terça-feira, 4 de março de 2014

Tenho Medo... - Casa de Euterpe


Durante esta última semana tive algumas experiências que me fizeram refletir acerca do medo. Questionei-me acerca que algumas questões relacionadas a esse sentimento, pois tenho observado que ele se encontra cada vez mais disseminado no momento histórico que vivemos.
Para termos essa percepção não é necessária qualquer ordem de reflexão. Basta ligarmos a televisão e assistirmos a apenas um de seus telejornais; basta conectarmos a internet e “passarmos os olhos” nos títulos das notícias que ocupam a esmagadora maioria dos portais de notícias; basta comprarmos o jornal do dia e ali veremos estampada na primeira página manchetes que matariam de medo os mais suscetíveis.
Assim, é clara a constatação de que persiste uma forma de difusão negativa para o público: a que produz medo. É certo que devemos estar prevenidos acerca de alguns fatos, e aplicar os recursos necessários para evitar alguns males. Todavia, uma coisa é o medo natural, advindo do instinto de preservação e outra é o pânico.
Ora, o medo que difere do pânico é um estado psicológico da alma e também um mecanismo natural que promove a elevação das defesas humanas e de toda a natureza. O medo pintou olhos de coruja nas asas das borboletas para espantarem os pássaros que as destroem; o medo dos predadores ambientou o camaleão com suas múltiplas cores; o medo do frio inspirou os homens a confeccionarem roupas; o medo de doenças fê-los buscar os remédios adequados; o medo das águas inspirou-os a construir pontes monumentais; o medo dos fenômenos naturais impulsionou-os a edificar magnificas habitações. Então é importante que entendamos que o medo é bom e construtivo.
Quem poderia dizer, honestamente, que não tem medo de nada? Se formos coerentes conosco mesmos não podemos afirmar tal coisa. Assim, há tantos medos quanto há pessoas, e cada um de nós os apresentará segundo nossas características.
Agora, em relação ao pânico indiscriminado e desmedido, os antigos filósofos ensinaram-nos que todo excesso é mau.A falta de medo foi concebida como temeridade, caminho seguro para a destruição. Mas o excesso de medo é ainda mais perigoso, pois não só destrói os corpos como envilece as almas, degrada-as, tira-lhes a alegria e os sonhos, tornando-as impotentes a todo tipo de criação e de aperfeiçoamento. O medo em excesso confunde e estupidifica. As atitudes de não-enfrentamento faz-nos estacionar no ponto em que estamos.
A covardia, ou excesso de medo, converte-nos em um joguete de todas as violências e injustiças, escraviza-nos e humilha-nos. Facilita a qualquer adversidade a nossa destruição total.
Assim, não podemos confundir o medo natural e o pânico inexplicado e desmedido, pois no âmago do primeiro – se é um medo “vivo” e não paralisante – está a força que nos ajudará a sair dele. Do mesmo modo que no coração da escuridão está a chispa que se converterá em luz. Nesse aspecto, a máxima egípcia que diz: “Tem medo e isso está bem. Somente os vaidosos e os imbecis ignoram o medo. Desse temor nasce uma força capaz de vencê-lo.”
O medo só paralisa quando lhe damos valor definitivo: existe medo e nada mais que medo. Ele abre passo para o valor quando é devidamente enfrentado: é preciso aprender a ver os perigos, reais ou imaginários, para saber com o que ou com quem combatemos. O medo, nesse caso, é um convite à coragem. Quando sabemos o que tememos, podemos atuar para crescer e ocupar o lugar daquilo que nos amedronta.
Quando vencemos o medo, podemos controlar a nós mesmos e abrir caminho entre as adversidades do mundo circundante, no campo físico, psicológico, mental e espiritual. Lembremos que vencendo o medo, o homem construiu as pirâmides do Egito, o Pártenon de Atenas e de Roma; escreveu a Ilíada e a Odisséia, a Bíblia, o Bhagavad Gîtâ, a Divina Comédia e o Dom Quixote. Pintou a Capela Sistima; compôs a Tetralogia de Wagner, a 9ª Sinfonia; esculpiu a Pietá, descobriu a América e pôs os pés na Lua.

Assim, vencendo o medo conquistaremos a nós mesmos e, por consequência, tudo aquilo que nos propusemos a conquistar!
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