sexta-feira, 4 de abril de 2014

O Que os Deuses Podem nos Ensinar - Casa de Euterpe





QUEM ERAM OS DEUSES DO OLIMPO?[1]


Na antiguidade grega, a religião e a mitologia eram constituídas por um casa supremo – Zeus e Hera – e outros doze deuses, que eram seus pares complementares.

Havia duas maneiras de entendê-los:

· a primeira, mais simples e concreta, era chamada visão de Homero, que encontramos na Ilíada e na Odisseia. Nessa visão, os deuses só se diferenciavam dos homens por serem mais poderosos e imortais. Tinham, além de forma humana, paixões, rancores, ciúmes, preferências, enfim, dos os atributos humanos;

· a segunda maneira de entendê-los é encontrada em Hesíodo, em suas obras Teogonia e Os Trabalhos e os Dias. Nelas é mostrada uma concepção metafísica e abstrata dos deuses. Eles não eram apenas poderosos e imortais, mas potências e manifestações cósmicas em busca de uma ordem que superasse o caos. Todos eram formas da criação e buscavam consolidá-la.

A segunda visão, mais profunda e exata, era a dos sacerdotes e dos iniciados. Ontem, como hojem, sempre existiram duas maneiras de ensinar: uma, mais simples, destinado ao povo e outra, mais profunda, destinada aos iniciados.

Apesar de apenas a visão mais simples ter chegado até nós, ambas estavam corretas. Os antigos sabiam que, por exemplo, seria muito difícil para uma criança ou um camponês entender que Zeus e Hera eram “as potências complementares da criação, sendo ele a força que se expande infinitamente, e que tudo o que toca se multiplica, enquanto ela é a potência fecunda, que busca consolidar tudo que é criado – como aliás convém ao arquétipo feminino, cujo atributo fundamental não é apenas dar a vida, mas dela cuidar para fortalecê-la”.

Em linguagem mais simples (de Homero) isso era explicado de maneira muito mais fácil de entender: Zeus era a paixão que não se continha e, por isso, era infiel à sua esposa, tendo inúmeras relações extraconjugais, das quais nasceram muitos deuses, semideuses e heróis. Já Hera morria de ciúmes dele e estava sempre tentando aniquilar as amantes de seu esposo e os filhos nascidos dessas uniões. No entanto, os que sobreviviam às suas perseguições eram aceitos por ela, ou eram metamorfoseados em forças cósmicas, ou, ainda, consagrados.

Dessa maneira, os antigos conseguiam ensinar às crianças e às pessoas mais simples a religião de um modo mais humano e apaixonante, usando uma linguagem mais acessível, que todos entendiam.

Os antigos reuniam os deuses de acordo com as seguintes funções:

Zeus: deus da criação e da expansão.
Hera: deusa da fecundidade, da consolidação e do fortalecimento.
Apolo: deus da profecia, da luz, da beleza, da música, da poesia e das artes.
Ártemis: deusa que honra e protege o sagrado na natureza.
Atená: deusa da sabedoria, da justiça e da equidade.
Afrodite: deusa do amor e da entrega.
Ares: deus do espírito de luta e dos combates.

As divindades que têm o nome começado pela letra A (não é casual) eram chamadas de deuses da transcendência, porque cada um, a seu modo, ensinavam os homens as artes para se elevarem espiritualmente.

Héfesto: deus das ferramentas e dos instrumentos.
Héstia: deusa protetora do sagrado do lar e do interior de cada um.
Hermes: deus condutor das almas após a morte no caminho para voltarem a viver. Era, além disso, o condutor dos homens na Terra.

As divindades que têm nome iniciado com a letra H (o E com som longo em grego – ETA) eram chamadas de divindades da permanência, pois ensinavam aos homens as artes para se viver na Terra. A deusa Hera as presidia.

Deméter: deusa da fertilidade e das artes para se voltar a viver. Simboliza as estações do ano e a regeneração da natureza.
Dionísio: deus do vinho, do êxtase e da alegria. É o deus que ensina a conviver com o outro, por excelência.

Esses eram chamados de deuses da imanência, pois ensinavam aos homens como adentrar o mistério do interior da terra, em si mesmos e nos outros. Presidiam os Mistérios de Eleusias (da libertação) e também não é casual que seus nomes comecem com a letra D (delta grego).

Posseidon: deus dos mares e das tarefas inadiáveis para se viver.

Hades: é o deus dos mortos e vingador dos falsos juramentos. Era conhecido como deus do abissal, juntamente com sua esposa Perséfone, também chamada de juíza infernal. Juntos presidiam o julgamento dos mortos para avaliar se poderiam voltar a viver. O nome desse deus em grego não começa com a letra H, mas com A.

A HIRARQUIA OLÍMPICA[2]

É preciso que se note que a proximidade de Zeus com os demais deuses é aparente. De acordo com Homero, na Ilíada, a distância que separa Zeus e Hera dos demais deuses é a mesma que separa os homens dos deuses. É um erro achar que os deuses olímpicos estavam todos em um mesmo plano e que Zeus e Hera eram apenas os maiores. Havia, na verdade, uma enorme distância entre o casal divino e os demais deuses. Além disso, eles exerciam funções diferentes.

Logo abaixo de Zeus estão as chamadas divindades da transcendência, que eram aquelas dedicadas às artes mais elevadas, ou seja, o amor, o culto ao sagrado, à luz, música e artes em geral e espírito combativo justo. São elas: Afrotide, Apolo, Atená e Ares.

A seguir estão as divindas da permanência, tendo Hera no centro geométrico da hierarquia. É preciso notar que essas divindades não são inferiores às descritas acima. Muito pelo contrário, elas equivalem-se, exercendo, no entanto, funções diferentes. Essas divindades eram consagradas à arte de viver na Terra. São elas: Hefésto, Hermes, Hera e Héstia.

Logo depois encontramos as divindades consagradas à imanência, ou seja, aos mistérios do interior da Terra, de seu cultivo e da arte do renascimento – o que os antigos chamavam de morrer e voltar a viver. São elas: Dionísio, Deméter e Posseidon.

Finalmente, vemos, ao pé do diagrama, as chamadas divindades consagradas ao abissal, que eram aquelas que regiam o reino dos mortos. Estavam consagradas à purificação e à preparação para uma nova vida. São elas: Hades e Perséfone.

Zeus e Hera (ele encontrando-se no topo do diagrama, e ela, no centro) são os que governam a hierarquia, e não devemos confundir as posições superiores e inferiores das divindades com o fato de terem maior ou menor importância, mas sim com anterior e posterior. Ou seja: as divindades que estão na parte mais baixa do diagrama são as fundamentais para a arte de viver na Terra, enquanto as que se encontram no topo são consagradas à preparação da conquista da imortalidade, isto é, são consagradas ao que na antiguidade era denominado o caminho do herói.
O QUE APRENDER COM ELES?
Zeus e Hera

Significa o impulso divino que está sempre em ação. Tudo o que toca multiplica-se e expande-se. É o conúbio entre o temporal e o eterno, pois renova a vida infinitamente. É a potência que se expande em criações que consolidam a vida. Luta eternamente para vencer o caos e a destruição. Cultuar Zeus significa praticar a criação, sendo seu instrumento, e opor-se à destruição e ao caos.

Hera é o par complementar de Zeus, tendo os dois atributos do feminino por excelência: a fecundidade e a dedicação para conservar e fortalecer toda a obra criada. Hera é o princípio materno que cuida e consolida tudo o que é criado. Sem criação não há o que cuidar e consolidar, pois tudo cai em um vazio que beira a dissolução e o caos.

Assim, Zeus e Hera são os pares complementares dos quais surge e se consolida a obra criada, sendo os arquétipos masculino e feminino. Ele é a potência que se expande e multiplica-se infinitamente. Ela é a potência que contém, pondo à prova, consolidando e fortalecendo a criação.

Esse casal é um exemplo a ser seguido, cabendo a cada um encontrar dentro de si – seja homem ou mulher – sua porção Zeus e sua porção Hera, cultivando-a e aperfeiçoando-a.

O mito de Zeus:

Era filho de Cronos e Reia. Cronos e Rea eram Titãs e detinham o controle do mundo. De acordo com Hesíodo, era o filho mais novo de Cronos e Reia, irmão de Héstia, Deméter, Hera, Hades e Poseidon.

Cronos derrotou seu próprio pai, Urano, e tomou para si o poder, tornando-se senhor dos antigos deuses. Mas ouviu de Gaia e de seu próprio pai, que ele estava destinado à também ser derrotado e condenado por um de seus próprios filhos. Na tentativa de salvar-se do destino, o titã engolia todos os seus filhos à medida em que nasciam, deixando Reia desolada. Porém, estando Reia grávida novamente, e temendo pelo futuro do filho, implorou aos seus pais, Gaia e Urano (a Terra e o Céu), para que divisassem um meio de ter seu filho em segurança e criá-lo escondido do pai, até que um dia ele o fizesse pagar pelos filhos que havia engolido. Os dois deuses orientaram-na a se dirigir à Lyktos, em Creta, onde ela deu à luz a seu filho mais jovem e deu-lhe o nome de Zeus. Lá ela escondeu o bebê em uma caverna de difícil acesso, encravada nas montanhas da Egeia, em meio a densas florestas. Ela então envolveu uma pedra com roupas de bebê e a entregou a Cronos, que a engoliu sem descobrir o logro.Longe do pai e criado por ninfas, rapidamente sua coragem e sua força cresceram, e quando o tempo chegou, Cronos foi derrotado pelo estratagema e pela força de seu filho e, destronado, foi obrigado a devolver os deuses que haviam sido engolidos. O primeiro a ser lançado para fora foi a pedra com que Reia enganara o marido, a última a ser engolida. Ele tomou posse do trono do pai e dividiu os domínios de Cronos entre seus irmãos. Ele a colocou no solo sagrado de Pytho, o local do oráculo de Delfos, para servir de monumento e maravilha para os homens mortais. Ainda libertou os irmãos de seu pai do exílio, ou seja, os filhos de Urano que haviam sido aprisionados por este, e eles retribuíram dando-lhe além de graças, o trovão, o relâmpago e o raio, que a Terra havia deixado escondidos até então. Como rei dos deuses, governava o mundo e as outras divindades.

Era mais poderoso que todos os outros deuses juntos. Exigia que todos obedecessem a suas leis e punia imediatamente todos aqueles que as violavam. Podia provocar tempestades e disparar seus trovões para punir os homens. Era também acompanhado por uma águia que carregava seus trovões.

O mito de Hera

As crises de ciúme provocadas pela infidelidade de seu esposo, Zeus, marcaram o comportamento da deusa grega Hera em muitos episódios da mitologia.

Hera, na mitologia grega, era filha de Cronos e Reia, irmã e esposa de Zeus.

Venerada como rainha dos deuses em Esparta, Samos, Argos e Micenas, tinha entre as duas últimas cidades um templo famoso por abrigar uma bela estátua sua, esculpida em ouro e marfim por Policleto.

Embora, na lenda, Hera figure como deusa da vegetação, foi em geral considerada rainha do empíreo - o céu - e protetora da vida e da mulher.

Esta última característica tornava-a também protetora da fecundidade e do matrimônio, pelo que recebeu o nome de Ilítia, atribuído em outras ocasiões a uma filha sua. Foram também seus filhos Hebe, a juventude florida; Ares, deus da guerra; e Hefesto, deus ferreiro.

O ciúme despertado pelas constantes infidelidades de Zeus levou-a a perseguir encarniçadamente as amantes do marido e os filhos oriundos dessas uniões de Zeus.

Hera intervém com muita frequência nos assuntos humanos: protegeu os aqueus na guerra de Tróia e velou, igualmente, pelos argonautas, para que seu barco passasse sem perigo pelos temíveis rochedos de Cila e Caribde.

Seus atributos são o cetro e o diadema, o véu (associado à mulher casada) e o pavão (símbolo da primavera).

Na Mitologia Romana, Hera foi identificada com a deusa Hera.

Apolo e Ártemis

Apolo representa a alegria do nobre, do bom e do belo, da música e da criação. É o raio de luz que abre os caminhos da escuridão, da incerteza e da ignorância de nós mesmos e dos outros. É a intuição, que mediante seu poder oracular exorta todo ser vivo a buscar em si essa luz.

Seu instrumento é a lira de sete cordas, cada uma representando, segundo a tradição, uma vibração da alma. Aprender a tocar a lira é a mesma coisa que aprender a “tocar” nossa alma, com harmonia e beleza.

Ártemis, irmã gêmea de Apolo, é também seu par complementar. Se Apolo conduz a luz do Sol, Ártemis conduz a luz da Lua. Ele é a exterioridade do masculino; ela, a interioridade do feminino.

É a misteriosa deusa lunar porque exige que os ciclos da natureza e da fecundidade sejam honrados e consagrados para que a vida na Terra possa continuar a florescer. Suas leis não se aplicam apenas à natureza em geral. Incluem nossa vida interior e o respeito aos nossos limites e nossas possibilidades. Referem-se, também, à preservação de nós mesmos, física e espiritualmente.

As leis de Ártemis são um alerta para o homem moderno. Se quiser uma vida realmente saudável, terá de começar a respeitar a si próprio, pois seu corpo e espírito são a versão microcósmica do macrocosmo que é a natureza. As leis são as mesmas e exigem harmonia interior e exterior, física, psíquica e espiritualmente.

O mito de Apolo e Ártemis

Apolo e Ártemis são filhos de Zeus e de Latona, personificação da Noite, divindade poderosa cuja união com Zeus produziu o Universo. Segundo a tradição, Latona vê-se, em seguida, relegada ao segundo lugar e quase não aparece na mitologia a não ser como vítima de Hera.

A Terra, por instigação de Hera, quis impedi-la de achar lugar onde pudesse dar à luz os filhos que trazia no seio. Entretanto, Netuno, vendo que a infeliz deusa não encontrava abrigo onde quer que fosse, comoveu-se e fez sair do mar a ilha de Delos. Sendo essa ilha, a princípio, flutuante, não pertencia à Terra, que assim não pôde nela exercer a sua funesta ação.

Delos, diz o hino homérico, rejubilou-se com o nascimento do deus que atira os seus dardos para longe. Durante nove dias e nove noites, foi Latona dilacerada pelas cruéis dores do parto.

Todas as deusas, as mais ilustres, reúnem-se-lhe em torno. Dioneia, Reia, Têmis que persegue os culpados, a gemedora Anfitrite, todas, exceto Hera dos braços de alabastro, que ficou no palácio do formidando Zeus. Entretanto, somente Ilitia, deusa dos partos, é que ignorava a nova; achava-se sentada no topo do Olimpo, numa nuvem de ouro, retida pelos conselhos de Hera, que sofria um ciúme furioso, porque Latona dos cabelos formosos iria certamente dar à luz um filho poderoso e perfeito.

Então, a fim de levarem Ilitia, as demais deusas enviaram de Delos a ligeira Íris, prometendo-lhe um colar de fios de ouro, com nove cúbitos de comprimento. Recomendam-lhe sobretudo que a advirta, à revelia de Hera, de medo que esta a detenha com as suas palavras. Íris, rápida como os ventos, mal recebe a ordem, parte e cruza o espaço num instante.

Chegada à mansão dos deuses no topo do Olimpo, Íris persuadiu Ilitia, e ambas voam como tímidas pombas. Quando a deusa que preside aos partos chegou a Delos, Latona experimentava as mais vivas dores. Prestes a dar à luz, abraçava uma palmeira e os joelhos apertavam a relva mole. Em breve nasce o deus; todas as deusas dão um grito religioso. Imediatamente, divino Febo, elas te lavam castamente, purificam-te em límpida água e te envolvem num véu branco, tecido delicado, que elas cingem com um cinto de ouro. Latona não aleitou Apolo de gládio resplendente. Têmis, com as suas imortais mãos, oferece-lhe o néctar e a divina ambrósia. Latona alegrou-se enormemente por ter gerado o valoroso filho que empunha um temível arco.

Apolo e Ártemis nasceram, pois, em Delos, e é por isso que Apolo se chama, frequentemente, o deus de Delos.

 Atená

Seu nome significa “plena de sabedoria” e é realmente isso que ela representa: prudente e sábia, é a protetora da verdade e da justiça. Nasce armada porque está pronta a combater em favor desses princípios.

Atená é inimiga implacável da injustiça e de toda manifestação de ódio e vingança, combatendo a força bruta e os instintos e desejos cegos. Protege e favorece os heróis que, na antiguidade, eram representados por pessoas comuns que lutavam pela verdade e pelas leis da ética na vida.

É necessário não confundi-la com o pensamento racional e lógico, atributo do arquétipo masculino. A sabedoria que emana de Atená é mais sutil e profunda: trata-se da intuição, que é própria do arquétipo feminino.

Os grandes atributos dessa deusa são: a lança (símbolo da equidade), o elmo (símbolo da sabedoria), o escudo (símbolo da prudência) e o freio aos instintos e desejos cegos. A serpente ereta enredada no escudo de Atená é o símbolo da evolução do homem. Cultuá-la é simplesmente praticar seus atributos: equidade, sabedoria, prudência e temperança.

O mito de Atená

Embora a mitologia lhe reservasse várias atribuições, em todas elas Atena personificava a serenidade e a sabedoria características do espírito grego.

Zeus, segundo a Mitologia Grega, para evitar o cumprimento de uma profecia, engoliu sua amante grávida, a Oceânide Métis.

Depois ordenou a Hefesto que lhe abrisse a cabeça com um golpe de machado e dela nasceu Atena, já armada. Acredita-se que ela era originalmente a deusa-serpente cretense, protetora do lar.

Adotada pelos micênicos belicosos, seu caráter tutelar completou-se com o de guerreira. Finalmente, transformou-se na deusa protetora de Atenas e outras cidades da Ática.

Como todos os deuses do Olimpo, Atena tinha um caráter dual: simbolizava a guerra justa e possuía uma disposição pacífica, representando a preponderância da razão e do espírito sobre o impulso irracional.

Em Atena residia a alma da cidade e a garantia de sua proteção.

Na tragédia Eumênides, Ésquilo deu expressão acabada à figura sábia e prudente de Atena, atribuindo-lhe a fundação do Areópago, conselho de Atenas.

O mito afirma que Atena inventou a roda do oleiro e o esquadro empregado por carpinteiros e pedreiros. As artes metalúrgicas e os trabalhos femininos estavam sob sua proteção; o culto a Atena se baseava no amor ao trabalho e à cidade.

Seu principal templo, o Pártenon, ficava em Atenas, onde anualmente celebravam-se em sua honra as Panateneias e davam-lhe o nome de Atena Partênia.

Foi representada por Fídias na célebre estátua do Pártenon, de que se conserva uma cópia romana do século II da era cristã.

Os relevos desse templo apresentam sua imagem guerreira, com capacete, lança, escudo e couraça.

Os romanos assimilaram-na à deusa Minerva (que, com Hera e Zeus, compunha a tríade capitolina) e acentuaram ainda mais seu caráter espiritual, como símbolo da justiça, trabalho e inteligência.

Afrodite e Ares


Nasceu depositada em uma concha e sua função é espargir o amor por toda a face da Terra.

Afrodite representa a arte de amar por excelência, mas trata-se de uma arte voltada ao cultivo do amor genuíno e desinteressado. Essa arte era vista, na antiguidade, como o elixir da vida e não se restringia ao sexo. Significava amar o mundo, as pessoas, enfim tudo que é vivo.

Hipocrates costumava dizer que “quem não ama, adoece”, que “a mais grave fonte de doença é ser falso em seus sentimentos com os outros e consigo mesmo” e que “entregá-los a qualquer um e de qualquer jeito é plantar dentro de si a desvalia, que resultará em uma alma e corpo doentes”. Essas lições da arte de amar são-nos de grande valia hoje e sempre. A tecnologia não mudará jamais a essência do homem, que sempre almejou realizar-se no amor verdadeiro. Mas é preciso começar por si próprio e nunca confundir o narcisismo com o auto amor.

Ares, inicialmente, foi visto como símbolo da guerra e da discórdia, dirigindo um carro com dois cavalos: Phobos, o medo e Deimos, o terror. Porém os amores de Ares com Afrodite são o tema mítico que transformaram as características desse deus e seu culto. Assim, passou a ser encarado como o deus que vence pelo justo combate e não mais pela força e violência brutas. Após suas inúmeras uniões com Afrodite, passou a ser visto como um deus domesticado pelo amor. Sua força volta-se fundada no espírito combativo e não mais destrutivo.

A história de Ares mostra o caminho em direção à civilização da violência pelo amor, sendo exatamente isso o que gera a harmonia. É uma divindade que serve de alerta no panteão olímpico, pois representa a evolução de um nível primitivo para um patamar mais elevado.

O mito de Afrodite

Afrodite, na mitologia grega, era a deusa da beleza e da paixão sexual. Originário de Chipre, seu culto estendeu-se a Esparta, Corinto e Atenas.

Seus símbolos eram a pomba, a romã, o cisne e a murta. No panteão romano, Afrodite foi identificada com Afrodite.

A mitologia oferecia duas versões de seu nascimento: segundo Hesíodo, na Teogonia, Cronos, filho de Urano, mutilou o pai e atirou ao mar seus órgãos genitais, e Afrodite teria nascido da espuma (em grego, aphros) assim formada; para Homero, ela seria filha de Zeus e Dione, sua consorte em Dodona.

Por ordem de Zeus, Afrodite casou-se com Hefesto, o coxo deus do fogo e o mais feio dos imortais. Foi-lhe muitas vezes infiel, sobretudo com Ares, divindade da guerra, com quem teve, entre outros filhos, Eros e Harmonia.

Outros de seus filhos foram Hermafrodito, com Hermes, e Príapo, com Dioniso. Entre seus amantes mortais, destacaram-se o pastor troiano Anquises, com quem teve Enéias, e o jovem Adônis, célebre por sua beleza.

Afrodite possuía um cinturão mágico de grande poder sedutor e os efeitos de sua paixão eram irresistíveis.

As lendas frequentemente a mostram ajudando os amantes a superar todos os obstáculos.

À medida que seu culto se estendia pelas cidades gregas, também aumentava o número de seus atributos, quase sempre relacionados com o erotismo e a fertilidade

O mito de Ares
Uma das doze grandes divindades do panteão helênico, Ares, deus da guerra, não era muito apreciado pelos gregos, que davam prioridade aos valores do espírito e à sabedoria. Ares era filho de Zeus, deus supremo grego, e de Hera. Sua figura representava o espírito violento e combativo, que só encontra prazer nas batalhas.

Embora dotado de força extraordinária, era continuamente enganado por outros deuses que, como Atena - personificação da sabedoria -, sabiam tirar proveito de sua pouca inteligência.

Ares era representado com couraça, capacete, lança e escudo. No combate, sua presença era anunciada com ferozes gritos de guerra que provocavam pânico. Lutava a pé ou num carro puxado por cavalos, às vezes em companhia dos filhos que teve com Afrodite: Deimos (o Medo) e Fobos (o Terror), e outras vezes com sua irmã Éris (a Discórdia).

Segundo a mitologia, foi vencido em várias ocasiões. Os Aloídas o derrotaram e encerraram numa urna de bronze durante treze meses. Segundo se narra no canto V da Ilíada, o herói Diomedes, ajudado pela astuta Atena, conseguiu ferir Ares, que se refugiou no Olimpo. Ares manteve constantes aventuras amorosas com mulheres mortais, de que resultaram seus filhos Alcipe, Ascálafo e Flégias, entre outros.

Seus amores com Afrodite foram descobertos pelo marido desta, Hefesto, que envolveu astutamente os amantes numa rede para levá-los ante o soberano juízo dos deuses e assim demonstrar a traição. Em Roma, com o nome de Ares, recebeu maior veneração que entre os gregos, sobretudo por parte das legiões romanas.

Héfesto

Há duas versões consagradas que descrevem os atributos e as qualidades de Héfesto. Hesíodo descreve-o como “os instrumentos dos deuses”. Para Homero, é aquele que fornece maravilhosas ferramentas para os deuses, principalmente para os homens poderem viver na Terra.

Na antiguidade houve um culto de grande importância consagrado a Héfesto e Atená chamado “Os Mistérios de Cabiros”. Foi uma importante escola de mistério, dedicada ao cultivo da sabedoria (Atená), aliada aos instrumentos (Héfesto). Buscava a arte de transformar o saber em instrumentos práticos para a vida.

Diante de Héfesto aprende-se que não basta saber, é preciso praticar. As ferramentas dos homens são uma oferta dos deuses para nos ajudar a viver. Sua grande virtude é dar-lhes instrumentos para percorrerem os caminhos da ressurreição alquímica dos metais. Do ferro (que simboliza nossa condição mortal) em direção ao ouro (que representa a busca da imortalidade).

Héfesto, divindade de permanência (como Hera, Hermes e Héstia), ensina-nos a viver na Terra. Todavia isso não quer dizer que cultuá-lo é aprender técnicas de permanecer aqui para sempre. Ao contrário, significa aprender a viver para poder libertar-se em busca da imortalidade; aprender a viver da forma mais desapegada possível.

O mito de Héfesto

Héfesto era filho de Zeus e de Hera, ou segundo alguns mitólogos, de Hera só, com o auxílio do Vento. Envergonhada de ter dado à luz a um filho tão disforme, a deusa o precipitou no mar, a fim de que eternamente ficasse escondido nos abismos. Foi, porém, recolhido pela bela Tetis e Eurínome, filhas do Oceano. Durante nove anos, cercado dos seus cuidados, viveu numa gruta profunda, ocupado em fabricar-lhes brincos, broches, colares, anéis e braceletes. Entretanto o mar escondia-o sob as suas ondas, tão bem que nem os deuses nem os homens conheciam o seu esconderijo, a não ser as duas divindades que o protegiam.

Héfesto, conservando no fundo do coração um ressentimento contra sua mãe, por causa dessa injúria, fez uma cadeira de ouro com mola misteriosa, e a enviou ao céu. Hera admira uma cadeira tão preciosa; não tendo nenhuma desconfiança, quer sentar-se nela; imediatamente fica presa como em uma armadilha; e aí ficaria muito tempo, se não fosse a intervenção de Dionísio, que embebedou Héfesto para obrigá-lo a soltar Hera. Pretende Homero que essa aventura da mãe dos deuses excitou a hilaridade de todos os habitantes do Olimpo.

Em outra passagem Homero conta que foi o próprio Zeus quem precipitou Héfesto do alto do céu. No dia em que, para punir Hera por ter excitado uma tempestade que devia fazer perecer a Hércules, Zeus suspendeu-a no meio dos ares, Héfesto, por um sentimento de compaixão ou de piedade filial, socorreu a sua mãe. Pagou caro esse movimento de bondade: Zeus segurou-o pelos pés e atirou-o no espaço. Depois de haver rolado todo o dia nos ares, o desgraçado Héfesto caiu na ilha de Lemos, onde foi recolhido e tratado pelos habitantes. Nessa terrível queda quebrou as duas pernas, e ficou coxo para sempre. Entretanto, pela intervenção de Dionísio, Héfesto foi de novo chamado ao céu e recaiu nas graças de Zeus, que o fez desposar a mais bela e a mais infiel de todas as deusas, Afrodite, mãe do Amor. Esse deus, tão feio, tão disforme, é de todos os habitantes do Olimpo o mais laborioso e ao mesmo tempo o mais industrioso. Era ele que, por divertimento, fabricava mimos para as deusas que, com os seus Ciclopes, na ilha de Lemos ou no monte Etna, forjavam raios de Zeus.

Teve a ideia engenhosa de fazer cadeiras que se dirigiam sozinhas à assembléia dos deuses. Ele não é somente o deus do fogo, mas também o do ferro, do bronze, da prata, do ouro, de todas as matérias fusíveis. Atribuíram-lhe todas as obras forjadas que passavam por maravilhas: o palácio do Sol, as armas de Aquiles, as de Enéias, o cetro de Agamemnom, o colar de Hermione, a coroa de Ariana, a rede invisível em que prendeu Ares e Afrodite.

Héstia

Se Afrodite é o fogo do amor que derrete o corpo, Héstia é o fogo sagrado guardado no interior de toda casa e no íntimo de cada ser. Cada ser humano deve ser um templo vivo, atuando ao mesmo tempo como sacerdote e guardador de seu fogo sagrado, que não é senão o mais íntimo de seu ser, que deverá compartilhar somente com os deuses.

Os segredos de Héstia nada mais são do que o respeito ao direito de ser, que devemos praticar com todos, a começar por nós mesmos.

Atualmente, no lugar de buscarmos um enriquecimento da vida interior, procuramos preencher nosso vazio com a curiosidade a respeito da vida alheia... Todavia o caminho proposto por Héstia é de buscarmos justamente esse enriquecimento tão bem sugerido pela máxima socrática: “conhece-te a ti mesmo.”

O mito de Héstia

Filha de Cronos e Reia, Héstia é a mais velha dos Doze Olimpianos e a primeira a ser engolida por seu pai. Como os outros, também foi resgatada por seu irmão Zeus.

Esteve sempre acima ou fora das intrigas e rivalidades dos seus parentes e sempre evitou ser tomada pelas paixões do momento. Sua serenidade e retidão causavam estranheza e inveja no Monte Olimpo. Tanta que Afrodite resolveu instigar desejo em Posseidon e Apolo para que eles cortejassem Héstia e retirassem sua virgindade. Mas a deusa jurou castidade perante Zeus e dele recebeu a honra de ser venerada em todos os lares, ser incluída em todos os sacrifícios e permanecer em paz, em seu palácio cercada do respeito de deuses e mortais. Nem mesmo Afrodite seria capaz de dominar, persuadir, seduzir ou provocar nela um desejo de prazer. Tornou-se uma das três virgens olimpianas, ao lado de Ártemis e Atenas.

Embora não apareça com frequência nas histórias mitológicas, era admirada por todos os deuses. Tornou-se a deusa do lar, a personificação da moradia estável, onde as pessoas se reuniam para orar e oferecer sacrifícios aos deuses. Era adorada como protetora das cidades, das famílias e das colônias, e representava a perenidade das civilizações.

Em Roma, era cultuada como Vesta e o fogo sagrado era o símbolo da perenidade do Império. Suas sacerdotisas eram chamadas Vestais, faziam voto de castidade e deveriam servir à deusa durante trinta anos.

Nos lares gregos, muitas vezes, era ligada a Hermes. Nas casas de família, a lareira central, simbolizando Héstia, ficava na parte central da casa, enquanto o pilar fálico de Hermes ficava na entrada. Nos templos, essas divindades também estavam ligadas. Em Roma, por exemplo, o santuário de Mercúrio (Hermes) ficava do lado direito das escadas que levavam ao templo de Vesta. Embora estivessem relacionados, cada qual tinha uma função distinta: Héstia era o santuário que unia a família ao redor dela, enquanto Hermes era o protetor do portal, guia, companheiro no mundo e mensageiro dos deuses.

Os registros de poeta Homero diziam que Héstia inicialmente vivia no Olimpo, quando foi oferecida uma posição à Dionísio. Ela gentilmente preferiu sair para que não ficassem treze tronos de deuses principais, o que daria um enorme azar. Mas Zeus ordenou que fosse feita uma lareira circular central que permanecesse sempre acesa para representá-la entre eles. O deus sol Hélio que a acendeu. Essa interferência, provavelmente foi feita pelos romanos que, ao tomarem a religião grega para si, deram maior importância a Baco (Dionísio) do que a Vesta (Héstia).

Sua chama sagrada, então, brilhava continuamente nos lares e templos e devia ser conseguida direto do sol. Em Delfos, era conservada a chama perpétua com a qual se acendiam outros altares. Nem o lar nem o templo ficavam santificados até que Héstia entrasse. Ela era tanto uma presença espiritual como o fogo sagrado que proporcionava iluminação, calor, aconchego e aquecimento para o alimento. É a "alma" dos locais. Inúmeros eram os rituais a Héstia:
Para que uma casa se tornasse um lar, a presença de Héstia era solicitada. Quando um casal se unia, a mãe da noiva acendia uma tocha em sua casa e a transportava diante do casal recentemente casado até sua nova casa, para que acendessem a primeira chama em seu lar. Este ato consagrava o novo lar. Portanto, onde quer que um novo casal se aventurasse a estabelecer um novo lar, Héstia vinha com eles com o fogo sagrado, ligando o lar antigo com o novo, talvez simbolizando continuidade e ligação, consciência compartilhada e identidade comum.
Depois que a criança nascia, acontecia um segundo ritual. Quando a criança tinha cinco dias de vida, era levada ao redor da lareira para simbolizar sua admissão na família. Então se seguia um festivo banquete sagrado. Também presidia a outorga de nomes às crianças.
Cada cidade-estado grega tinha uma lareira comum com um fogo sagrado no edifício principal, onde os convidados se reuniam oficialmente. Cada colônia levava o fogo sagrado de sua cidade natal para acender o fogo da nova cidade.
Forasteiros precisam pedir permissão da deusa e conseguir o fogo da cidade para poderem viver no novo ambiente.

Era representada como uma mulher jovem, com uma larga túnica e um véu sobre a cabeça e ombros. O fogo central em uma lareira é seu maior símbolo, normalmente em círculo. O animal mais sagrado à deusa é o asno. Os primeiros lares e templos que lhe foram dedicados eram circulares.

Hermes

É o único deus que pode deslocar-se do Olimpo para a Terra e para o mundo subterrâneo. Por isso tem asas na cabeça (para ensinar os homens a elevarem-se) e nos pés (para ensinar os homens a descerem).

Em Hesíodo, na Teogonia, esse deus é descrito como o psicopompo, o condutor das almas após a morte no caminho da ressurreição e do voltar a viver. A palavra “hermético” tinha esse significado original, ou seja, cada um deve descobrir seu caminho (com a ajuda de Hermes) para conquistar a vida após a morte. Essa busca só poderia ser feita pelo dialogo interior com Hermes.

Seus símbolos são as asas nos pés e na cabeça e o cajado de ouro (o caduceu). O cajado é de ouro e retilíneo porque indica o caminho para a imortalidade.

Era, ainda, considerado o deus da comunicação (interior e exterior). Em cada esquina das cidades helênicas, uma estela de Hermes funcionava como indicador de direção, nomeando os logradouros, e tinha inscrições para ajudar os transeuntes a encontrar seu caminho interior. Citamos uma delas: “você deve partir daqui com o corpo completamente gasto. Gaste-o, mas gaste-o bem; transforme sua matéria em nobreza, beleza e bondade e partirás daqui leve como uma pluma, pronto para renascer.”

O mito de Hermes

A figura do deus Hermes era motivo de grande veneração entre os gregos, que o consideravam um benfeitor e defensor da humanidade perante os deuses do Olimpo. Hermes, na mitologia grega, era filho de Zeus e da ninfa Maia.

Reverenciado como deus da fertilidade, tinha o centro de seu culto na Arcádia, onde se acreditava que tivesse nascido.

Seu nome tem origem, provavelmente, em herma, palavra grega que designava os montes de pedra usados para indicar os caminhos.

Considerado protetor dos rebanhos, era frequentemente associado a divindades da vegetação, como Pã e as ninfas.

Entre suas várias atribuições incluíam-se as de mensageiro dos deuses; protetor das estradas e viajantes; condutor das almas ao Hades; deus da fortuna, da eloquência e do comércio; patrono dos ladrões e inventor da lira.

Era também o deus dos sonhos, a quem os gregos ofereciam a última libação antes de dormir.

Nas representações mais antigas, aparece como um homem adulto, com barba, vestido com uma túnica longa, ou com a imagem de um pastor, com um carneiro sobre os ombros.

Foi posteriormente representado como um jovem atlético e imberbe, com capacete alado, asas nos pés e, nas mãos, o caduceu - bastão mágico com que distribui fortuna.

Em Roma, foi assimilado ao deus Mercúrio.

Deméter


Presidia a escola dos Mistérios de Eleusias (libertação), dedicada às artes de libertar do ciclo da vida e da morte e atingir a imortalidade (processo chamado de Telos).

Tinha caráter tríplice:

  • Deusa da agricultura, sendo-lhe atribuída a invenção do arado e da arte da fertilização da terra.
  • Deusa que presidia a construção das sociedades humanas e, em particular, das leis do matrimonio.
  • Divindade que presidia a sorte dos mortos, juntamente com sua filha Perséfone.
Deméter é o arquétipo feminino em sua forma mais evoluída: não reproduz qualquer coisa, mas somente o mais elevado e elaborado. De acordo com Hesíodo é aquela que preside os Mistérios de Eleusias e que governa os ciclos da natureza, onde tudo morre no inverno para renascer na primavera. Governa, ainda, o nascer e o renascer de todos os homens (reencarnação). Nos Mistérios de Eleusias trata-se de compreender que tudo é “alugado” neste planeta. De nada adiantarão as escrituras que garantem a posse após a morte.

A lei de Deméter é clara e eterna: “teu corpo deixarás aqui para que com ele eu fertilize a terra para gerar outras vidas.”

O mito de Deméter

Na Grécia Antiga, a deusa Deméter e sua filha, Perséfone, eram cultuadas nos mistérios de Elêusis, rituais secretos em que se agradeciam a fecundidade da terra e as colheitas.

Deméter, deusa grega da agricultura, era filha de Cronos e Reia e mãe de Perséfone, que a ajudava nos cuidados da terra, e de Pluto, deus da riqueza.

Perséfone foi raptada por Hades, que a levou para os Infernos e a esposou.

Desesperada com o desaparecimento da filha, Deméter saiu a sua procura e, durante a viagem, passou pela cidade de Elêusis, onde foi hospitaleiramente recebida.

Em agradecimento, revelou aos habitantes seus ritos secretos.

A terra abandonada, entretanto, tornava-se estéril e os alimentos começavam a escassear.

Preocupado com a difícil situação dos mortais, Zeus convenceu Hades a permitir que Perséfone passasse o outono e o inverno nos Infernos e regressasse para junto da mãe na primavera.

Assim, Deméter simbolizou a terra cultivável, produtora da semente - Perséfone - que há de fecundá-la periodicamente.

Em Elêusis celebravam-se os mistérios, ou ritos secretos, em que Deméter figurava como deusa da fertilidade e Perséfone como encarnação do ciclo das estações.

Na Mitologia Romana, Deméter foi identificada com Ceres.

Dionísio

Dionísio ficou conhecido como o deus das bacanais e das orgias, sendo associado com a decadência moral e decrepitude. Isso de fato ocorreu durante a degradação dos costumes do Império Romano, mas de modo algum corresponde às suas verdadeiras características e seu culto na antiguidade grega. Dionísio traz o vinho aos homens, enquanto Deméter lhes dá o trigo e a cevada.

O verdadeiro significado das antigas bacanais ou festas dionisíacas está longe de ser orgias em que o sexo, o comer e o beber eram praticados de forma desvairada. Eram festividades religiosas nas quais se buscava o êxtase e a alegria.

Dionísio é o sete vezes ressurreto. Diz a tradição que sua bondade despertou a fúria dos Titãs que o despedaçaram sete vezes e sete vezes ele renasceu. Finalmente, seu pai, Zeus, tomou seu coração e espalhou sua bondade pelo universo, impedindo que fosse novamente despedaçado.

É o deus da sociedade, o redentor por excelência. Esse é o seu verdadeiro significado. Veio para ensinar os homens os caminhos para romper seu isolamento original (egoísmo e narcisismo) e abrir caminho para o encontro com outro.

O mito de Dionísio

Deus do vinho e da vegetação, que mostrou aos mortais como cultivar as videiras e fazer vinho. Filho de Zeus, Dionísio normalmente é caracterizado de duas maneiras. Como o deus da vegetação - especificamente das árvores frutíferas - ele frequentemente é representado em vasos bebendo em um chifre e com ramos de videira. Ele eventualmente tornou-se o popular deus do vinho e da alegria, e milagres do vinho eram reputadamente representados em certos festivais de teatro em sua homenagem. Dionísio também é caracterizado como uma divindade cujos mistérios inspiraram a adoração ao êxtase e o culto às orgias. As bacantes eram um grupo de devotos femininos que deixavam seus lares para vagar de maneira errante em busca de êxtase em devoção à Dionísio. Usavam peles de veado e a eles eram atribuídos poderes ocultos.

Dionísio era bom e amável àqueles que o honravam, mas trazia loucura e destruição para aqueles que desprezavam as orgias a ele dedicadas. De acordo com a tradição, Dionísio morria a cada inverno e renascia na primavera. Para seus seguidores, este renascimento cíclico, acompanhado pela renovação da terra com o reflorescer das plantas e a nova frutificação das árvores, personificavam a promessa da ressurreição de Dionísio. Os rituais anuais em homenagem à ressurreição de Dionísio gradualmente foram se desenvolvendo no drama grego, e importantes festivais eram celebrados em honra do deus, durante os quais grandes competições dramáticas eram conduzidas.

O festival mais importante, as Dionisíacas, era celebrado em Atenas por cinco dias a cada primavera. Foi para estas celebrações que os dramaturgos Ésquilo, Sófocles, e Eurípides escreveram suas grandes tragédias. Por volta do século V a.C., Dionísio era também conhecido entre os gregos como Baco, um nome que se referia aos altos brados com os quais Dionísio era adorado nas orgias, ou mistérios dionisíacos. Estas celebrações frenéticas, que provavelmente se originaram em festivais primaveris, ocasionalmente traziam libertinagem e intoxicações. Esta foi a forma de adoração pela qual Dionísio tornou-se popular no século II a.C., na Itália, onde os mistérios dionisíacos eram chamados de Bacanália. As indulgências das Bacanálias tornaram-se extrema, e as celebrações foram proibidas pelo Senado Romano em 186 a.C.. Entretanto, no século I d.C. os mistérios dionisíacos eram ainda populares, como se evidencia em representações encontradas em sarcófagos gregos.

Existe um antigo mito sobre o nascimento do deus do vinho e do pão, Dionísio (Baco, para os Gregos), que é contado assim: Um dia, narra a lenda, a grande deusa Deméter chegou à Sicília, vinda de Creta. Trazia consigo sua filha, a deusa Perséfone, filha de Zeus. Deméter planejava chamar a atenção do grande deus, para que ele percebesse a presença de sua filha. Deméter descobriu, próximo à fonte de Kyane, uma caverna, onde escondeu a donzela. Pediu-lhe, então, que fizesse com um tecido de lã, um belo manto, bordando nele o desenho do universo. Desatrelou de sua carruagem as duas serpentes e colocou-as na porta da caverna para proteger sua filha.

Neste momento Zeus aproximou-se da caverna e, para entrar sem despertar desconfiança na deusa, disfarçou-se de serpente. E na presença da serpente, a deusa Perséfone concebeu do deus. Depois da gestação, Perséfone deu luz a Dionísio na caverna, onde ele foi amamentado e cresceu. Também na caverna o pequeno deus passava o tempo com seus brinquedos: uma bola, um pião, dados, algumas maçãs de ouro, um pouco de lã e um zunidor. Mas entre seus brinquedos havia também um espelho, que o deus gostou de fitar, encantado.

Entretanto, o menino foi descoberto por Hera, a esposa de Zeus, que queria vingar-se da nova aventura do esposo. Assim, quando o deus estava olhando-se distraído no espelho, dois titãs enviados por Hera, horrendamente pintados com argila branca, aproximaram-se de Dionísio pelas costas e, aproveitando a ausência de Perséfone, mataram-no. Continuando sua obra deplorável, os titãs cortaram o corpo do menino em sete pedaços e ferveram as porções em um caldeirão apoiado sobre um tripé e as assaram em sete espetos. Atenas viu a cena e, mesmo não podendo salvar o menino, resgatou o coração do deus. Mal tinham acabado de consumar o assassínio divino, Zeus apareceu na entrada da caverna, atraído pelo odor de carne assada. O grande deus viu a cena e entendeu o que havia se passado. Pegou um de seus raios e atirou contra os titãs canibais, matando-os. Zeus estava desolado com a morte do filho, quando a deusa Atenas apareceu e entregou-lhe o coração do deus assassinado. Zeus, então, efetuou a ressurreição, engolindo o coração e dando, ele próprio, à luz seu filho. E essa é a origem do deus morto e renascido, relatada pelos antigos e celebrada nos mistérios...

Posseidon

Representa a força das potências cegas e devastadoras, que os mares personificam tão bem. É a urgência das leis fundamentais da vida, e por isso é associado às tarefas essenciais para mantê-la. Nunca realiza nada por paixão, mas sempre por absoluta necessidade. É a força da tarefa que se sobrepõe à paixão.

É a potência imanente por excelência. Seu símbolo é o tridente de ouro, que representa a união do celeste, do terrestre e do abissal. A mesma força que sacode as marés e os vulcões abala nosso interior e nossa saúde física e mental quando não respeitamos nossos próprios ritmos e marés. A vida, para seguir seu curso, exige que obedeçamos suas leis.

 O mito de Posseidon

As tempestades que, segundo Homero, Posseidon provocou para evitar que Ulisses (Odisseu), que o ofendera, retornasse à pátria, são um exemplo característico do temperamento irado que a Mitologia Grega atribuía a esse deus.

Posseidon (ou Posídon), deus grego dos mares, era filho de Cronos, deus do tempo, e Reia, deusa da fertilidade.

Eram seus irmãos Zeus, o principal deus do panteão grego, e Hades, deus dos infernos.

Quando os três irmãos depuseram o pai e partilharam entre si o mundo, coube a Posseidon o reino das águas. Seu palácio situava-se no fundo do Mar Egeu e sua arma era o tridente, com que provocava maremotos, tremores de terra e fazia brotar água do solo.

Pai de Pégaso, o cavalo alado gerado por Medusa, esteve sempre associado aos equinos e por isso se admite que tenha chegado à Grécia como deus dos antigos helenos, que também levaram à região os primeiros cavalos.

O temperamento impetuoso de Posseidon, cuja esposa era Anfitrite, conduziu-o a numerosos amores.

Como pai de Pélias e Nereu, gerados pela princesa Tiro, era o ancestral divino das casas reais de Tessália e Messênia.

Seus outros filhos eram, na maioria, seres gigantescos e de natureza selvagem, como Órion, Anteu e o Ciclope Polifemo.

Embora tenha perdido uma disputa com Atena pela soberania da Ática, foi também cultuado ali.

Em sua honra celebravam-se os Jogos Ístmicos, constituídos de competições atléticas e torneios de música e poesia, realizados a cada dois anos no istmo de Corinto.

Os artistas plásticos acentuaram a ligação de Posseidon com o mar e representaram-no como um homem forte, de barbas brancas, com um tridente na mão e acompanhado de golfinhos e outros animais marinhos.

A Mitologia Romana identificou-o com o deus Netuno.

Hades

Seu reino é a morada dos mortos e sua figura é sombria e temível. Hades era uma designação geral das forças ocultas que presidem a morte e a regeneração dos corpos (reencarnação).

Hades vem do grego A-Dis, que significa “o não visto”, “o que é interdito aos olhos humanos”, e simboliza a morte e o processo de passagem de uma vida para outra. Acima de tudo, Hades é o deus dos mortos, os quais recebe em um mundo subterrâneo.

Governa a mais secreta das leis, fundada no amor e na regeneração dos corpos – o voltar a viver. Na concepção helênica, o reino de Hades tinha nove níveis que eram etapas da purificação para preparar a alma para uma nova vida. A tradição mítica helênica não via esse reino como um lugar de sofrimentos, mas de purificação e preparação para uma nova vida, sendo a permanência das almas nele provisória.

O bem mais precioso para essa concepção reencarnacionista era o direito de conservar um destino a cumprir, ou seja, o direito de prosseguir em busca da evolução e do aperfeiçoamento da alma, através de muitas vidas. Para os antigos, ter um destino era o direito de manter a luta e a autodeterminação na incansável busca por uma evolução cósmica e pessoal, em que a vontade e a liberdade individual eram fundamentais e não sujeitas aos caprichos imponderáveis do tipo “estava escrito”.

O desafio é claro: é de nossa responsabilidade manter viva a chama da alma em sua busca pela eternidade. Ela não é liquida e certa (a imortalidade da alma), mas árdua conquista pela prática da nobreza, da beleza e da bondade. A imortalidade da alma não é um direito inalienável do homem, mas uma trabalhosa conquista.

O mito de Hades

Uma das doze divindade gregas do Olimpo, correspondente a Plutão entre os romanos, com características de um deus do mundo inferior, soberano do reino dos mortos ou simplesmente o submundo, cujo nome era usado para designar tanto o deus como os seus domínios, um lugar onde imperava a tristeza. Deus de poucas palavras, o seu nome inspirava tanto medo que as pessoas procuravam não pronunciá-lo.

Era descrito como austero, impiedoso e insensível a preces ou sacrifícios, intimidativo, distante e extremamente temido, pois em seu reino sempre havia lugar para mais uma alma. Filho de Cronos e de Reia e, portanto, irmão de Zeus e de Posseidon. Quando o pai foi destronado, coube-lhe o mundo subterrâneo, na partilha que os três irmãos fizeram entre si.

Casou-se com Perséfone, filha de Zeus e Deméter, após um rapto bem sucedido e reinava, em companhia de sua esposa, sobre as forças infernais. Em algum lugar na escuridão do mundo subterrâneo estava localizado seu palácio.

Era representado como um lugar lúgubre, escuro e repleto de portões e de convidados do deus e colocado no meio de campos sombrios uma paisagem assombrosa.

O velho barqueiro Caronte conduzia as almas dos mortos através do sinistro rio de águas paradas Estige, até a entrada do reino ou casa de Hades. Esse lugar era infeliz e sombrio, habitado por formas vagas e sombras, cuja entrada era cuidadosamente guardada por Cérbero, um monstruoso cão de três cabeças e cauda de dragão, que não deixava as almas saírem do reino.

O submundo era dividido em duas regiões: Érebo, por onde as pessoas passavam imediatamente após a morte, para serem julgadas, e receber o castigo dos seus crimes ou a recompensa das boas ações, e Tártaro, a região mais profunda, onde os Titãs haviam sido aprisionados.

Embora supervisionasse o julgamento e a punição dos condenados após a morte, ele não era um dos juízes nem torturava pessoalmente os culpados, tarefa que cabia às Erínias.

Em lendas posteriores o mundo inferior passou a ser chamado de Hades e era descrito como o lugar onde os bons eram recompensados e os maus punidos.

O nome Plutão, que se tornou corrente na religião romana, era também empregado pelos gregos.

CONCLUSÃO

Na antiguidade os mitos foram considerados a linguagem que os deuses utilizavam para nos ensinar a arte de viver, amar e de aproximarmo-nos deles. Por meio dessa linguagem, os deuses falavam aos homens e a vivência dos arquétipos representados pelas divindades – coragem, beleza, sabedoria, amor, fertilidade, regeneração, renascimento - fazia com os homens vivenciassem o sagrado.

Atualmente, esquecemo-nos dessa linguagem. Não a compreendemos mais e nosso contato com o Divino está abalado. Por isso, é urgente que a retomenos e que voltemos a comunicarmo-nos com os deuses.

Mas como realizar esse intento?

Ora, quando queremos apanhar algo no chão, inclinamo-nos até ele, bem como quando pretendemos alcançar algo que está acima de nós, devemos erguer os braços. Assim é que necessitamos erguer nossos braços para que alcancemos os deuses.

Parece-nos, todavia, que por mais que os ergamos, ainda não teremos braço suficente para tocá-los. Como proceder? Essa metáfora ensina que para alcançarmos os deuses é necessário que elevemos nossa consciência. Que a alcemos de um patamar para outro superior.

De maneira prática como isso é possível?

Ora, quando escolhemos uma comida, quais o critérios utilizamos? Podemos estabelecer alguns: sabor, aparência, capacidade de nutrição, frescor, validade etc.. Verificamos, assim, que não comemos qualquer coisa. Da mesma forma procedemos em relação ao que bebemos.

Todavia, como agimos em relação ao que sentimos e ao que pensamos?

Quanto às emoções, é comum não atentarmos para a qualidade das mesmas. Geralmente, deixamos que a mágoa, a raiva, o ciúme, a inveja, a vaidade, o orgulho, o medo, a dúvida entrem em nosso campo astral sem que nada impeça.

Quanto aos pensamentos, é ainda mais comum que permitamos que fantasias, pensamentos circulares ou mórbidos tomem conta de nossa mente. Na maioria da vezes, nem nos damos conta disso. Criamos verdadeiros monstros e aberrações mentais. Em pensamento matamos, traimos, ofendemos, sofremos, choramos, enriquecemos, empobrecemos, julgamos, criticamos...

Pois bem, “erguer os braços”, além de escolher o que comemos e bebemos, é melhorar a qualidade desses dois elementos: emoções e pensamentos. Esses são os alimentos da Alma. “Erguer os braços” é substituir uma emoção ruim por uma boa; é substituir um pensamento ruim por um bom. Simples assim.

A boa música, a leitura dos clássicos, os poemas edificantes, as obras de arte, as companhias sadias, os passeios saudáveis, o bom humor são aliados potentes nessa conquista.

Outro desses aliados é a Filosofia. Por meio dela aprendemos tudo o que foi aqui discutido. Por meio dela aprendemos a identificar a entrada de uma emoção ou pensamento de baixa qualidade. Por meio dela encontramos as ferramentas necessárias à essa identificação. Por meio dela aprendemos a sentir o sagrado, o divino, o mistério... Por meio dela aprendemos a “erguer os braços” e alcançar os Deuses!

BIBLIOGRAFIA

· SALIS, Viktor D.. Mitologia Viva. Edições Nova Alexandria. 2009.

· http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mitologia-grega

· http://etc.usf.edu/clipart/


[1] Mitologia Viva – Viktor D. Salis – Editora Nova Alexandria

[2] Mitologia Viva – Viktor D. Salis – Editora Nova Alexandria

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