quinta-feira, 6 de março de 2014

"Um dia, estava Zaratustra a dormitar sob uma figueira... - Nietzsche



"Um dia, estava Zaratustra a dormitar sob uma figueira, porque fazia calor, e tinha tapado o rosto com o braço. Nisto chegou um víbora, mordeu-lhe o pescoço e ele soltou um grito de dor. Afastando o braço do rosto, olhou a serpente; ela reconheceu os olhos de Zaratustra, contorceu-se vagarosamente e quis se retirar. "Não - disse Zaratustra: - espera, ainda não te agradeci! Despertaste-me a tempo, pois o meu caminho ainda é longo.

- "O teu caminho é curto - disse tristemente a víbora: - o meu veneno mata". Zaratustra pôs-se a rir. "Quando foi que o veneno de uma serpente matou um dragão? - disse - reabsorve o teu veneno! Não és rica demais para me fazeres presente dele". Então a víbora tornou a enlaçar-lhe o pescoço e lambeu-lhe a ferida.

Nietzsche, in Assim Falava Zaratustra

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