, o meu trabalho e a minha sorte tal como são e adaptar-me a eles.

3. Só hoje, vou cuidar do meu corpo. Vou exercitá-lo, cuidar dele, nutri-lo, não abusar dele nem negligenciá-lo, para que seja uma máquina perfeita ao meu dispor.

4. Só hoje, vou tentar fortalecer a minha mente. Vou aprender alguma coisa útil. Não vou ser um preguiçoso mental. Vou ler alguma coisa que exija esforço, raciocínio e concentração.

5. Só hoje, vou exercitar a minha mente de três maneiras: vou fazer bem a alguém sem essa pessoa descobrir. Vou fazer pelo menos duas coisas que não quero fazer, como sugere William James, só para me exercitar.

6. Só hoje, vou ser agradável. Vou apresentar-me o melhor que puder, vestir-me o mais corretamente possível, falar baixo, ser cortês, ser pródigo nos elogios e não criticar nada, não achar defeitos em nada nem tentar controlar ou corrigir ninguém.

7. Só hoje, vou tentar viver a minha vida um dia de cada vez e não tentar resolver todos os meus problemas ao mesmo tempo. Durante doze horas, posso fazer coisas que me intimidariam se tivesse de fazê-las durante a vida inteira.

8. Só hoje, vou ter um plano. Vou escrever o que espero fazer em cada hora. Posso não o seguir à risca, mas tenho-o à minha disposição. Isso vai eliminar dois males: a pressa e a indecisão.

9. Só hoje, vou passar uma meia hora tranquila sozinho a descontrair. Durante essa meia hora, vou pensar algumas vezes em Deus, para conseguir ter uma perspectiva um pouco melhor da minha vida.

10. Só hoje, não vou ter medo. Sobretudo, não vou ter medo de ser feliz, de desfrutar do que é belo, de amar e de acreditar que aqueles que amo também me amam.

Dale Carnegie (citando Sibyl F. Partridge) in ‘Como Deixar de Se Preocupar e Começar a Viver '

#casadeeuterpe   #dalecarnegie   #hoje

Somos aquilo que Pensamos - Dale Carnegie


Os nossos pensamentos determinam aquilo que somos. A nossa atitude mental é o factor X que determina o nosso destino. Emerson disse: «Um homem é aquilo em que pensa o dia inteiro». Como poderia ser outra coisa qualquer? Estou convencido, sem qualquer sombra de dúvida, que o maior problema que temos de enfrentar - na realidade, trata-se praticamente do único problema que temos de enfrentar - é a escolha dos pensamentos certos. Se conseguirmos, estaremos no caminho certo para resolver todos os nossos problemas. Marco Aurélio, o grande filósofo que governou o Império Romano, resumiu esta questão em onze palavras — onze palavras que podem determinar o seu destino: «A nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos fazem dela».

É verdade, se pensarmos em coisas felizes, seremos felizes. Se pensarmos em desgraças, seremos uns desgraçados. Se pensarmos em coisas assustadoras, viveremos com medo. Se pensarmos em doenças, ficaremos provavelmente doentes. Se pensarmos em falhar, é certo que falhamos. Se ficarmos mergulhados em autocomiseração, vão todos afastar-se de nós e evitar-nos. Norman Vincent Peale afirmou: «Tu não és o que pensas que és; tu és o que tu pensas».

Estarei eu a defender uma típica atitude de Pollyanna (clássico de Eleane H. Porter, que retrata uma personagem excessivamente optimista) em relação aos nossos problemas? Não, infelizmente, a vida não é assim tio simples. Mas defendo que devemos assumir uma atitude positiva em vez de uma atitude negativa. Por outras palavras, temos de dar importância aos nossos problemas, mas não preocupar-nos como eles. Qual é a diferença entre dar importância e preocupar-se? Eu dou um exemplo: sempre que atravesso as ruas congestionadas de Nova Iorque, dou importância àquilo que estou a fazer, mas não me preocupo. Dar importância significa ter consciência dos problemas e tomar calmamente as medidas necessárias. Preocupar-se significa andar inutilmente às voltas até dar em louco.

Uma pessoa pode dar importância aos seus problemas sérios e, ainda assim, caminhar de cabeça erguida e com um cravo na lapela.

Dale Carnegie

#casadeeuterpe    #dalecarnegie    #pensamento

Ser Diferente - Agostinho da Silva


A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.

Agostinho da Silva


#casadeeuterpe   #agostinhodasilva   #diferença

"O problema não está em sermos diferentes... - José Saramago



#casadeeuterpe   #josesaramago   #diferença

"As religiões... - Ghandi


#casadeeuterpe   #ghandi   #religiões

Borboletas

Quando assisti  esse vídeo, me emocionei...
Vale a pena vê-lo.


https://www.youtube.com/watch?v=0JqwYrftXeI

#casadeeuterpe   #borboletaazul

"Não se lesa ninguém... - Kant


#casadeeuterpe   #kant   #palavra

"Quanto mais amor... - Kant

Art by Tatyana Markovtsev
#casadeeuterpe   #kant   #amor

"Age de tal modo... - Kant


#casadeeuterpe   #kant   #moral

" A moral ... Kant

Art by Vladimir Ivancan
#casadeeuterpe   #kant   #moral

"Age de modo que consideres a humanidade... - Kant


#casadeeuterpe   #kant   #humanidade

Maio


Está fazendo um dia lindo de outono. A praia estava cheia de um vento bom, de uma liberdade. E eu estava só. E naqueles momentos não precisava de ninguém. Preciso aprender a não precisar de ninguém. É difícil, porque preciso repartir com alguém o que sinto. O mar estava calmo. Eu também. Mas à espreita, em suspeita. Como se essa calma não pudesse durar. Algo está sempre por acontecer. O imprevisto me fascina.

Clarice Lispector

#casadeeuterpe   #claricelispector   #maio

domingo, 4 de maio de 2014

El Ángel Guardián - Gabriela Mistral


Es verdad, no es un cuento;
hay un Ángel Guardián
que te toma y te lleva como el viento
y con los niños va por donde van.

Tiene cabellos suaves
que van en la venteada,
ojos dulces y graves
que te sosiegan con una mirada
y matan miedos dando claridad.

(No es un cuento, es verdad.)

El tiene cuerpo, manos y pies de alas
y las seis alas vuelan o resbalan,
las seis te llevan de su aire batido
y lo mismo te llevan de dormido.
Hace más dulce la pulpa madura
que entre tus labios golosos estruja;
rompe a la nuez su taimada envoltura
y es quien te libra de gnomos y brujas.

Es quien te ayuda a que cortes las rosas,
que están sentadas en trampas de espinas,
el que te pasa las aguas mañosas
y el que te sube las cuestas más pinas.

#casadeeuterpe   #gabrielamistral   #anjo

"Deus... - Albert Einstein


#casadeeuterpe   #alberteinsteins   #acaso

"Quero viver num mundo... - Pablo Neruda


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Não Calar - José Saramago



Há uma regra fundamental quando se vive como nós estamos a viver – em sociedade, porque somos uns animais gregários – que é simplesmente não calar. Não calar! Que isso possa custar em comunidades várias a perda de emprego ou más interpretações já o sabemos, mas também não estamos aqui para agradar a toda a gente. Primeiro, porque é impossível, e segundo, porque se a consciência nos diz que o caminho é este então sigamo-lo e quanto às consequências logo veremos.

José Saramago

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Se Me Esqueceres - Pablo Neruda

Art by Moony Khoa Le

Quero que saibas
uma coisa.

Sabes como é:
se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono à minha janela,
se toco
junto do lume
a impalpável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva para ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fosse pequenos barcos que navegam
até às tuas ilhas que me esperam.

Mas agora,
se pouco a pouco me deixas de amar
deixarei de te amar pouco a pouco.

Se de súbito
me esqueceres
não me procures,
porque já te terei esquecido.

Se julgas que é vasto e louco
o vento de bandeiras
que passa pela minha vida
e te resolves
a deixar-me na margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
a essa hora
levantarei os braços
e as minhas raízes sairão
em busca de outra terra.

Porém
se todos os dias,
a toda a hora,
te sentes destinada a mim
com doçura implacável,
se todos os dias uma flor
uma flor te sobe aos lábios à minha procura,
ai meu amor, ai minha amada,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor alimenta-se do teu amor,
e enquanto viveres estará nos teus braços
sem sair dos meus.

Pablo Neruda

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"E a minha voz nascerá... - Pablo Neruda

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"Se sou amado... - Pablo Neruda


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Poema de Kabir - Forma e Sem Forma


Isso que vês, não é.

E, para o que é, não tenho palavras.
Até que o vejas, de que vale falar
O erudito derrama-se em falação,

E o ignorante cala-se pasmo.

Alguns visualizam a forma.
Outros meditam no sem-forma.
Mas o sábio o contempla além de ambos.
Sua beleza não se entrega aos olhos.
Sua harmonia não se dá aos ouvidos.
Kabir diz: Funde aspiração e desapego,

E não descerás outra vez ao país dos mortos

Fonte: Poema 49- obra: Kabir, cem poemas

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Ramayana


"O coração, Bharata... atenta para o teu coração e não o sufoques. Lá vive a alma, clara, nunca manchada, vendo tudo o que fazemos ou tencionamos fazer. Assim, deixe que o homem fique em silêncio e encontre o seu coração. Esta é a única salvação segura".

Senhor Rama em Ramayana

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