quinta-feira, 6 de março de 2014

Felicidade Foi-se Embora? Valéria Cristina Gomes Ribeiro

Art by Taupe Syuka
Em uma de suas apresentações, o tema do Globo Repórter chamou-me atenção, pois foi acerca de um assunto perseguido por cem em cada cem pessoas: a felicidade. Assisti ao programa e entendo que foi muito oportuno. Tratou do argumento sob diversos aspectos e ficou claro que as pessoas têm ampliado sua visão acerca desse sentimento tão procurado e, às vezes, pouco encontrado.

Mesmo verificando que essa visão tem se ampliado, é comum constatarmos que muitos de nós ainda temos uma ótica distorcida da felicidade, pois, na prática, ainda encontro pessoas que não se sentem felizes e que julgam ser a felicidade uma questão de momentos.

É interessante verificar que se nos perguntássemos acerca do que ela é, nenhum de nós responderia da mesma maneira e ainda seriam muitos os que ficariam sem saber o que responder. A felicidade, em uma definição filosófica, é um estado perfeito que se deseja, mas que não se pode definir, pois afeta a todos os planos de nossa expressão humana e ao conjunto em sua totalidade. E não é fácil ter uma visão do detalhe e do conjunto de uma vez, conhecendo o que é válido em um e outro caso, embora se trate de nós mesmos.

Muitas pessoas ainda entendem a felicidade de forma muito abstrata e a põem em um ponto tão distante que é quase impossível alcançá-la. E, por isso, sentem-se infelizes, insatisfeitos.

Uma das razões porque isso acontece é não termos claro o nosso objetivo de vida. Cada vez que alcançamos alguma coisa, sempre nos vem a ideia que ainda não está bom, de que ainda falta algo… Finalmente conseguimos fazer a viagem que queríamos, mas ainda falta conhecer outro sítio; conseguimos o trabalho a que nos propusemos e, depois de alguns meses, já não é mais suficiente e almejamos outro; adquirimos o carro para o qual viemos economizando e, depois de algum tempo, ele já nos parece ultrapassado; temos amigos, mas eles, com o tempo, já não suficientes… e assim por diante…

Outra razão do porque vemos a felicidade “por um binóculo” é que não sabemos onde ela mora. Está nas satisfações materiais? Na tranquilidade emocional? No conhecimento de muitas coisas? Em uma vivência espiritual? Quem é, afinal, o depositário da felicidade? Os bens materiais, os sentimentos, nossa parte espiritual?

Ainda temos de considerar que os meios para alcançá-la são, por vezes, inadequados, pois quando nossos objetivos não são claros e a residência desse sentimento também não, os meios só podem se mostrar inadequados. Isso quando não usamos meio algum e esperamos que a vida nos presenteie com nossa cota de felicidade.

Por isso, é preciso que revisemos nossas ideias e, claro, nossas atitudes.

Devemos clarear nossos objetivos: O que é a felicidade para nós? É preciso que nos conheçamos o suficiente para saber do que gostamos: de passear, ler, meditar ou rezar? Com essa delimitação, todos nós podemos encontrar de forma imediata uma dose de felicidade, pois ela está, em grande parte, nas pequenas coisas.

Devemos também localizar sua morada: onde mora a felicidade? Se prestarmos atenção à nossa rotina pessoal, saberemos onde ela reside. O nosso físico tem sua forma de ser feliz: quando lhe damos sua cota de exercício, de descanso, de alimento… ele se satisfaz e nos proporciona uma sensação de bem estar.

Nossas emoções também têm sua própria forma de ser feliz que, por incrível que pareça, não está relacionada à sentirmos-nos amados e compreendidos, mas, em primeiro lugar, a amar e compreender, inclusive a nós mesmos. Outra maneira de nos sermos felizes nesse âmbito é termos o dever cumprido com boa vontade e eficácia. Nada nos faz mais bem do que isso. Experimentem!

A mente não é feliz acumulando conhecimento, mas aplicando o que aprende, de forma a relacionar as ideias entre si. É, ainda, feliz quando compartilha o aprendido e as experiências daí advindas. A mente é fogo e este é o único elemento que, quando divido, aumenta!

Nossa parte espiritual também tem suas metas, mas, na maioria das vezes não sabemos quais são, pois não prestamos a menor atenção à essa dimensão. É corrente que queiramos satisfazê-la com alimentos pouco adequados. É preciso que entendamos que o espírito é satisfeito com alimentos espirituais e podemos oferecê-los por meio de uma vivência um pouco mais consciente do sagrado que está no âmago de cada um de nós. Cada qual saberá como fazê-lo, basta se propor a isso!

Claro que é preciso que tenhamos o necessário para uma vida digna, mas um espírito sereno e aberto à evolução ajuda mais que nenhuma outra coisa a conseguir a felicidade intelectual, emocional e material.

Descobrir que somos seres humanos e não máquinas autômatas; descobrir que podemos coordenar nosso físico; descobrir que podemos trabalhar nossos sentimento de forma a não ferir os outros e a nós mesmos; descobrir que o mundo está repleto de beleza e harmonia faz brotar em nós uma felicidade interior que vai além da alegria momentânea que, dependendo de cada um, pode solidificar-se no mais permanente dos sentimentos.

Assim, sabemos que somos felizes quando começamos a desfrutar de coisas muito simples; quando sorrimos com facilidade; quando atentamos para aprender algo novo todos os dias; quando avançamos em direção à nossa meta sem desânimo e com esperança; quando somos capazes de elevar nossos sentimentos com a singela visão de um pôr-do-sol, com a audição de uma bela música, com a apreciação de uma obra de arte…

Sejamos felizes imaginando sem fantasia, sonhando com praticidade, lançando-nos à aventura com riscos calculados, amando sem barganhas!

Vamos lá?


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