sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ipês Brancos - Casa de Euterpe



No início desta semana, estava, como faço todos os dias, dirigindo para o trabalho quando olhei para os canteiros ao longo da rodovia e percebi a chegada dos ipês brancos.

Aqueles que moram no Distrito Federal sabem que esta é a época dos ipês e que os primeiros que despontam são os brancos, seguidos dos roxos e dos amarelos.

Ao percebê-los fiquei a imaginar há quantos dias eles estavam ali, lindos, salpicando os canteiros de suavidade, encanto e beleza. É provável que estivessem por ali já há alguns dias e eu ainda não os tinha visto! Na entrada norte do Plano Piloto e mais adiante, antes da Ponte do Bragueto, existem dois especialmente bonitos. Exuberantes em sua simplicidade.

Vê-los naquele dia, fez-me refletir acerca do porque ainda não os tinha visto, uma vez que são as coisas mais bonitas que permeiam meu caminho de casa até o trabalho. Cheguei à conclusão de que não os vi antes porque estive ausente do momento presente. Estive olhando para o lado contrário ao que estavam os ipês. Estive desatenta, presa em alguma ocorrência do dia anterior, presa no fluxo do trânsito, nas tarefas que me aguardavam no trabalho, nas atividades que me esperavam em casa à noite (!) e em mais um porção de coisas que não faziam parte daquele momento. Eu estive “pré-ocupada”, dispersa, minha atenção esteve focada em fatos passados ou futuros, muitos deles, inclusive, de qualidade duvidosa e infinitamente menos belos do que o espetáculo proporcionado por aquelas flores.

Assim como deixe de perceber por alguns dias a chegada dos ipês brancos, quantas mais pessoas também deixaram de percebê-los? Provavelmente, dezenas de pessoas. E por motivos iguais ou muito parecidos aos meus.

Ora, dirão alguns que leem estas linhas, qual o problema que não se ver os tais ipês brancos? Bem, respondo a todos e a mim mesma: a questão é que eles são as melhores coisas que existem naquele caminho e duram muito pouco. Daqui a braves dias, não mais estarão por ali. Mesmo de um dia para o outro, não são mais os mesmos! Modificam-se e vão embora para retornarem apenas o ano que vem. Assim, quem os viu pode contemplar a beleza com que a Natureza nos premia diariamente e quem não os viu… bem, lá se foi uma oportunidade…

É interessante refletir acerca disso, pois quantas outras oportunidades perdemos por não estarmos suficientemente atentos à vida? Quantas coisas perdemos por estarmos desatentos ou focados em outras periféricas?

Quantas maravilhas deixamos de perceber por estarmos inseridos em uma mecanicidade diária que nos tritura e nos impede de ver aquilo que é belo? Quantas vezes vemos apenas o pior lado das coisas por não estarmos acostumados a ver o melhor lado? Quantas coisas deixamos de ver por estarmos olhando para o lado contrário? Por estarmos voltados para coisas que não têm tanta importância assim?

E essas oportunidades, assim como as flores, também podem ter uma época, um prazo e se deixamos de aproveitá-las, quando retornarão? Na próxima primavera? Daqui a cinco anos? Dez anos? Ou eram únicas?

O Universo está sempre a proporcionar-nos coisas boas, belas e justas. A Natureza, com seus ciclos inexoráveis, é a maior prova disso. Porém, é necessário estarmos despertos para percebê-las.

Não percamos as chances que a vida nos oferece diariamente. Para isso, precisamos perceber todos os “ipês brancos” que são plantados ao longo do nosso caminho!



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