quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Verdadeiro Ecletismo - Casa de Euterpe

  

Sou graduada em Direito e passei parte da vida acadêmica estudando diversas correntes de pensamento. Em diversas disciplinas é fácil verificar que existem pelo menos três vertentes de ideias, sendo uma delas geralmente denominada eclética. É corriqueiro constatar que a chamada corrente eclética é um meio termo entre as duas outras, quaisquer que sejam elas. A esta última, eu e os demais alunos recorríamos quando estávamos em dúvida e comumente agradávamos, pois não havia dissenso quanto a ela.
Outro fato observável é relativo às nossas preferências. Quando questionados acerca de nossas predileções musicais, por exemplo, é comum respondermos que somos ecléticos. Com isso queremos dizer que gostamos de diversos gêneros, que quase tudo nos agrada. Isso se repete em relação a filmes, livros etc.
Assim, atualmente, o conceito de ecletismo deriva para significar preferências diversas. Em outras palavras, deriva para significar falta de definição. Quando afirmamos que somos ecléticos, queremos dizer que gostamos de qualquer coisa.
Essa postura, no entanto, jamais denotou ecletismo. Quando muito, indica insegurança, desconhecimento, indefinição.
Jesus, o grande Mestre nazareno, diz no livro do Apocalipse: “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Apocalipse 3:16).
Ensinou-nos o Messias a termos definição, postura decidida perante a vida. Ensinou-nos não a ser cinza, mas branco ou preto; não a ser morno, mas quente ou frio.
Dessa forma, o verdadeiro ecletismo não é estarmos sempre “em cima muro”. Ao contrário, o verdadeiro ecletismo exige que tenhamos atitude e tendo feito nossa escolha, respeitemos a opção do outro.
Eclético, portanto, é aquele que se posicionando, aceita e respeita profundamente os demais posicionamentos, ainda que diametralmente opostos ao dele. Gostando no negro, aceita e respeita todos aqueles que preferem o branco. Gostando de rock, aceita e respeita quem prefere música erudita, sertaneja, MPB...
Evelyn Beatrice Hall, escritora britânica (1868 – após 1939), deixou-nos um grande exemplo do verdadeiro ecletismo ao preconizar: "eu não concordo com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las".
É isso. Ser eclético não é ser indefinido e concordar com tudo. Não é viver ao sabor da maré das opiniões, mas, sim, assumir posições perante a vida e entender e respeitar todas as outras. É viver e deixar viver.

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