sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Resistência - Casa de Euterpe

Art by Tomasz Alen Kopera
Estava sem a mínima ideia acerca do que escreve hoje. E daí me deu uma preguiça danada e pensei em “pular” a semana. Não escrever nada ou repetir um texto. Foi para sair desse estado de ânimo que resolvi escrever a respeito da resistência!
Isso mesmo: resistência. Esse termo é usado por Steven Pressfield em seu livro A Guerra da Arte. Ali ele a descreve como a força que rejeita o crescimento, a saúde ou a integridade de longo prazo, ou seja, qualquer ato que nos impede de crescer como seres humanos.
Diz ele ainda que a maioria de nós possui duas vidas. A vida que vivemos e a vida não vivida que existe dentro de nós. Entre as duas encontra-se a resistência. Esta impede que vivamos a vida que, na verdade, queremos viver, pois é claro que queremos ser melhores, mais saudáveis, mais dinâmicos, mais empreendedores, mais, mais, mais….
Ocorre que, muitas vezes, quando decidimos “dar uma guinada” no rumo que estávamos seguindo para sermos aquilo que sonhamos, aparece uma série de fatores que nos impede de fazê-lo e, para piorar, ainda justificamos cada um deles.
Observemos essas situações bem simples:
  • Fazemos inscrição em uma acadêmia, pagamos a matrícula e pensamos: amanhã começo! Toca o despertador e viramos para o outro lado para continuar a dormir sob a justificativa de que o dia anterior foi “muito puxado”. Lá se foi a acadêmia.
  • Dispomo-nos a estudar um novo idioma, fazemos a matrícula. Vamos à primeira aula e começamos a faltar nas demais. Justificamos essa atitude dizendo que não temos tempo nem dinheiro para continuar a estudar. Lá se foi o conhecimento.
  • Planejamos reservar um tempo, todo dia, para fazermos nossas reflexões, ler um bom livro e, quando percebemos, dormimos refletindo ou lendo. Justificamos o fato dizendo que estamos exaustos. Lá se foi a reflexão ou a leitura.
Percebam que todos esses exemplos contribuiriam, de uma forma ou de outra, para o nosso crescimento. Caso os tivéssemos levado a cabo, seriamos melhores fisicamente, intelectualmente, espiritualmente. Todavia, todos eles foram sumariamente descartados sob uma série de desculpas. Pois bem, essas desculpas são a resistência.
Ela tem diversas características, mas vou ressaltar apenas algumas. Ela é:
  • Invisível: não pode ser vista concretamente. O que vemos é o seu efeito. Portanto, cuidado! Quando percebemos, ela já nos atacou…
  • Interna: não vem de fora. Vem de dentro de nós mesmos. Somos seus criadores e mantenedores. Assim, estamos, literalmente, “dormindo com o inimigo”.
  • Implacável: não vem para brincar. Ela aparece para matar! Matar o melhor que temos em nós. Minar nossas melhores iniciativas, nossas melhores disposições, nossos melhores sonhos.
  • Infalível: quando ela resolve ganhar, ganha! Não perde tempo, não faz rodeios. Ataca sem dó nem piedade.
  • Nunca dorme: nem quando nós dormimos. Está sempre alerta e à espera de que a deixemos entrar. E dai, se instala confortavelmente.
  • Alimenta-se do medo: do nosso medo. Do medo que temos de darmos certo, sermos felizes, de alcançarmos nossos objetivos. Parece loucura, mas Pressfield diz é isso mesmo o que ocorre: temos medo do sucesso!
  • É mais forte na reta final: quanto mais próximos estamos de nossos objetivos, mais agressiva ela se mostra. Ataca mais violentamente para acabar logo conosco.
E o que fazemos, então? Primeiro é preciso reconhecer que ela existe. Identificá-la quando aparece em forma de procrastinação, distração, problemas – principalmente financeiros e de falta de tempo – dramatização, vitimização, infelicidade, crítica, falta de confiança em nós mesmo, fantasias de grandeza, isolamento, racionalização.
Depois de identificá-la é necessário lutar contra ela. Para isso, devemos utilizar outras armas que não sejam as que ela usa. Assim, ritmo, disciplina, ordem, entusiasmo, vontade, coragem, força, disposição, atenção, concentração podem ser muito eficazes nessa batalha.
A cada ataque, um contra-ataque. Contra a procrastinação, ritmo; contra a crítica, humildade; contra a vitimização, coragem; contra a racionalização, discernimento…
E antes que alguém me pergunte “por quanto tempo terei de lutar”, aviso que é para sempre! Não podemos esmorecer sob pena de sermos muito menores do que a estatura que podemos ter. Não podemos esmorecer sob pena de não vivermos a vida que está latente dentro de nós!