sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Kairós, a Oportunidade - Casa de Euterpe



As situações do dia a dia têm mostrado a mim a necessidade de refletir acerca das oportunidades que a vida nos apresenta. Os gregos eram muito felizes quando a representavam por meio de um deus: Kairós.

Kairós (em grego καιρός) é uma palavra do grego antigo que significa “o momento oportuno”, “certo” ou “supremo”. Na mitologia grega, Kairós é filho de Chronos (Deus do tempo e das estações).

Descrito como um belo jovem calvo com um cacho de cabelos na testa, ele era um atleta e tinha uma agilidade incomparável. Resplandecente e com a flor da juventude, Kairós tinha duas asas nos ombros e nos joelhos. Sempre sem roupas, ele corria rapidamente e só era possível alcançá-lo agarrando-o pelo topete, ou seja, encarando-o de frente. Depois que ele passava, era impossível persegui-lo, pegá-lo ou trazê-lo de volta. Na entrada do estádio em Olímpia havia dois altares: um era consagrado a Hermes, que simbolizava os jogos e o outro era consagrado a Kairós, que simbolizava a oportunidade.

Kairós representa, assim, o tempo presente, a Oportunidade.
Essa representação simbólica é autoexplicativa. Deixa-nos clara a necessidade que temos de aproveitar absolutamente todas aquelas que o destino nos põe à frente.

Todavia, como somos desatentos, na maioria das vezes não percebemos quando o deus passa agilmente por nós. Assim, simplesmente deixamos que passe. Quantas ocasiões não são aproveitadas? Quanto tempo perdido e impossível de ser recuperado?

Não são poucas as vezes em que justificamos nossa desídia, nossa inércia diante das oportunidades com razões muito pouco convincentes. É comum deixarmos para depois as coisas que podemos fazer agora; é comum pensarmos que “amanhã” será possível realizar “tal coisa”, estar junto de quem amamos, construir nossos sonhos, viver nossa vida.

Isso ocorre porque, ainda que de forma inconsciente, consideramos a oportunidade como simples causalidade que pode ou não ser aproveitada, independentemente de nossa vontade.

Não encontramos relação entre as portas abertas pela vida e a possibilidade que temos de entrar por elas por meio de um impulso consciente.

De nosso superficial ponto de vista, parece que temos a livre opção de aproveitar ou não as oportunidades, sem maiores consequências. Quando muito, nos lamentamos de não havê-las aproveitado, convencidos que chegará o momento de recuperá-las.
Todavia, é muito diferente aproveitar a oportunidade e deixá-la escapar.

Na matemática da vida, duas ações diferentes não podem ter consequências iguais, nem aleatórias e nem ficar sem consequência alguma. Assim, sempre seremos responsáveis pelas consequências das oportunidades que deixamos passar. Sempre seremos responsáveis pela construção de nossa vida e nosso destino.

Kairós nos oferece as oportunidades. Se o deixamos seguir, nos compensará com a triste companhia do arrependimento e das coisas são realizadas. Ainda que possamos nos redimir, aquele tempo, aquela oportunidade jamais retornará.

Por isso, utilizemos o tempo presente. Façamos desse momento brevíssimo um mundo consciente de construção e realizações.




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