terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ecologia Humana - Casa de Euterpe

O planeta está sendo destruído.
Para ratificar esse enunciado, há notícias de todos os naipes e em todos os veículos de comunicação.
São notas acerca de desastres ambientais, animais em extinção, aquecimento global, florestas em fase de destruição, poluição dos mares, derretimento de geleiras.
Diante desse cenário, proliferam movimentos ambientalistas com o objetivo de proteger baleias, micos-leões-dourados e muitos outros animais em risco de extinção. Há movimentos também de proteção de animais que, ainda que não estejam em extinção, são utilizados em pesquisas farmacêuticas e industriais.
Grupos se organizam para combater a extrema poluição que devasta a Terra, bem como para preservar as nascentes de água, entre outras bandeiras, todas elas ecológicas e globais.
É imensamente gratificante ver que existem seres humanos preocupados com alguma coisa que vá para além dele próprio. Preocupados com o bem-estar em nível planetário e não apenas com sua própria sobrevivência. Tal cenário nos deixa menos perplexos diante das situações de devastação que ocorrem diante de nossos olhos, todos os dias.
Todavia, gostaria de chamar atenção para o fato de que pouco ou nada se discute acerca da causa de tal situação crítica à qual chegamos ao longo de centenas de anos. Não se discute porque cometemos e estamos a cometer atos que, ao final, repercutirão em desfavor de toda a humanidade. Não se discute o que leva o homem a incendiar uma floresta em nome do desenvolvimento da produção agrícola ou o que o leva a poluir um manancial de água em nome da civilização e do progresso.
Art by Holly Sierra
Penso que sem essa discussão e a consequente adoção de soluções para debelar as causas desse desequilíbrio, o resultado que se alcançará será sempre temporário, jamais permanente.
Penso também que o fator fundamental que leva o homem a se autodestruir é a decadência moral, concretizada quando deixamos de abrigar os valores fundamentais que nos alicerçam como seres humanos.
É de pouca valia a preservação dos mananciais para que não morram de sede seres humanos egoístas, materialistas e perversos.
É de pouca valia a luta pelo controle do aquecimento global para que seres humanos amorais possam viver confortavelmente suas existências, pois não há realmente vida nessa situação.
Ainda, é de pouca valia a preservação da fauna e da flora sem que nós, homens e mulheres, preservemos em nosso mais profundo interior, a generosidade, o altruísmo, a bondade, a justiça, a beleza.
É urgente uma reavaliação do que nos move, do que nos impulsiona, de nossas reais intenções. Não é razoável levantarmos bandeiras de preservação ambiental quando não somos capazes de preservar a convivência, a amizade, o amor em relação ao nosso semelhante.

Dessa forma, penso que precisamos realmente enfatizar a ecologia, mas a ecologia humana. Penso que necessitamos, sim, desesperadamente de um movimento ecológico, mas de um movimento ecológico que vise a preservar aquilo que realmente está se extinguindo: o ser humano, aquele que verdadeira e conscientemente pode ser denominado de Ser Humano porque tem seus fundamentos alicerçados na generosidade e não no egoísmo; na fraternidade e não na dissensão; na união e não na desagregação; no Espírito e não na matéria...

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