sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Mulheres - Casa de Euterpe


Os cavalheiros que me desculpem, mas hoje escrevo para as damas.

Estive observando algumas situações na semana que se findou e senti vontade de escrever para mim mesma e para todas aquelas que vierem a ler este artigo.

Desde sempre se fala de um ideal feminino e ao longo dos séculos essa questão foi tratada de diversas formas, sob diversos aspectos.

Há muitos anos, as mulheres são impulsionadas pela ideia de encontrar seu lugar na sociedade. E até a agora, em pleno século XXI, parece que ainda não estamos satisfeitas com o espaço que ocupamos, com a remuneração que ganhamos e ainda levantamos a bandeira de que devemos conquistar nosso lugar.
Ocorre que se fizermos uma visitinha às sociedades antigas (cretense, minoica, celta), veremos que tais sociedades eram matriarcais! Ali viveram grandes rainhas, excepcionais guerreiras, filósofas, políticas. Se nos debruçarmos para pesquisar os registros históricos encontraremos damas da estirpe de Cornélia, mãe dos Gracos; Aurélia, mãe de Júlio César; Hipátia, filósofa; Hatchepsut, rainha do Egito; Boadiceia, rainha e guerreira celta. Além dessas excepcionais mulheres, ainda encontraríamos grandes sacerdotisas: as vestais, as sacerdotisas de Ísis, de Ceres, de Afrodite, de Ishtar.

A mulher, nesse período, tinha um papel preponderante e era o centro da vida.

Esse papel de chefe, centro, núcleo é representado nos mitos gregos pelas Deusas. A mulher no centro da Terra, no fogo do altar, no centro da casa e do templo… Esse fogo que crepitava nos altares e nos lares, cuja guardiã era a mulher, é o fogo da vida e tinha a capacidade de concentrar as pessoas ao seu redor. Assim, o papel feminino, o nosso papel estava no centro da família e da sociedade.

Ora, é fácil de perceber que tínhamos muito nítida a nossa função e nosso lugar social era claramente definido, bem como preponderante.

O que aconteceu, desde então? De que forma perdemos o papel de centro? Quando deixamos de ser Deusas?

Posso elencar alguns fatores, sem a pretensão de ser exaustiva.

Psicologicamente, deu-se excessiva ênfase aos aspectos negativos da psique feminina. É usual ouvirmos a descrição da mulher como manipuladora, como emocionalmente instável, como sexualmente sedutora . Toda a debilidade de nossa psique é atualmente exaltada e, o que é mais triste, na maior parte das vezes por nós mesmas. Não é raro usarmos fatos como TPM, fases da lua e coisas do gênero para justificarmos “ataques”, instabilidades emocionais e psíquicas, crises, medos. Tudo isso como se fossemos seres atmosféricos ou meramente hormonais, desprovidos de inteligência e de razão.

Não bastasse isso, ainda contribuímos para a cristalização do estereótipo assumindo esse modelo ao seguirmos um padrão de beleza e de comportamento ditado pelo inconsciente coletivo. E achamos tudo isso muito natural.

Ainda, damos audiência a programas, músicas, filmes, peças de teatro que enaltecem essa debilidade e aplaudimos tudo isso como se refletissem, mesmo, aquilo que somos.

Ademais, religiosamente, por séculos a mulher foi a representante do mal. São femininas as figuras das bruxas que enfeitiçam, das sereias que seduzem, das feiticeiras que enganam.

Isso tudo faz com que a mulher, quando retratada como empreendedora, jovem, requintada, elegante, discreta, equilibrada desperte cobiça e desprezo. A imagem que é respeitada na sociedade atual é de mãe, de cuidadora do lar, de avó diligente, de artesã …

A pergunta que devemos fazer é: porque isso aconteceu? Somos a mesma mulher. Somos as mesmas que foram consideradas Deusas! Porque, agora, isso não ocorre mais?

Arrisco alguns palpites:
Duvidamos de nossa própria identidade. 
Não acreditamos em nós mesmas.
Iniciamos uma luta, não para conquistar nossos próprios valores, mas para competirmos com o homem! Queremos os mesmo empregos, as mesmas atividades, as mesmas funções.
Competimos com o homem, mas necessitamos de seu aval, de sua aprovação. Assim, adquirimos uma competência dependente, pois necessitamos da aceitação masculina. E, ainda, competimos umas com as outras!

Diante desse cenário, o momento histórico encontra-nos insatisfeitas e, muitas vezes, infelizes. Quando nos falta a aprovação masculina ou outra qualquer, praticamente adoecemos! É como se tudo o que fizéssemos necessitasse de plateia, aplausos. Nada pode ser feito no privado, no íntimo, no particular.

E agora? Para que tudo isso?

O que devemos fazer?

Estamos no caminho certo? 

Nosso caminho é mesmo competir e equipararmo-nos aos homens? Ou devemos fazer um caminho de retorno às nossas próprias características.

A igualdade entre homens e mulheres reside nas oportunidades, mas nunca seremos iguais física, energética, emocional e mentalmente. Somos complementares. Esse é o segredo.

É preciso que entendamos, urgentemente, que a nossa verdadeira conquista reside em descobrir nossa própria Alma, nossa autêntica entidade, nosso autêntico ser interior, uma energia que pode apoiar-se no material, mas que tem a capacidade de elevar-se ao metafísico, aos grandes sonhos e ao Ideal Feminino.

Temos de descobrir qual é a nossa guerra, qual é o nosso campo de batalha e quais são as nossas armas! A guerra, a batalha e as armas masculinas não são as nossas. É preciso que entendamos e aceitemos esse fato, além de que a nossa condição feminina não é uma maldição, mas uma dádiva.

Devemos resgatar nossa identidade múltipla: a mulher não é somente mãe ou esposa. É também amante, e sacerdotisa, e deusa, e heroína e artista… Devemos, assim, realizar uma viagem interior – ainda que seja dolorosa – e encontrar nossa alma feminina.

Ao final dessa viagem, nos depararemos com a nossa verdadeira alma que é composta de vida, energia, amor e sabedoria. Com esses atributos, que são nossas verdadeiras armas, somos a heroína e a guerreira ideal para lutar nossa própria batalha.

Devemos recordar que podemos dar vida a um corpo, a uma alma, a uma sociedade e a uma civilização…ou isso, ou perdemos a razão de ser. Insuflamos vida com uma forma particular de energia: resistência, constância…isso é nosso!

Devemos recordar diariamente que SOMOS Amor! O homem inclui o amor em sua vida. Nós, mulheres, fazemos do amor a nossa vida. Por isso, temos a capacidade de união, temos a capacidade de coesão, de aglutinação, de juntar pessoas e almas, assim como a capacidade para perceber a beleza, a harmonia e de lutar pela justiça. Isso é nosso!

Nosso Amor é sabedoria, pois se caracteriza pelo discernimento.

Assim, queridas damas, quando ofertamos energia e vida, amor e sabedoria, tornamo-nos protagonistas de nossa história e donas de nós mesmas…sem a menor necessidade de competir com quem quer que seja.

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