segunda-feira, 7 de abril de 2014

Ninguém dá o que não tem... - Casa de Euterpe


É interessante como, ao longo do tempo, vamos observando o desenrolar da vida e aprendendo com essa mestra inigualável. Ela nos ensina a todo momento, embora muitas vezes não consigamos entender que as circunstâncias são, na verdade, lições que generosamente nos são apresentadas pela natureza.
Inúmeros são os ensinamentos e pode-se falar acerca deles por uma eternidade, mas eu gosto muito daquele que se resume no seguinte: ninguém dá o que não tem!
Muito simples de entender racionalmente e extremamente difícil de levar ao coração. Digo isso, porque é apenas com o passar das experiências que vamos integrando este dito. E até que o façamos de forma satisfatória, “muita água passou por baixo da ponte”... .
Quero dizer com isso que costumamos criar expectativas gigantescas em relação às pessoas e projetar-lhes atitudes que, na esmagadora maioria das vezes, não condizem com aquilo que as mesmas são capazes de oferecer. E não são capazes porque simplesmente aquilo que esperamos que elas façam ou sintam ou pensem não faz parte de seu repertório de vida.
É simples assim: as pessoas são o que são e não aquilo que gostaríamos que elas fossem. É obvio, dirão alguns. Óbvio sim, mas dificilmente considerado no desenrolar das relações e das aproximações pessoais.
Posso afirmar que esse conceito ainda não está integrado em nosso íntimo, porque caso o tivéssemos integrado, diminuiríamos muito nossas frustrações, pois aprenderíamos a não esperar do próximo aquilo que gostaríamos, mas entenderíamos o que ele é capaz de dar. Entenderíamos que cada um tem seu momento, sua história e suas possibilidades. Deixaríamos de exigir que as pessoas cumprissem com nosso ritual particular de ansiedade, de especulações e de fantasias.
Caso tivéssemos integrado esse conceito, veríamos o outro como ele realmente é, sem projetar-lhe nossas próprias necessidades, carências e exigências. E ao vê-lo como um ser único e despido de nossas expectativas, talvez fossemos capazes de entendê-lo e amá-lo no limite de suas próprias necessidades e não das nossas.
Caso tivéssemos integrado esse conceito, seriamos capazes de uma verdadeira relação, pois da forma como agimos, a relação que se dá é com um ser que criamos e que é um espelho de nós mesmos.
Caso tivéssemos integrado esse conceito, poderíamos exercitar a generosidade e diminuir o grau de egoísmo, pois passaríamos a enxergar o que está ao nosso redor de forma mais clara e objetiva, sem a nuvem de nossos conceitos e preconceitos e nossa atenção voltar-se-ia para algo que está para além de nós mesmos.
Caso tivéssemos integrado esse conceito, aprenderíamos com o outro, pois veríamos o que ele realmente pode nos oferecer.
Enfim, caso tivéssemos integrado esse conceito veríamos a maravilhosa diversidade de opções que a vida nos oferece e entenderíamos o que Ravana, em seu testamento, diz a Rama, no épico Ramayana: Ó Narayana, olha, eu olhei... maravilhei-me... Os Homens são minas, os Homens são minas preciosas...

Casa de Euterpe

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